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Milho, boi, metais e energia: por que os ETFs de commodities seguiram direções diferentes

etfs-commodities-milho-boi-ouro-prata-energia-30-setembro-2026

Créditos: iStock

Os ETFs associados a commodities encerraram setembro sem uma direção comum. Em 30 de setembro, CORN11 caiu 5,11% e BBOI11 subiu 1,24%. Entre os fundos acompanhados na Watchlist de Commodities, as perdas chegaram a 2,43% em PRAF11 e 2,37% em SLVR11, enquanto CMDB11 ficou próximo da estabilidade, com −0,06%.

A diferença começa no que cada carteira possui. CORN11 e BBOI11 acompanham contratos futuros agropecuários; ouro e prata podem chegar ao investidor por estruturas com exposições cambiais distintas; OLEO11 reúne empresas de serviços para produtores de petróleo; PIPE11 investe em infraestrutura de energia; CMDB11 possui ações de produtoras brasileiras. O dólar também entrou na conta: a PTAX de venda passou de R$ 5,2204, em 29 de setembro, para R$ 5,1809, em 30 de setembro, queda de aproximadamente 0,76%.

CORN11 (BB Asset): −5,11%

O dado que mudou a leitura do milho veio do relatório trimestral de estoques do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Ontem, o USDA informou 2,10 bilhões de bushels de milho estocados em 1º de setembro, volume 35% superior ao registrado um ano antes. Fora das fazendas, o estoque alcançou 1,31 bilhão de bushels, alta de 44%. Para um mercado que precifica a disponibilidade do grão entre safras, o aumento amplia a oferta imediatamente observável.

A pressão apareceu também na curva brasileira de futuros. O contrato de novembro de 2026 fechou a R$ 72,03 por saca, com queda de 3,04%; janeiro de 2027 recuou 2,94% e março de 2027, 3,16%.

O CORN11 acompanha contratos futuros de milho, de modo que a cotação do ETF responde às expectativas incorporadas nesses vencimentos, e não apenas ao preço físico pago hoje por uma saca. A queda da cota, de R$ 7,44 para R$ 7,06, colocou o fundo entre os movimentos mais intensos do grupo.

BBOI11 (BB Asset): +1,24%

O boi apresentou a configuração oposta na sessão. O futuro de outubro avançou 0,98%, para R$ 385,65 por arroba; novembro subiu 0,91%, para R$ 394,95, e dezembro ganhou 0,87%, para R$ 394,70. O indicador do boi gordo Esalq/B3, à vista, chegou a R$ 364,30, alta de 0,34%.

Essa sequência importa porque o BBOI11 acompanha o mercado futuro do boi gordo. A valorização não ficou restrita ao preço físico: ela se estendeu aos contratos que representam as expectativas de negociação dos meses seguintes. A cota passou de R$ 12,13 para R$ 12,28, um retrato da diferença entre dois mercados agropecuários no mesmo dia: estoques maiores pesaram sobre o milho, enquanto a curva do boi se valorizou.

CMDB11 (BTG Pactual): −0,06%

O CMDB11 oferece outra forma de exposição: sua referência é uma carteira de ações brasileiras ligadas à produção de commodities, e não uma cesta de contratos futuros. No índice acompanhado pelo fundo, Petrobras, Suzano e Vale aparecem entre as empresas relevantes. O retorno, portanto, depende também de resultados empresariais, custos, margens e da avaliação dessas ações na bolsa.

Ontem, Vale subiu 0,43% e Petrobras PN avançou apenas 0,04%; Petrobras ON caiu 0,35% e Suzano recuou 0,38%. Esse conjunto teve desempenho bem mais contido que o de grandes bancos brasileiros, que impulsionaram o mercado acionário no dia.

OLEO11 (Investo): −1,23%

O OLEO11 acompanha, por meio do ETF OIH, companhias de serviços para a indústria de petróleo, como fornecedores de equipamentos, tecnologia e operações de perfuração.

Schlumberger tinha aproximadamente 19,9% do OIH na composição consultada, e Baker Hughes, 11,8%. São empresas cuja avaliação depende das perspectivas de atividade e investimento das petroleiras, além do preço do barril.

As duas maiores posições recuaram ontem, 30 de setembro: Schlumberger caiu cerca de 2,31% e Baker Hughes, 1,82%. TechnipFMC também perdeu aproximadamente 1,35%, enquanto Halliburton subiu 0,82%.

PIPE11 (Buena Vista): −1,56%

A carteira do PIPE11 leva a análise para a infraestrutura de energia. Sua exposição passa pelo MLPI, fundo americano que reúne empresas ligadas principalmente ao transporte, processamento e armazenamento de petróleo e gás e utiliza uma estratégia com opções voltada à geração de renda.

Energy Transfer e Enterprise Products figuravam entre suas posições, com pesos de aproximadamente 4,82% e 4,56%, respectivamente, na composição consultada.

Na sessão, as ações das duas companhias recuaram cerca de 0,70% e 1,14%. O resultado do PIPE11 refletiu essa exposição a empresas de infraestrutura, acrescida do efeito da conversão para reais.

RARA11 (Investo): −1,52%

O RARA11 investe em empresas da cadeia de terras raras e metais estratégicos por meio do REMX. Entre as posições de destaque do fundo internacional estavam MP Materials, dos Estados Unidos; