
Créditos: iStock
A segunda-feira, 28 de setembro, começou com uma combinação desfavorável para títulos de taxa fixa: maior preocupação com a inflação no Brasil e avanço dos juros no exterior. A mediana das expectativas para o IPCA de 2026 no Focus subiu de 4,92% para 4,99%, após a prévia da inflação de setembro registrar 0,70%. Ao longo da manhã, as curvas brasileiras já mostravam taxas maiores em diversos vencimentos.
Às 12h30, a curva prefixada da ANBIMA marcava 13,5356% ao ano no vértice de 252 dias úteis, ante 13,5172% no fechamento anterior, alta de 1,84 ponto-base. Em 1.008 dias úteis, a taxa passava de 14,0790% para 14,1732%, avanço de 9,42 pontos-base. A curva de juros reais também abria: no vértice de 1.008 dias úteis, a taxa subia de 7,7093% para 7,7644%, ou 5,51 pontos-base.
A reação dos ETFs foi menos uniforme que a das taxas. O IRFM11, de títulos prefixados, caiu 0,08% na B3. O B5P211, de NTN-Bs mais curtas, ganhou 0,06%; o IMAB11 avançou 0,02%; e o LFTS11, ligado a Tesouro Selic, também subiu 0,02%. O contraste mostra como indexador, vencimentos e sensibilidade a juros moldaram o retorno das cotas.
IRFM11 (Itaú Asset): -0,08%
O IRFM11 acompanha o IRF-M P2, carteira de títulos públicos prefixados LTN e NTN-F. Nesses papéis, o fluxo de pagamentos já está definido em reais: quando a taxa exigida pelo mercado sobe, o preço presente dos pagamentos futuros cai. Esse foi o principal mecanismo de pressão sobre a cota.
A carteira teórica vigente continha vencimentos distribuídos de 2026 a 2037. Entre as maiores posições estavam a NTN-F de janeiro de 2031, com 11,05%, a LTN de janeiro de 2029, com 10,43%, e a LTN de julho de 2029, com 9,02%. Os vencimentos intermediários e longos ajudam a explicar por que a abertura da curva além do trecho mais curto importa para o fundo. O resultado de -0,08% refletiu essa exposição, ainda que o carregamento dos títulos também integre o retorno diário.
B5P211 (Itaú Asset): +0,06%
O B5P211 segue o IMA-B 5 P2, formado por NTN-Bs com vencimento em até cinco anos e controle de prazo médio. Na carteira teórica vigente, a NTN-B de agosto de 2028 respondia por 33,11% e a de agosto de 2030 por 31,76%. Juntas, concentravam quase dois terços do índice. As NTN-Bs de maio de 2027 e maio de 2029 tinham, respectivamente, 19,71% e 12,13%.
Esses títulos pagam inflação mais juros reais. A alta da taxa real reduz seu preço de mercado, mas os papéis mais curtos têm menor sensibilidade que uma NTN-B de vencimento distante.
No fechamento da cota, o B5P211 avançou 0,06%: o carregamento e a composição por prazos prevaleceram sobre a pressão observada na curva real durante a manhã.

Quer acompanhar as discussões sobre índices, estratégias e o mercado de ETFs? O INDEX 2026, evento anual da DEX, acontece no dia 12 de novembro, em São Paulo. Garanta a sua vaga.
IMAB11 (Itaú Asset): +0,02%
O IMAB11 acompanha o IMA-B, que reúne NTN-Bs de vários vencimentos. Diferentemente do B5P211, sua exposição não termina no segmento de até cinco anos. A presença de papéis mais longos aumenta a importância de movimentos na parte distante da curva de juros reais, na qual uma pequena mudança de taxa pode produzir variação maior de preço.
O avanço de 0,02% ficou abaixo dos 0,06% do B5P211. A distância de 0,04 ponto percentual entre as cotas é pequena em um único pregão, mas coerente com a diferença de prazo das carteiras diante de uma abertura dos juros reais.
TD3511 (Itaú Asset): -0,02%
O TD3511 concentra sua referência na NTN-B com vencimento em 15 de maio de 2035. Ao contrário de uma cesta de NTN-Bs curtas, o fundo expõe o investidor a um ponto específico e mais distante da curva real. Sua cota caiu 0,02% na sessão.
A taxa real maior reduz o valor presente dos fluxos desse título. A concentração em um único vencimento torna essa relação especialmente visível: não há, no índice de referência atual, uma distribuição ampla de papéis. Por isso, TD3511 e B5P211 podem entregar sinais opostos no mesmo dia, embora ambos tenham a inflação como parte da remuneração de seus ativos.
LFTS11 (Investo): +0,02%
O LFTS11 oferece exposição a títulos do Tesouro ligados à Selic. O mecanismo de retorno é diferente do dos prefixados: a remuneração acompanha a taxa básica, reduzindo a sensibilidade do preço às mudanças nas taxas de prazo mais longo. Na segunda-feira, a taxa DI-B3 indicada pela ANBIMA estava em 13,65% ao ano.
A alta de 0,02% da cota é compatível com esse perfil de carregamento e menor oscilação.
Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento.