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Da crise asiática à pandemia: os episódios que levaram a bolsa brasileira ao circuit breaker

Créditos: iStock

O acionamento do circuit breaker em 26 de outubro de 2026 recolocou em evidência um mecanismo utilizado no Brasil desde 1997. Antes desta segunda-feira, a última sequência de interrupções havia ocorrido em março de 2020, durante a pandemia, quando a bolsa registrou seis acionamentos em cinco pregões.

O histórico reúne eventos de natureza muito diferente: crises em mercados emergentes, mudança do regime cambial brasileiro, colapso do crédito internacional e choques políticos e sanitários. O elemento comum foi a velocidade da revisão dos preços, com uma concentração de ordens de venda capaz de levar o Ibovespa aos gatilhos de interrupção.

Período Episódio Principal canal de transmissão
1997 Crise asiática Retirada de capital e aumento da aversão ao risco em emergentes
1998 Crise russa Risco de crédito soberano e redução da exposição a emergentes
Janeiro de 1999 Crise cambial brasileira Reavaliação do câmbio, juros e balanços empresariais
2008 Crise financeira global Restrição de crédito, liquidez e revisão da atividade econômica
18 de maio de 2017 Joesley Day Incerteza política e revisão das expectativas sobre a agenda econômica
Março de 2020 Pandemia de Covid-19 Choque de atividade, liquidez e incerteza sobre receitas empresariais
26 de outubro de 2026 Reação ao segundo turno Reprecificação simultânea de ações, câmbio e juros

1997 e 1998: crises externas chegaram à bolsa brasileira

O primeiro acionamento ocorreu em 28 de outubro de 1997, durante a crise asiática. A pressão sobre moedas, bolsas e economias da região elevou a aversão ao risco e se espalhou pelos mercados emergentes. Investidores reduziram posições em diferentes países, incluindo o Brasil, em busca de liquidez e menor exposição ao risco.

No ano seguinte, a crise russa voltou a interromper as negociações brasileiras. O problema de crédito soberano e a desvalorização do rublo ampliaram a retirada de recursos dos emergentes. O canal não dependia apenas dos vínculos comerciais entre Brasil e Rússia: a mudança na disposição dos investidores para manter risco atingiu simultaneamente diferentes mercados.

Os dois episódios mostram uma característica recorrente das crises financeiras. Em períodos de estresse, ativos de países e setores diferentes podem cair juntos porque os investidores precisam reduzir risco ou levantar caixa, mesmo quando os fundamentos empresariais não mudam na mesma proporção.

1999: a mudança cambial alterou a leitura das empresas

Em janeiro de 1999, a crise do regime cambial brasileiro provocou novos acionamentos. A transição das bandas cambiais para o câmbio flutuante exigiu uma revisão da relação entre moeda, inflação e juros. Empresas com dívidas em dólares e receitas em reais passaram a enfrentar um risco diferente do das exportadoras com receitas em moeda estrangeira.

Essa distinção é relevante também para os ETFs. Uma mudança cambial não produz o mesmo efeito em todas as carteiras: pode ampliar receitas de exportação convertidas em reais, encarecer insumos importados ou aumentar o valor da dívida em moeda estrangeira. A composição empresarial determina como o choque entra na geração de caixa e nos preços.

2008: o crédito global tornou-se o centro da crise

A crise financeira internacional provocou seis interrupções em menos de um mês na bolsa brasileira. A quebra do Lehman Brothers, em setembro, intensificou a desconfiança entre instituições e a restrição de financiamento. O problema alcançou o mercado acionário pela menor disponibilidade de crédito, pela venda de ativos e pela revisão das perspectivas de crescimento mundial.

Para as companhias, o impacto envolveu refinanciamento de dívidas, capital de giro e demanda pelos produtos. Para os investidores, houve uma procura simultânea por liquidez e redução da exposição a risco. A pressão atingiu o preço dos ativos mesmo antes de aparecer integralmente nos balanços das empresas.

 

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2017: o Joesley Day mostrou o peso da mudança de expectativas

No dia 18 de maio de 2017, a divulgação de gravações e delações envolvendo o grupo J&F e o então presidente Michel Temer provocou uma revisão abrupta do risco político. Os investidores passaram a reavaliar a estabilidade do governo e a capacidade de avanço da agenda de reformas. A queda intradiária levou à interrupção das negociações.

O Ibovespa terminou aquela sessão em baixa de aproximadamente 8,8%, uma perda menor que o gatilho de 10%.

2020: seis acionamentos em cinco pregões

Na pandemia, o mecanismo foi utilizado em 9, 11, 12, 16 e 18 de março, com duas interrupções no dia 12. A combinação entre restrições à atividade, incerteza sobre receitas e procura por liquidez provocou sucessivas mudanças nos preços de ações e outros ativos.

O choque atingiu as empresas por canais muito diferentes. Turismo, transportes e atividades presenciais sofreram com a queda da demanda; outros negócios enfrentaram interrupções nas cadeias de produção e dificuldade de estimar a duração das restrições.

 


Conteúdo informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento. Episódios históricos não representam garantia de repetição de trajetórias ou retornos.

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