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Ouro e prata caem apesar da tensão no Oriente Médio; juros reais e dólar pesam sobre ETFs

etfs-ouro-prata-caem-juros-dolar-28-setembro-2026

Créditos: iStock

A tensão entre Estados Unidos e Irã voltou ao centro do mercado na segunda-feira, 28 de setembro. O impasse nas negociações sobre o Estreito de Ormuz manteve o petróleo elevado e reacendeu o receio de que a energia mais cara prolongue a inflação. Para os metais preciosos, o efeito dominante foi a resposta dos juros: a taxa nominal do Treasury americano de dez anos passou de 5,17% na sexta-feira para 5,24% na segunda, enquanto a taxa real de dez anos subiu de 2,83% para 2,90%.

Esse aumento da remuneração real dos títulos públicos pesa sobre ativos que não pagam juros. Somou-se a ele o fortalecimento do dólar no mercado internacional. O resultado foi uma venda ampla de metais: os futuros de ouro perderam aproximadamente US$ 150 por onça e fecharam perto de US$ 4.130, enquanto a prata também sofreu uma queda intensa. O choque geopolítico, que em outras ocasiões sustenta o ouro, chegou ao mercado desta vez principalmente pelo canal de petróleo, inflação e juros.

No Brasil, houve uma força em sentido contrário. O dólar comercial subiu 0,85% ante o real, o que elevou em reais o valor de posições internacionais denominadas na moeda americana. Essa proteção cambial, contudo, foi menor que a desvalorização dos metais. GOLD11 caiu 3,17%, OURO11 perdeu 3,96%, SLVR11 recuou 4,69% e PRAF11 cedeu 4,46%.

GOLD11 (XP Asset): -3,17%

A principal exposição do GOLD11 é o iShares Gold Trust, IAU, veículo americano lastreado em ouro físico e ligado ao preço de referência do metal em Londres. A carteira do ETF brasileiro, portanto, não depende do desempenho de mineradoras: seu motor é o valor do ouro mantido pelo fundo internacional, convertido para reais.

O IAU recuou cerca de 3,9% em dólares na segunda-feira. A alta de 0,85% do dólar contra o real absorveu parte desse movimento. A combinação aproximada das duas variações aponta para uma perda pouco superior a 3% em reais.

A pressão sobre o metal veio de dois lados relacionados. O petróleo mais caro reforçou as expectativas de inflação e de juros americanos restritivos; ao mesmo tempo, a alta de sete pontos-base na taxa real do Treasury de dez anos aumentou o retorno disponível em títulos protegidos da inflação.

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OURO11 (Bradesco Asset): -3,96%

O OURO11 percorre outro caminho para chegar ao metal. Seu índice, o IFGold B3, combina uma posição no contrato futuro de ouro de primeiro vencimento da B3, com rolagem mensal, e uma parcela de caixa remunerada por DI ou Selic. O principal motor diário é a marcação desse contrato, negociado em reais, e não a cota de um fundo estrangeiro lastreado em barras de ouro.

A queda internacional do ouro atingiu diretamente os futuros locais. A valorização do dólar entrou na formação do preço em reais do metal, mas o contrato ainda terminou sob forte pressão. A remuneração diária do caixa foi pequena diante da desvalorização da posição em ouro, e o OURO11 fechou em -3,96%.

PRAF11 (Galapagos): -4,46%

O PRAF11  investe no SIVR, lastreado em barras de prata física alocadas em Londres. A prata compartilhou com o ouro a pressão dos juros reais e do dólar, com uma dimensão adicional na sua formação de preço: ela também é insumo industrial. Isso a expõe às expectativas para manufatura, eletrificação e atividade econômica. A demanda industrial ajuda a entender a natureza do ativo, mas o movimento de segunda-feira foi marcado sobretudo pela reprecificação financeira que atingiu os metais.

Na segunda-feira, o SIVR perdeu cerca de 5,5% em dólares. Ao converter esse movimento pela alta de 0,85% do dólar frente ao real, a queda indicativa fica perto de 4,7% em reais.

Com o SIVR em queda, a valorização da moeda americana diante do real reduziu a perda observada na B3 e o PRAF11 encerrou o pregão em -4,46%.

 


Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento.

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