Os ETFs de tecnologia negociados na B3 encerraram a semana com perdas generalizadas. A maior pressão veio do exterior, onde preocupações fiscais, juros de longo prazo elevados e a valorização do petróleo reduziram o apetite por ações de crescimento. O Nasdaq Composite caiu 2,05% no período e interrompeu uma sequência de três semanas positivas, enquanto o setor de tecnologia da informação do S&P 500 perdeu 3,35%.
O rendimento dos títulos americanos de 30 anos atingiu o maior nível desde 2007. O movimento refletiu preocupações com a dívida pública, os custos de financiamento e a persistência da inflação. A elevação das taxas atingiu principalmente empresas cujas avaliações dependem de lucros projetados para horizontes mais longos, como companhias de tecnologia e inteligência artificial.
As tensões entre Estados Unidos e Irã também influenciaram os negócios. O petróleo Brent avançou 6,39% na semana, elevando os receios de pressão adicional sobre a inflação e, consequentemente, sobre os juros americanos.
O anúncio de que o Tesouro dos Estados Unidos ampliaria as recompras de títulos de longo prazo trouxe alívio temporário, mas não impediu a alta semanal dos rendimentos. O Nasdaq-100 terminou o período com queda próxima de 2%.
No câmbio, o índice DXY recuou aproximadamente 0,80% ao longo da semana. No Brasil, o dólar comercial terminou a sexta-feira em R$ 5,142, após cair 1% na sessão. A valorização do real no fechamento do período adicionou pressão aos ETFs internacionais, pois reduziu o valor, em reais, dos ativos negociados em moeda estrangeira.
Análise da semana (16 a 23 de agosto)
NASD11 (XP Asset): -3,53%
NASD11 acompanha o Nasdaq-100, índice formado pelas 100 maiores empresas não financeiras listadas na bolsa Nasdaq. O ETF mantém a maior parte do patrimônio no Invesco QQQ, cuja carteira possui exposição relevante a Nvidia, Apple, Microsoft, Broadcom, Amazon, Alphabet e Tesla.
A queda semanal refletiu a perda de aproximadamente 2% do Nasdaq-100 e a pressão adicional do câmbio sobre o retorno em reais. A alta dos rendimentos dos Treasuries reduziu a atratividade relativa das empresas de crescimento, enquanto o avanço do petróleo ampliou as preocupações com inflação e política monetária.
TECX11 (Bradesco Asset): -3,57%
TECX11 acompanha o índice ChiNext, formado pelas 100 maiores e mais líquidas ações do segmento de empresas inovadoras da Bolsa de Shenzhen. O índice reúne companhias de tecnologia, saúde, biotecnologia e outros setores de crescimento.
O ETF terminou a semana em queda mesmo após a recuperação observada no último pregão. Na sexta-feira, o ChiNext avançou 1,43%, apoiado por empresas ligadas a hardware de computação e servidores com refrigeração líquida. O movimento, contudo, não foi suficiente para reverter as perdas acumuladas pelo TECX11 nos pregões anteriores.
UTEC11 (XP Asset): -4,59%
UTEC11 oferece exposição ampla ao setor americano de tecnologia. Sua carteira indireta possui Nvidia, Apple e Microsoft como maiores posições, seguidas por Broadcom, Micron, AMD, Palantir e fabricantes de equipamentos para semicondutores.
A concentração nas grandes empresas de tecnologia tornou o ETF particularmente sensível à elevação dos juros longos. O setor de tecnologia da informação do S&P 500 caiu 3,35% na semana, a pior variação entre os segmentos mais ligados às ações de crescimento.
A exposição a semicondutores também pesou. Nvidia, Broadcom, Micron, AMD, Lam Research e Applied Materials aparecem entre as principais posições indiretas do fundo e participaram do movimento de venda que atingiu fabricantes de chips durante o período.
USTK11 (Investo): -4,80%
USTK11 replica no Brasil o Vanguard Information Technology ETF e investe em mais de 300 empresas americanas do setor. No fim de julho, Nvidia representava 17,15% da carteira, Apple tinha 16,24% e Microsoft, 10,96%. Os segmentos de semicondutores e equipamentos relacionados somavam mais de 40% da composição.
Essa estrutura ajuda a contextualizar a queda do ETF durante uma semana especialmente negativa para tecnologia e chips. Além da pressão exercida pelos juros longos, Nvidia terminou todos os pregões da semana em baixa, passando de US$ 225,01 na segunda-feira para US$ 214,72 na sexta-feira.
A queda da maior posição foi acompanhada por perdas em outras fabricantes de semicondutores e equipamentos. Como o fundo também possui exposição cambial, o enfraquecimento do dólar no encerramento da semana ampliou a pressão sobre o retorno calculado em reais.
QQQQ11 (Buena Vista): -5,03%
QQQQ11 acompanha o Nasdaq-100 High Beta Index, que seleciona o quartil de ações do Nasdaq-100 com os maiores betas. A metodologia concentra empresas mais sensíveis às oscilações do mercado, fazendo com que o fundo tenda a apresentar movimentos mais intensos em períodos de aumento da aversão ao risco.
Essa característica pesou em uma semana marcada pela alta dos juros longos e pela venda de ações de crescimento. O Nasdaq caiu 2,05% no período, enquanto investidores direcionaram parte dos recursos para áreas menos sensíveis às taxas, como saúde.
A exposição a ativos de maior beta ampliou a reação negativa à deterioração do ambiente para tecnologia. A variação cambial no final da semana também limitou o valor, em reais, das posições americanas.
CHIP11 (Investo): -6,01%
CHIP11 registrou a maior queda do grupo. O ETF replica o VanEck Semiconductor ETF e concentra sua carteira em fabricantes de chips e equipamentos relacionados. No fim de julho, Nvidia representava 22,03% do fundo, seguida por Taiwan Semiconductor, Broadcom, AMD, Micron, ASML, Applied Materials e Lam Research.
Na terça-feira, o índice de semicondutores da Filadélfia caiu 5%. Nvidia perdeu 2,3%, Micron recuou 7%, Sandisk caiu 9% e Western Digital cedeu 7,4%, em uma sessão marcada pela alta dos rendimentos dos Treasuries e pela saída de posições que haviam se valorizado com a expansão dos investimentos em inteligência artificial.
A pressão continuou nos pregões seguintes. Nvidia encerrou a semana com queda em todas as sessões, enquanto o mercado se preparava para a divulgação de seus resultados trimestrais. A elevada participação da companhia e a exposição integral do CHIP11 ao setor de semicondutores intensificaram o impacto da venda sobre o ETF.