A semana foi marcada por deterioração do apetite a risco no mercado brasileiro, com queda da bolsa, alta do dólar e pressão na curva de juros. O Ibovespa encerrou o período aos 166.934 pontos, acumulando desempenho negativo em uma sequência de pregões pressionados.
O cenário doméstico combinou IPCA acima do esperado, comunicação cautelosa do Banco Central e revisão para baixo da recomendação do Brasil pelo JPMorgan, que citou crescimento mais fraco, deterioração do crédito, juros elevados por mais tempo e maior volatilidade eleitoral.
A inflação brasileira desacelerou para 0,07% em julho, mas ficou acima da expectativa de mercado e mostrou pressão relevante em Habitação, especialmente energia elétrica residencial. Apesar do corte da Selic para 14,00% ao ano, o Banco Central manteve postura cautelosa e destacou riscos inflacionários mais elevados que o usual, o que reduziu o espaço para uma leitura de afrouxamento monetário mais acelerado.
No exterior, a inflação ao consumidor dos Estados Unidos ficou em 3,4% em 12 meses, em linha com a projeção, mantendo a política monetária americana como fator relevante para os mercados globais.
Nesse ambiente, os ETFs de ações brasileiras tiveram queda generalizada, enquanto o ETF ligado ao dólar foi beneficiado pela valorização da moeda americana frente ao real.
Desempenho dos ETFs
BOVA11 (iShares Ibovespa Fundo de Indice): -3,23%
O BOVA11-BR acompanhou a queda do Ibovespa, refletindo o movimento negativo da bolsa brasileira no período. A pressão veio da combinação de juros futuros mais altos, dólar mais forte, menor fluxo estrangeiro e revisão mais cautelosa para Brasil por parte do JPMorgan. A queda também foi reforçada pelo recuo de ações de grande peso no índice, incluindo bancos, Petrobras e Vale.
FIND11 (IT Now IFNC Fundo de Indice): -4,03%
O FIND11-BR foi pressionado pelo desempenho negativo do setor financeiro. A piora da percepção sobre crédito, juros elevados por mais tempo e crescimento mais fraco afetou diretamente a leitura para bancos e instituições financeiras.
O JPMorgan destacou a deterioração do ciclo de crédito como um dos fatores para reduzir a recomendação para Brasil.
Além disso, os bancos apareceram entre os principais vetores de queda da bolsa em um pregão de forte aversão a risco local.
MATB11 (IT Now IMAT Fundo de Indice): -1,54%
O MATB11-BR teve queda mais moderada que o Ibovespa, refletindo um comportamento misto das empresas ligadas a materiais e commodities. A Vale pesou em parte do período com a queda do minério de ferro, enquanto siderúrgicas chegaram a registrar desempenho positivo em outro momento.
O resultado do ETF ficou menos negativo que o de outros segmentos domésticos porque parte das empresas de materiais tem exposição a commodities e receitas externas, o que ajuda a reduzir a sensibilidade direta ao ciclo doméstico brasileiro.
UTLL11 (Investo B3 Utilidade Publica): -7,32%
O UTLL11-BR teve o pior desempenho entre os ETFs analisados. O setor de utilidade pública foi penalizado por um ambiente de juros futuros pressionados, que tende a afetar ativos de maior duração e empresas reguladas com perfil intensivo em capital. A curva de DI mostrou taxas mais altas em diversos vencimentos ao fim do período.
Além disso, o tema de energia elétrica ganhou destaque na inflação: o item energia elétrica residencial subiu 3,09% e foi a maior contribuição individual para o IPCA, reforçando a atenção do mercado sobre tarifas e custos no setor.
CMDB11 (BTG Pactual Teva Acoes Commodities Brasil): -0,19%
O CMDB11-BR ficou praticamente estável, com desempenho superior ao dos demais ETFs de ações brasileiras da amostra. A exposição a commodities ajudou a amortecer parte da pressão negativa do mercado local. O petróleo deu suporte a Petrobras e a outras petroleiras em parte do período, enquanto a Vale perdeu força posteriormente com a queda do minério de ferro.
Esse equilíbrio entre petróleo mais forte em parte da semana e pressão sobre minério de ferro ajuda a explicar o retorno próximo da estabilidade.
BNKS11 (Investo Brasil Bancos B3): -4,28%
O BNKS11-BR teve desempenho negativo, em linha com a pressão sobre bancos e ações financeiras. O ETF foi afetado pela abertura dos juros futuros, pela piora da percepção de risco Brasil e pela leitura de deterioração do ciclo de crédito apontada pelo JPMorgan.
Como o setor bancário tem alta relevância para o mercado acionário brasileiro, a queda das instituições financeiras também contribuiu para a pressão mais ampla sobre o Ibovespa.
DOLX11 (Trend ETF S&P/B3 Dollar): +2,85%
O DOLX11-BR foi o destaque positivo da amostra. O desempenho refletiu a valorização do dólar frente ao real, em um ambiente de saída de capital estrangeiro, maior cautela com Brasil e reação dos investidores à ata do Copom, ao IPCA e à revisão de recomendação do JPMorgan. A alta do dólar compensou o movimento negativo observado nos ETFs de ações locais.
BCIC11 (B-Index Morningstar Setores Ciclicos Brasil): -3,99%
O BCIC11-BR foi pressionado pelo desempenho negativo das ações brasileiras de perfil mais cíclico. A alta dos juros futuros e a piora da percepção de risco local pesaram sobre empresas mais sensíveis ao ciclo doméstico. A curva de juros apresentou elevação em diversos vencimentos, enquanto o Ibovespa encerrou o período em queda.
O resultado ficou próximo ao comportamento dos ETFs ligados a bancos e ao mercado amplo, refletindo a mesma combinação de juros, câmbio e aversão a risco.
A queda dos ETFs de ações brasileiras foi explicada principalmente pela piora do ambiente doméstico: juros futuros pressionados, dólar mais forte, cautela do Banco Central, IPCA acima do esperado e revisão mais conservadora para Brasil por parte do JPMorgan. Os setores financeiro, bancos e utilidade pública foram os mais penalizados. Em sentido oposto, o DOLX11 avançou com a valorização do dólar, enquanto o CMDB11 mostrou maior resiliência relativa por sua exposição a commodities.
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