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Altcoins lideram recuperação de cripto, e Hashdex destaca avanço regulatório nos EUA

A recuperação recente do mercado de criptoativos ganhou amplitude. O movimento deixou de ficar concentrado no Bitcoin e alcançou Solana, Ethereum, XRP, protocolos de finanças descentralizadas, plataformas de contratos inteligentes e ativos ligados ao metaverso.

Os ETFs da Hashdex refletem essa rotação. Na janela mensal, os nove produtos do recorte acumulam retornos positivos, entre 16,44% e 37,27%. SOLH11 lidera, seguido por META11, WEB311, DEFI11 e ETHE11. HASH11 e BITH11 também avançam mais de 20%.

Renato Campos, responsável pelo mercado institucional brasileiro na Hashdex, avalia que o setor entrou em uma fase de recuperação depois de um período mais fraco desde as máximas registradas em outubro do ano anterior. O desempenho do HASH11 acima do Bitcoin aparece como uma das evidências de que o movimento passou a envolver uma parcela maior do mercado.

“Cripto está vivo e muito bem, obrigado.”

Renato Campos, Hashdex

Altcoins lideram os retornos mensais

Os ETFs mais concentrados em altcoins e aplicações de blockchain ocupam as primeiras posições do ranking mensal da Hashdex.

Posição ETF Estratégia Retorno mensal
1 SOLH11 Solana +37,27%
2 META11 Metaverso +33,60%
3 WEB311 Contratos inteligentes +30,15%
4 DEFI11 Finanças descentralizadas +29,94%
5 ETHE11 Ethereum +29,34%
6 XRPH11 XRP +26,63%
7 HASH11 Cesta diversificada +24,04%
8 BITH11 Bitcoin +23,01%
9 FOMO11 Momentum cripto +16,44%

 

A liderança do SOLH11 mostra a força da Solana no período. META11, WEB311 e DEFI11 também superaram 29%, indicando que a valorização alcançou diferentes teses do ecossistema, como metaverso, redes de contratos inteligentes e finanças descentralizadas.

O BITH11, concentrado em Bitcoin, avançou 23,01%. O HASH11 ganhou 24,04%, superando o produto monoativo em 1,03 ponto percentual e capturando a contribuição de outros componentes do mercado.

Ativos mais comprimidos ampliaram a recuperação

Campos aponta o tamanho da correção anterior como um dos fatores por trás da liderança das altcoins. Os ativos além do Bitcoin haviam acumulado perdas mais intensas e, por isso, partiram de níveis mais comprimidos quando a demanda retornou.

Esse comportamento aparece nos retornos mensais. Solana, metaverso, contratos inteligentes, DeFi, Ethereum e XRP superaram o Bitcoin na janela analisada. A diferença evidencia uma recuperação mais forte entre ativos que apresentam maior volatilidade e sensibilidade às mudanças no apetite por risco.

A rotação também fortaleceu as carteiras diversificadas. O HASH11 combina Bitcoin com outros criptoativos e, por isso, participou tanto da valorização da principal criptomoeda quanto dos ganhos mais intensos registrados em outras redes e aplicações.

Agenda regulatória favorece o mercado além do Bitcoin

O avanço regulatório nos Estados Unidos forma o segundo pilar da recuperação destacado por Campos. A agenda da Securities and Exchange Commission, SEC, e da Commodity Futures Trading Commission, CFTC, cria condições para ampliar o uso institucional da tecnologia e dos ativos digitais.

O Bitcoin já possui uma estrutura regulatória mais consolidada no mercado americano. A SEC reconhece o ativo como commodity digital, a CFTC exerce papel regulador e os ETFs à vista de Bitcoin operam nos Estados Unidos desde 2024. A presença de investidores de longo prazo também tornou o acesso institucional ao ativo mais estabelecido.

Os avanços mais recentes têm impacto maior sobre o restante do ecossistema. Regras que ampliem a capacidade de bancos e instituições financeiras utilizarem criptoativos e infraestrutura de blockchain beneficiam redes programáveis, protocolos financeiros e outros projetos que vão além da função monetária do Bitcoin.

HASH11 amplia diversificação com Hyperliquid

O HASH11 replica o Nasdaq Crypto Index e passa por revisões trimestrais conduzidas pela Nasdaq e pela CF Benchmarks. Esses processos definem a entrada e a saída de componentes conforme os critérios de elegibilidade do índice.

A revisão de setembro inclui a Hyperliquid, ampliando a diversificação da carteira. Nas semanas anteriores à entrevista, XRP havia se destacado. Em seguida, Solana assumiu a liderança, impulsionando o SOLH11. Essa alternância favorece uma estratégia diversificada como o HASH11.

