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O dólar ganhou força na semana passada, mas não protegeu o retorno em reais dos ETFs brasileiros de metais preciosos. SLVR11 caiu 2,25%, PRAF11 recuou 1,92% e GOLD11 perdeu 1,41%. No mesmo intervalo, DOLB11 subiu 0,84%.
A pressão veio também da curva americana. Entre 18 e 25 de setembro, o rendimento nominal do título de dez anos dos Estados Unidos passou de 5,01% para 5,17%, enquanto o rendimento real dos títulos protegidos contra a inflação, na mesma maturidade, avançou de 2,68% para 2,83%. O movimento ocorreu após a elevação de juros decidida pelo Federal Reserve na semana anterior. Como ouro e prata não pagam juros, a remuneração real maior dos títulos públicos aumentou o custo de oportunidade de manter metais. Na quinta-feira, os juros reais de dez anos chegaram a 2,85%; na sexta recuaram ligeiramente, acompanhando a recuperação diária dos metais, sem reverter a perda semanal.
SLVR11 (XP Asset) e PRAF11 (Galápagos Capital): -2,25% e -1,92%
Os dois ETFs chegam à prata física por estruturas locais diferentes, mas compartilham um motor identificável na carteira. O PRAF11 investe no SIVR, fundo americano da Aberdeen que acompanha barras de prata mantidas em custódia. A carteira divulgada para o SLVR11 também apresenta o SIVR como posição internacional dominante.
A prata combina função de reserva de valor e demanda industrial. Na semana observada, seu componente metálico prevaleceu sobre a pequena contribuição positiva do dólar para o investidor em reais. A recuperação de 0,96% do SIVR na sexta-feira, depois da queda concentrada nos pregões anteriores, ajuda a ler também os ganhos diários de 0,79% de SLVR11 e 1,12% de PRAF11.
O preço negociado do SIVR em Nova York passou de US$ 63,01 em 18 de setembro para US$ 61,14 em 25 de setembro, baixa de 2,97%.
GOLD11 (XP Asset): -1,41%
O GOLD11 oferece a outra metade do contraste entre metais e câmbio. Sua carteira investe no iShares Gold Trust, IAU, administrado pela BlackRock. O fundo americano detém ouro físico e acompanha o preço internacional do metal, já descontadas as despesas da estrutura; o GOLD11 mantém a exposição cambial. Portanto, o investidor brasileiro recebe a combinação entre ouro em dólares e dólar em reais, e não uma posição pura na moeda americana.
O IAU fechou 18 de setembro a US$ 82,23 e 25 de setembro a US$ 80,66, queda de 1,91%. O dólar amorteceu parte da perda do ouro, mas não a compensou. A alta de 15 pontos-base nos juros reais americanos de dez anos dá conteúdo econômico a essa queda: aumentou a remuneração de um ativo seguro que paga juros frente ao ouro, que não gera fluxo de caixa.
Na sexta-feira, IAU avançou 0,45%, enquanto GOLD11 ganhou 0,48%. O ganho de um pregão não altera o diagnóstico da semana. Ouro e prata tiveram fundamentos de preço próprios, e a posição cambial apenas modificou a intensidade desses movimentos quando traduzidos às cotas brasileiras.

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Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento.