Em sua coluna quinzenal para a tudoETF, Renato Eid, gestor da Itaú Asset Management, convida o leitor a não olhar um aspecto só na hora de lançar sua ordem de compra e investir em um ETF.

Você já percebeu como o investimento tem se tornado cada vez mais acessível no Brasil? Isso não é por acaso. A democratização do mercado financeiro está em curso e os ETFs têm tudo para desempenhar um papel central nesse processo.
Mesmo após quase 20 anos desde sua chegada ao país, os ETFs ainda estão começando a ganhar tração por aqui. Hoje, temos mais de 100 produtos listados na bolsa brasileira, mas eles representam menos de 1% do total investido na indústria. Em números, isso significa cerca de R$ 65 bilhões de reais investidos em ETFs e cerca de 600 mil investidores, muito abaixo do seu potencial.
Um cenário bem diferente lá fora
Enquanto isso, o mundo está vivendo um boom de ETFs. O mercado global atingiu um novo recorde, somando mais de US$ 16 trilhões, com 70% desse volume concentrado apenas nos Estados Unidos. Por lá, os ETFs são o caminho mais natural para diversificação de portfólios, com mais de 1.500 opções disponíveis para investidores.
Isso nos leva a uma pergunta essencial: com tantas alternativas no mercado, como escolher o ETF ideal para você? Escolher um ETF vai muito além de olhar apenas para a taxa de administração. Claro, custos são importantes, mas investir bem é dar atenção aos detalhes.
Comece pelo objetivo
Qual é o seu propósito com esse ETF? É uma posição estratégica de longo prazo? Uma exposição tática a determinado setor ou mercado? A resposta vai direcionar todo o resto, desde o tipo de índice replicado até o nível de concentração da carteira.
Verifique a composição do ETF. Procure entender se há exposição excessiva a poucos ativos — por exemplo, papéis com peso acima de 15% ou setores que dominam 50% da carteira. Diversificação de verdade protege seu portfólio. Veja por exemplo o ETF DIVO11 que comentei na última coluna.
Aluguel de ativos: uma fonte extra de retorno
Pouca gente sabe, mas muitos ETFs geram renda adicional alugando os ativos da carteira. Essa receita pode ser suficiente para cobrir, ou até superar, a taxa de administração. ETFs que exploram bem esse ecossistema, com formadores de mercado atuando ativamente, tendem a oferecer melhor liquidez e menores spreads.
O ETF BOVV11, por exemplo, conseguiu superar o índice Ibovespa em mais de 2% nos últimos três anos justamente pelo fato de realizar o aluguel dos ativos que estão em sua carteira.
Olhe além da liquidez “de tela”
Aquela liquidez que aparece na tela do seu aplicativo é só parte da história. É importante avaliar também a liquidez dos ativos subjacentes, ou seja, aqueles que de fato compõem o ETF. Isso ajuda a entender o risco de resgate e o custo de entrada e saída do produto.
Além disso, importante ver a atuação do formador de mercado (market maker, em inglês), ou seja, o agente contratado pelo gestor para manter a liquidez das cotas do ETF, fornecendo diariamente ofertas de compra e venda de cotas do fundo na bolsa, dentro dos critérios de quantidade mínima e spread máximo por oferta.
Resumo para levar com você
Quando falamos em investir com inteligência, é natural que muitos olhem primeiro para os custos. Mas atenção: o ETF mais barato nem sempre é o melhor ETF. Em vez de se fixar apenas na taxa de administração, vale olhar para o que realmente importa no longo prazo.
Escolher um ETF vai muito além do preço: envolve alinhamento com seus objetivos e eficiência na execução. Porque, em investimento, assim como na vida, os detalhes fazem toda a diferença.
