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Boi gordo e prata lideram ETFs de commodities na semana

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Créditos: iStock

 

A semana de 13 a 19 de setembro apresentou forte dispersão entre commodities físicas, contratos agropecuários e ações de empresas produtoras de recursos naturais. O BBOI11 avançou 3,47%, enquanto o CMDB11 caiu 3,20%, uma diferença de 6,67 pontos percentuais entre os extremos da análise.

O movimento mais consistente ocorreu nos metais preciosos. A prata acumulou alta semanal próxima de 3%, enquanto o ouro avançou de forma mais moderada. No mesmo período, a valorização do dólar contribuiu para os produtos internacionais negociados em reais.

O mercado de energia começou a semana sob influência dos riscos de oferta no Oriente Médio, mas perdeu força posteriormente. O Brent encerrou o período em queda, enquanto o petróleo WTI registrou perda mais acentuada.

Nas commodities agrícolas internacionais, o milho também terminou a semana no campo negativo. No Brasil, porém, os contratos de boi gordo e milho negociados na B3 responderam a condições específicas do mercado doméstico.

BBOI11 (BB Asset): +3,47%

O BBOI11 liderou a análise com alta de 3,47%. O ETF acompanha o índice de futuros de boi gordo da B3 e, portanto, responde à dinâmica dos contratos locais da commodity, não ao mercado americano de gado.

O mercado físico brasileiro avançou ao longo da semana. O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq saiu de R$ 349,50 por arroba em 14 de setembro para R$ 352,90 em 18 de setembro. A cotação também acumulava alta no mês.

A oferta controlada de animais e a manutenção da demanda sustentaram os preços, mesmo com maior cautela dos compradores. Em São Paulo, as referências para o boi gordo e o chamado “boi China” também avançaram na comparação semanal.

Os contratos futuros apresentaram valorização em parte da curva. O vencimento de outubro encerrou 18 de setembro a R$ 380 por arroba, enquanto o contrato de dezembro fechou a R$ 386,40. A perspectiva de preços superiores aos do mercado físico ajudou a sustentar o ETF.

PRAF11 (Galapagos Capital): +3,29%

O PRAF11 avançou 3,29%, ficando na segunda posição. O fundo acompanha o preço internacional da prata física por meio do abrdn Physical Silver Shares ETF, lastreado em barras individualmente alocadas em cofres em Londres.

A prata ganhou aproximadamente 3% na semana, desempenho superior ao do ouro. O metal encerrou o período próximo de US$ 67 por onça, após apresentar uma recuperação consistente no fim da semana.

A exposição física permitiu que o PRAF11 acompanhasse diretamente a valorização internacional da prata. O fortalecimento da moeda americana diante do real também favoreceu a conversão do ativo subjacente para a cota negociada na B3.

SLVR11 (XP Asset): +3,18%

O SLVR11 subiu 3,18%, resultado próximo ao do PRAF11. Os dois fundos oferecem exposição à prata, mas utilizam estruturas distintas para acompanhar o metal.

O SLVR11 acompanha uma referência ligada ao preço da prata da London Bullion Market Association, enquanto o PRAF11 investe em um ETF lastreado em prata física. A diferença de 0,11 ponto percentual entre os retornos pode refletir metodologia, custos, horários de formação de preços e liquidez das cotas.

Apesar da pressão inicial causada pelos juros americanos elevados, a prata recuperou terreno durante a semana. Além de funcionar como metal precioso, a prata mantém demanda industrial, característica que pode aumentar sua volatilidade em relação ao ouro.

OROF11 (Galapagos Capital): +1,10%

O OROF11 avançou 1,10%. O ETF acompanha o preço internacional do ouro físico por meio do abrdn Physical Gold Shares ETF, lastreado em barras individualmente alocadas em cofres em Londres.

O ouro começou a semana sob pressão. Na segunda-feira, o contrato para dezembro encerrou a US$ 4.323,30 por onça, com queda de US$ 85,60, em um ambiente de aumento das expectativas de juros e rendimentos elevados dos títulos americanos.

O metal recuperou parte das perdas posteriormente e terminou a semana no campo positivo. A exposição cambial acrescentou retorno ao produto negociado em reais, ajudando o OROF11 a superar a valorização internacional do ouro.

GOLD11 (XP Asset): +0,99%

O GOLD11 ganhou 0,99%, acompanhando a recuperação do ouro e a valorização do dólar. O fundo oferece exposição internacional ao metal e mantém o componente cambial na cota negociada em reais.

O ouro foi puxado por duas forças opostas. A incerteza geopolítica e fiscal ofereceu suporte à procura por proteção, enquanto os juros americanos elevados aumentaram o custo de oportunidade de manter um ativo sem rendimento periódico.

A recuperação do metal no fim da semana e o fortalecimento do dólar compensaram a queda inicial. Ainda assim, o avanço ficou abaixo dos retornos observados nos dois ETFs de prata.

OURO11 (Bradesco Asset): +0,81%

O OURO11 avançou 0,81%. Diferentemente dos fundos lastreados em ETFs de ouro físico no exterior, o produto acompanha o Índice Futuro de Ouro B3 e mantém uma carteira de instrumentos locais.

