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Liquidez e demanda definem quais ideias podem se tornar ETFs

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À esquerda, Henio Scheidt (BN). Ao centro, Anderson Moreira (DEX). À direita, Brian Sweeney (Nasdaq)

 

O processo de criação de um ETF envolve diferentes participantes e começa antes do lançamento do fundo. No painel moderado por Henio Scheidt, da B3, Anderson Moreira explicou que os ETFs brasileiros precisam replicar índices, responsáveis por estabelecer a estratégia e as regras de inclusão e exclusão dos ativos.

Depois da definição do índice, a gestora busca acompanhar seu desempenho, enquanto o administrador responde pela comunicação com o mercado e com a bolsa. O formador de mercado também integra essa estrutura ao fornecer ofertas de compra e venda. Para Moreira, investidores e alocadores precisam compreender as responsabilidades de cada participante para avaliar melhor o funcionamento do produto.

Ideias precisam encontrar demanda

As ideias para novos índices podem surgir de gestoras, provedores de índices, assessores ou investidores. Brian Sweeney explicou que a Nasdaq conversa com participantes do mercado para identificar tendências e testar teses, enquanto a equipe de desenvolvimento também cria propostas internamente.

A existência de uma boa tese, entretanto, não garante o lançamento. Segundo Sweeney, o provedor precisa avaliar se o índice poderá sustentar um produto comercialmente viável. O ponto de convergência está entre a estratégia que a gestora pretende implementar e a exposição que o investidor deseja acessar.

O investidor final tem papel decisivo nesse processo, pois é a demanda que determina quais produtos conseguem permanecer no mercado. A inovação precisa combinar uma ideia clara, interesse comercial e uma estrutura que possa ser implementada na prática.

Inteligência artificial apoia dados e testes

Anderson Moreira afirmou que a inteligência artificial auxilia na coleta de dados e na realização de testes históricos. Essas ferramentas ajudam a avaliar como uma estratégia teria se comportado, mas não substituem a análise de viabilidade operacional.

Brian Sweeney acrescentou que o desenvolvimento começa pela delimitação precisa da tese. Um índice de inteligência artificial, por exemplo, precisa definir se incluirá data centers, desenvolvedores de software, provedores de nuvem ou uma combinação dessas atividades. Depois da seleção do universo, os testes verificam se a metodologia sustenta a exposição pretendida.

Para Sweeney, o índice também precisa apresentar uma metodologia transparente e compreensível. Embora o investidor veja apenas o produto final, sua construção envolve decisões sobre dados, liquidez, derivativos, seleção de empresas e equilíbrio entre os componentes.

Crédito privado enfrenta barreiras de liquidez

No Brasil, Anderson Moreira identificou o crédito privado como um dos principais desafios para a criação de novos índices. A liquidez limitada do mercado secundário dificulta tanto a formação da carteira quanto a atuação do formador de mercado.

 

Quando os ativos subjacentes não apresentam negociação suficiente, o formador encontra mais dificuldade para precificar, proteger e oferecer liquidez ao ETF. Por isso, uma tese pode ser relevante e atrair interesse, mas ainda assim não apresentar as condições necessárias para se transformar em um índice replicável.

Brian Sweeney disse que essa avaliação também faz parte do desenvolvimento de produtos nos Estados Unidos. Os testes precisam considerar a liquidez dos ativos e a existência de instrumentos derivativos quando forem necessários para operar ou proteger a estratégia.

ETFs incorporam novas estratégias

Ao discutir as tendências de inovação, Brian Sweeney apontou o crescimento da gestão ativa, das estratégias quantitativas e dos produtos voltados à geração de renda. Nos Estados Unidos, a procura por renda levou ao desenvolvimento de estruturas baseadas em opções sobre índices.

Inteligência artificial, energia limpa e recursos necessários ao funcionamento dos data centers, como água e eletricidade, também foram mencionados entre os temas acompanhados pelo mercado. Segundo Sweeney, a evolução começou com produtos de beta, avançou para investimentos temáticos e passou a incluir estratégias orientadas a resultados específicos.

No Brasil, Anderson Moreira citou energia limpa e inteligência artificial entre os temas com potencial para novos produtos. Ele também avaliou que a autorização dos ETFs ativos poderá abrir espaço para um número maior de estratégias e lançamentos no mercado local.

Entrada em índices pode ampliar liquidez e visibilidade

A inclusão de uma empresa em um índice pode acrescentar um novo grupo de compradores às suas ações. Anderson Moreira explicou que os fundos vinculados ao índice passam a negociar o ativo, o que pode aumentar sua liquidez.

A entrada também associa a companhia aos critérios estabelecidos pela metodologia. Em um índice temático, por exemplo, a presença da empresa indica que ela atendeu às regras definidas para representar aquela atividade ou tendência, contribuindo para sua visibilidade.

Brian Sweeney acrescentou que índices utilizados como referência por grandes investidores institucionais ampliam a exposição das companhias participantes. A empresa passa a integrar um grupo acompanhado por produtos e carteiras vinculados ao benchmark.

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ETF deve ser entendido como veículo

Na conclusão do painel, Anderson Moreira afirmou que o ETF deve ser compreendido como um veículo, e não como uma estratégia única. A estrutura pode acomodar diferentes índices, classes de ativos e teses, desde que seja possível construir uma metodologia investível e replicável.

Para ele, educação e conteúdo continuam necessários para ampliar essa compreensão. A evolução do público presente no ETF Day, que passou de algumas dezenas de participantes nas primeiras edições para centenas de interessados, foi apresentada como um sinal do crescimento do mercado.

Brian Sweeney também destacou o avanço do patrimônio da indústria brasileira. A continuidade dessa expansão dependerá da capacidade de transformar demandas reais em índices transparentes, viáveis e compatíveis com a liquidez dos ativos.

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