Em sua nova coluna, Flávio Vegas, especialista de produtos na Global X, comenta sobre dois setores que tem sido altamente demandados em função das atuais tensões geopolíticas espalhadas ao redor do mundo.
O investidor que observa o cenário global percebe duas temáticas atuando ao mesmo tempo: um avanço tecnológico acelerado e um aumento significativo das tensões geopolíticas. Essa combinação tem remodelado prioridades de governos, cadeias produtivas e, naturalmente, oportunidades de investimento. Entre as teses que mais se destacam nesse contexto estão: tecnologia de defesa e empresas exploradoras de ouro. Duas narrativas diferentes, mas que dialogam com o mesmo contexto: um mundo mais complexo, mais digital e menos previsível.
Nos últimos anos, o número de conflitos armados atingiu níveis históricos. Em 2024, havia 61 conflitos ativos, o maior número desde a Segunda Guerra Mundial. Para ilustrar, isso equivale dizer que 1 em cada 8 pessoas no mundo esteve exposta a algum tipo de conflito militar. Esse ambiente levou os gastos militares globais a um recorde de US$ 2,7 trilhões em 2024, marcando dez anos consecutivos de crescimento.

Fonte: Charting Disruption da Global X
Um pouco mais de números para defender a tese
Os orçamentos de defesa estão migrando para tecnologia. Os Estados Unidos, por exemplo, propuseram US$ 179 bilhões apenas para Pesquisa, Desenvolvimento, Teste e Avaliação em 2026, um aumento de 27% em relação ao ano anterior. Isso inclui investimentos em inteligência artificial, sistemas autônomos, cibersegurança e infraestrutura digital. Empresas como Palantir, Anduril e Google já participam de contratos bilionários para fornecer desde plataformas de IA até drones autônomos e soluções de nuvem segura para operações militares.
A Europa também acelera. A OTAN elevou sua meta de gastos de 2% para 5% do PIB até 2035, o que pode adicionar centenas de bilhões de dólares por ano ao setor. A União Europeia, por sua vez, planeja € 800 bilhões em investimentos adicionais em defesa até 2030. Em outras palavras: a tese de tecnologia de defesa não é cíclica, é estrutural.

Fonte: Charting Disruption da Global X
A Febre do Ouro
Em momentos de incerteza, o ouro tende a ser procurado como reserva de valor. Mas dentro desse universo existe um segmento ainda mais interessante: as empresas exploradoras de ouro. Elas não são grandes mineradoras consolidadas, são companhias que buscam novos depósitos e desenvolvem projetos que podem se tornar minas no futuro.
A demanda por ouro segue forte. Os bancos centrais compram mais de 1.000 toneladas por ano desde 2022, e cerca de 70% deles afirmam que pretendem aumentar suas reservas nos próximos cinco anos. Ao mesmo tempo, a oferta cresce pouco. Custos de extração mais altos, riscos regulatórios e a escassez de projetos de alta qualidade limitam a expansão da produção global. Isso cria um ambiente favorável para empresas que conseguem descobrir novos depósitos, e é justamente aí que exploradoras e desenvolvedoras se destacam.

Fonte: Charting Disruption da Global X
Historicamente, essas empresas apresentam maior sensibilidade ao preço do ouro. Quando o metal sobe, seus projetos se tornam mais viáveis e seus valuations podem se expandir rapidamente. Além disso, períodos de preços elevados costumam impulsionar fusões e aquisições no setor, com grandes mineradoras comprando exploradoras para repor reservas.
Assim, enquanto a tese de defesa se apoia na modernização tecnológica e no aumento dos orçamentos militares, a tese de exploradoras de ouro se beneficia da busca por segurança e da necessidade de novas descobertas em um mercado de oferta limitada. São narrativas diferentes, mas ambas refletem tendências estruturais de longo prazo.
Para investidores que desejam se expor a essas teses de forma diversificada e eficiente, existem ETFs temáticos globais que reúnem empresas de defesa e tecnologia militar, como o Global X Defense Tech ETF (SHLD39) assim como ETFs focados em exploradoras de ouro, o Global X Gold Explorers ETF (GOEX39). Eles permitem capturar essas tendências sem a necessidade de selecionar ações individuais, uma forma prática e diversificada de participar de movimentos que estão moldando o futuro da economia global.

Flávio ingressou na Global X ETFs em 2022 como Analista de Mercado de Capitais e atualmente é o Head de produtos do Brasil. Ele é responsável por comunicar a proposta de valor da Global X, detalhando os ETFs temáticos da empresa, além de outros produtos e serviços. Com mais de 7 anos de experiência no setor de investimentos, Flávio atuou anteriormente como Analista de Investimentos na Mirae Asset, onde trabalhou com ações, renda fixa e derivativos. Flávio é formado em Engenharia pela Universidade FEI e possui o certificado de Gestor de Portfólios (CGA-ANBIMA).