A diferença estrutural ajuda a explicar por que o retorno ficou abaixo dos resultados de OROF11 e GOLD11. O OURO11 respondeu à dinâmica dos contratos futuros negociados no Brasil, aos juros locais e à formação de preços durante o horário da B3.

Os três produtos seguiram a mesma direção, mas encerraram com resultados diferentes: 1,10% para OROF11, 0,99% para GOLD11 e 0,81% para OURO11.

DOLB11 (BTG Pactual): +0,42%

O DOLB11 subiu 0,42%, refletindo a valorização da moeda americana frente ao real. O resultado reforçou a contribuição cambial para os ETFs internacionais de metais preciosos.

O dólar foi sustentado pelas expectativas de juros mais altos nos Estados Unidos, pela cautela global e pela redução do diferencial de taxas entre Brasil e Estados Unidos. A moeda americana também funcionou como proteção diante das incertezas políticas e fiscais no mercado brasileiro.

A alta ajuda a explicar por que os ETFs de ouro e prata negociados em reais superaram, em alguns casos, as variações semanais dos metais no mercado internacional.

CORN11 (BB Asset): +0,40%

O CORN11 avançou 0,40%. O fundo acompanha o Índice Futuro de Milho B3 e, por isso, seu desempenho não precisa reproduzir a variação dos contratos negociados em Chicago.

O milho internacional encerrou a semana em leve queda. No mercado brasileiro, os preços responderam à oferta doméstica, às expectativas para a safra, às exportações, ao câmbio e à curva local de contratos futuros.

Na primeira metade de setembro, o preço do milho no Brasil havia acumulado queda em relação ao fim de agosto. Ao mesmo tempo, as projeções para os estoques mundiais da safra 2026/2027 foram revisadas para baixo, movimento que ofereceu algum suporte às expectativas do mercado.

PIPE11 (Buena Vista): -0,56%

O PIPE11 recuou 0,56%. O fundo oferece exposição a empresas de infraestrutura de energia e utiliza uma estratégia de geração de renda, diferenciando-se de uma posição direta no preço do petróleo.

O petróleo começou a semana sustentado pelos riscos de oferta no Oriente Médio e pelas interrupções em rotas e instalações de energia. O ambiente elevou as preocupações com os custos de energia, frete e logística.

A commodity, contudo, perdeu força durante o período. O Brent encerrou a semana em queda, enquanto o WTI registrou uma perda mais intensa. O desempenho negativo do petróleo e a pressão dos juros sobre ativos de renda contribuíram para a queda do ETF.

RARA11 (Investo): -1,91%

O RARA11 caiu 1,91%. O fundo dá exposição ao REMX, que investe em empresas globais ligadas à produção, ao refino e à reciclagem de terras raras, lítio, tungstênio, molibdênio e outros metais estratégicos.

A carteira subjacente tinha 36 ações e concentrava 61,78% do patrimônio nas dez maiores posições. Entre os principais nomes estavam Albemarle, com 7,61%, PLS Group, com 7,29%, MP Materials, com 6,75%, China Northern Rare Earth, com 6,73%, Lynas Rare Earths, com 6,55%, e SQM, com 6,26%. Essa composição deixou o ETF exposto não apenas a terras raras, mas também ao ciclo do lítio e aos mercados acionários da China, Austrália, Estados Unidos e Chile.

No encerramento da semana, posições relevantes ficaram sob pressão: Albemarle caiu 3,62%, MP Materials recuou 4,21% e SQM perdeu 5,63% na sexta-feira. Como esses três ativos representavam cerca de um quinto da carteira, as perdas limitaram o desempenho do fundo mesmo com a alta de 12,61% da brasileira Sigma Lithium, cuja participação era de apenas 1,18%. A queda do RARA11 veio principalmente da fraqueza das maiores mineradoras de lítio e terras raras da carteira, e não de uma exposição direta ao preço físico de um único metal.

CMDB11 (BTG Pactual): -3,20%

O CMDB11 apresentou a maior queda da análise, com recuo de 3,20%. O ETF acompanha empresas brasileiras produtoras de alimentos, carnes, papel e celulose, mineração, metalurgia, açúcar, etanol, petróleo e produtos agrícolas.

Entre as principais posições estavam Vale, PRIO, as duas classes de Petrobras, Gerdau, Suzano, Klabin, MBRF, CSN Mineração e Metalúrgica Gerdau.

A carteira apresentava forte concentração em materiais básicos e energia. Materiais básicos representavam aproximadamente 51% do portfólio, enquanto energia respondia por cerca de 37%. Juntos, os dois blocos concentravam aproximadamente 88,5% do fundo.

A semana foi desfavorável para mineração, siderurgia e parte do setor de petróleo no Brasil. A pressão ocorreu justamente nos segmentos dominantes do portfólio, levando o CMDB11 a um resultado inferior ao dos ETFs que acompanhavam diretamente commodities físicas.

 


Dados exclusivos do DEX PRO. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos.
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