O índice permanece ponderado por valor de mercado. Por essa regra, o Bitcoin continua com maior participação, enquanto outros criptoativos ganham espaço conforme aumentam seu valor de mercado e sua relevância dentro do setor.

A estrutura combina uma posição central em Bitcoin com exposições complementares às principais redes e aplicações do ecossistema. Na janela mensal, essa diversificação permitiu ao HASH11 superar ligeiramente o retorno do BITH11.

HASH11 e FOMO11 seguem lógicas diferentes

Embora HASH11 e FOMO11 possuam números de componentes relativamente próximos, os dois ETFs organizam suas carteiras de maneiras distintas.

O HASH11 utiliza ponderação por valor de mercado. Ativos maiores recebem pesos superiores, o que preserva o Bitcoin como principal componente enquanto as demais criptomoedas ainda possuem menor capitalização.

O FOMO11 trabalha com uma carteira de 12 ativos e redistribui os pesos mensalmente. A metodologia dá maior ênfase aos componentes com melhor momentum, ou seja, aos ativos que apresentam desempenho recente mais forte.

A estratégia também incorpora um filtro de volatilidade. A seleção considera a relação entre retorno e oscilação, acrescentando uma dimensão de risco ao sinal de momentum. Campos define o FOMO11 como uma estratégia de smart beta aplicada ao mercado de criptoativos.

“É basicamente dar ênfase nos ativos que estão indo melhor. Só que tem um filtro de volatilidade também.”

FOMO11 oferece exposição dinâmica ao mercado

A carteira mensalmente reponderada torna o FOMO11 mais dinâmico do que um índice baseado apenas em capitalização de mercado. Os pesos podem mudar de forma relevante de um mês para o outro conforme os sinais de momentum e volatilidade.

Essa característica permite aumentar a participação nos ativos que apresentam tendências mais fortes, mas também produz riscos próprios. O momentum responde a movimentos já estabelecidos e pode sofrer em reversões rápidas, quando os líderes recentes passam a registrar desempenho inferior.

O retorno mensal de 16,44% ficou abaixo dos demais ETFs da Hashdex no recorte. O resultado depende dos pesos definidos no rebalanceamento anterior e da relação entre desempenho e volatilidade dos 12 ativos selecionados.

A diferença em relação ao HASH11 está no método. O HASH11 representa o mercado elegível com pesos associados ao tamanho de cada ativo. O FOMO11 procura capturar tendências por meio de uma reponderação sistemática.

Fundamentos e preços voltam a convergir

Campos avalia que os fundamentos do setor continuaram avançando durante o período de queda dos preços. A evolução regulatória, a ampliação do acesso institucional e o desenvolvimento de novos projetos criaram uma distância entre os fundamentos e as avaliações de mercado. A recuperação recente começa a reduzir essa diferença.

O executivo aponta a região próxima de US$ 60 mil como uma possível zona de fundo para o Bitcoin. O ativo se aproximou desse nível no primeiro e no segundo trimestres e reagiu nas duas ocasiões. Essa avaliação representa a visão apresentada na entrevista, e não uma confirmação de que o ciclo de baixa terminou.

A análise permanece acompanhada de cautela. Os ciclos históricos ainda indicavam a possibilidade de manutenção do ambiente de baixa até outubro, e Campos ressaltou a importância de manter disciplina, estratégia e rebalanceamento periódico.

A combinação entre recuperação dos preços e melhora estrutural sustenta uma visão mais construtiva para a classe. Ao mesmo tempo, a volatilidade permanece elevada, especialmente nos ativos que lideraram os retornos mensais.

Recuperação vai além do Bitcoin

Os retornos mensais confirmam que a valorização recente não ficou restrita ao Bitcoin. O BITH11 avançou 23,01%, mas sete dos oito ETFs comparáveis da Hashdex registraram ganhos superiores. Apenas o FOMO11, com metodologia própria de reponderação, ficou abaixo.

A liderança de SOLH11, META11, WEB311 e DEFI11 mostra uma rotação para redes e aplicações com maior sensibilidade ao crescimento do ecossistema. ETHE11 e XRPH11 também superaram o Bitcoin, reforçando a ampliação do movimento.

O HASH11 transformou essa dispersão em diversificação. A carteira ganhou com o Bitcoin e, simultaneamente, capturou parte da valorização dos ativos que lideraram o mês. A entrada da Hyperliquid amplia esse universo a partir da revisão de setembro.

A recuperação recente combina três fatores: preços anteriormente comprimidos nas altcoins, avanço da agenda regulatória americana e fortalecimento dos fundamentos do setor. Na visão de Campos, o movimento pode representar o começo de uma recuperação mais longa, embora a disciplina de alocação e o rebalanceamento continuem centrais diante da volatilidade.

 


A entrevista completa com Renato Campos você consegue acompanhar na íntegra no vídeo abaixo ou no nosso canal do YouTube.

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