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A abertura da curva de juros brasileira atingiu de forma desigual os ETFs de títulos indexados ao IPCA na quinta-feira. O PACB11 caiu 0,96%, enquanto PACC11 avançou 0,04% e B5MB11 ganhou 0,12% no mercado. A distância entre os retornos foi produzida principalmente pela duration e pela concentração dos vencimentos em cada carteira.
Na sessão, o DI para janeiro de 2028 subiu apenas 1 ponto-base, para 13,565%, enquanto o contrato para janeiro de 2035 avançou 13 pontos-base, para 14,11%. A inclinação da curva aumentou porque o mercado incorporou a alta do petróleo, a valorização do dólar, preocupações fiscais e menor apetite por risco de longo prazo.
O Brent ganhou 4,37% e o WTI subiu 2,71%, movimentos que elevaram o prêmio de inflação e ajudaram a pressionar os vértices mais distantes.
O efeito apareceu também nos índices de títulos públicos. O IMA-B, que reúne NTN-Bs de diferentes vencimentos, caiu 0,13% em 1º de outubro. O IMA-B 5, concentrado em papéis com prazo de até cinco anos, ficou estável.
PACB11 (BTG Asset): -0,96%
O PACB11 caiu 0,96%, para R$ 11,31, a maior perda entre os três ETFs analisados. O fundo replica o ITBR IPCA Ultra Longo CE, índice composto pelas três NTN-Bs de maior duration que atendem ao critério de liquidez. A metodologia atribui 20% ao papel de menor duration do conjunto, 60% ao vencimento intermediário e 20% ao título de maior duration.
Na carteira atual, essa construção direciona a exposição para NTN-Bs com vencimentos em 2050, 2055 e 2060. Como os preços dos títulos variam em sentido inverso às taxas, a alta dos juros longos gera uma queda mais intensa nos papéis de duration elevada. Uma abertura de 13 pontos-base no DI 2035, somada ao aumento do prêmio real nos vencimentos longos, produz impacto muito maior em uma NTN-B 2055 ou 2060 do que em um título com vencimento próximo.
O índice também usa convexidade para distribuir os pesos, o que aumenta a sensibilidade quando as taxas se movem. No pregão, a característica que favorece o fundo em ciclos de fechamento da curva trabalhou no sentido oposto: a combinação de duration extrema e concentração em três títulos transformou a abertura dos juros em perda próxima de 1% na cota a mercado.

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PACC11 (BTG Asset): +0,04%
O PACC11 encerrou praticamente estável, com alta de 0,04%, para R$ 123,88. O fundo replica o IMA-B 5 P2, formado por NTN-Bs com prazo de até cinco anos e limites de concentração por vencimento. Na carteira válida entre 16 de setembro e 15 de outubro, os maiores pesos estavam nas NTN-Bs de agosto de 2028, com 33,11%, agosto de 2030, com 31,76%, maio de 2027, com 19,71%, e maio de 2029, com 12,13%.
Esses quatro títulos somavam 96,71% do índice. A duration muito inferior à do PACB11 reduziu o impacto da abertura da ponta longa. Além disso, o IMA-B 5 ficou estável no dia, coerente com a variação de apenas 1 ponto-base do DI 2028. O carrego diário dos títulos indexados ao IPCA ajudou a compensar pequenas oscilações de preço, preservando a cota do PACC11 próxima do zero.
B5MB11 (Bradesco Asset): +0,12%
O B5MB11 avançou 0,12%, para R$ 136,50. O ETF acompanha o IMA-B 5+, que reúne NTN-Bs com prazo superior a cinco anos. A carteira é mais sensível aos juros que a do PACC11, mas distribui o risco entre diversos vencimentos, ao contrário do PACB11, concentrado nas três NTN-Bs mais longas.
A diversificação reduz a dependência de um único ponto da curva. O principal vencimento da carteira recente era a NTN-B de maio de 2035, com peso próximo de 20,7%, acompanhado por papéis de 2033, 2040, 2045, 2050, 2055 e 2060. Ainda assim, a alta da cota a mercado não apaga a pressão econômica sobre as NTN-Bs longas: o fechamento positivo ocorreu com giro de 3,7 mil cotas e refletiu o preço efetivamente negociado na B3. A carteira de referência permaneceu exposta à abertura de taxas, mas de forma menos concentrada que o PACB11.
Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento.