+A -a
pt en
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -
  • -

ETF Connect amplia acesso entre os mercados do Brasil e da China

À esquerda, José Ometo (B3). Ao centro, Fujia Liu (ChinaAMC). À direita, Raymond Tam (E Fund)

 

O programa conecta a B3 às bolsas de Xangai e Shenzhen. Segundo José Ometo, da B3, o Brasil foi o primeiro país fora da Ásia a estabelecer esse tipo de conexão com o mercado chinês.

Atualmente, o programa inclui três ETFs de ações chinesas no Brasil: PKIN11, ligado ao CSI 300; TECX11, referenciado no ChiNext; e SILK11, que acompanha o MSCI China A50 Connect.

No sentido inverso, E Fund e China AMC lançaram ETFs locais que oferecem aos investidores chineses acesso ao Ibovespa. A estrutura permite que cada público invista no outro mercado dentro do próprio fuso horário, utilizando a moeda e a infraestrutura local.

ETFs chineses superam fundos ativos de ações

Fujia Liu afirmou que a indústria chinesa de ETFs levou entre cinco e seis anos para acelerar. O primeiro ponto de inflexão ocorreu em 2018, quando a queda do mercado levou os investidores a reconhecerem o ETF como instrumento tático e contracíclico. Em 2019, mudanças no sistema de registro favoreceram a ampliação da oferta para estratégias temáticas, smart beta e internacionais.

A participação institucional também teve papel relevante. Segundo Fujia, seguradoras, fundos de previdência e instituições ligadas ao chamado “National Team” passaram a utilizar ETFs, inclusive para reduzir a volatilidade do mercado. Em 2024, o patrimônio dos ETFs superou pela primeira vez o dos fundos ativos de ações na China.

Conexão oferece acesso recíproco

Fujia explicou que a estrutura regulatória avançou em 2024, quando a CVM e a CSRC assinaram um memorando de entendimento. Em maio de 2025, o Bradesco lançou o TECX11, que investe no ETF da China AMC ligado ao ChiNext, segmento da Bolsa de Shenzhen voltado a empresas de inovação.

fujia-liu-china-amc-bradesco-asset-etf-day-b3-2026

Em dezembro de 2025, a China AMC lançou na China um ETF referenciado no Ibovespa. Segundo Fujia, a oferta recebeu demanda equivalente a dez vezes o volume inicialmente disponível no primeiro dia, demonstrando o interesse dos investidores chineses por ativos internacionais.

Raymond acrescentou que a E Fund também lançou em Xangai um produto ligado ao Ibovespa, em parceria com o Itaú Asset. No Brasil, a parceria resultou no SILK11, que acompanha o MSCI China A50 e reúne 50 companhias chinesas de grande porte.

Tecnologia substitui o antigo motor imobiliário

Fujia avaliou que parte dos investidores ainda observa a China a partir de seu antigo modelo de crescimento, sustentado principalmente pelo mercado imobiliário e pelo consumo. Na visão apresentada pela executiva, os novos motores são inteligência artificial, manufatura de alta tecnologia e tecnologias verdes.

A executiva destacou que a cadeia chinesa de inteligência artificial inclui energia, equipamentos, infraestrutura, modelos de linguagem e aplicações. O BRIA11, lançado pelo Bradesco durante a B3 Week, investe parcialmente no CNQQ, ETF da China AMC listado nos Estados Unidos e formado por companhias tecnológicas chinesas negociadas nos mercados local e internacional.

Raymond ampliou a análise para baterias, saúde, automação industrial, robótica, drones e computação em nuvem. Para o representante da E Fund, investidores dos Estados Unidos, Canadá e América Latina ainda mantêm exposição reduzida à China, enquanto grande parte das carteiras globais permanece concentrada em tecnologia americana.

TECX11 e SILK11 entregam exposições distintas

Segundo Fujia, o TECX11 oferece acesso a uma cesta de 100 das maiores empresas inovadoras listadas na Bolsa de Shenzhen. O produto concentra a exposição em setores associados ao novo modelo de crescimento chinês.

O BRIA11 complementa essa exposição ao reunir companhias chinesas negociadas dentro e fora do país, com foco em tecnologia transformacional. Para Fujia, os dois produtos formam um conjunto de ferramentas voltado às empresas mais inovadoras da China.

Raymond explicou que o SILK11 possui uma composição mais diversificada. O índice combina tecnologia e serviços de informação com companhias de setores tradicionais, reunindo 50 grandes empresas chinesas. Essa estrutura procura equilibrar a participação em inovação com negócios estabelecidos e exportadores.

Relação comercial sustenta a aproximação financeira

Fujia destacou que a China é o maior parceiro comercial do Brasil e que o comércio bilateral alcança aproximadamente US$ 188 bilhões. Para a executiva, essa relação oferece uma base sólida para ampliar a conexão financeira entre os dois países.

raymond-e-fund-itau-asset-etf-day-b3-2026

Raymond afirmou que as economias apresentam características complementares. A China concentra capacidades em inteligência artificial, automação industrial, energia e produtos tecnológicos, enquanto o Brasil tem relevância em commodities e segurança alimentar.

O ETF Connect transforma parte dessa relação econômica em acesso recíproco ao mercado de capitais. Ao listar produtos nas infraestruturas locais, o programa reduz barreiras operacionais e permite que investidores brasileiros e chineses diversifiquem suas carteiras sem negociar diretamente na bolsa estrangeira.

Compartilhe nas redes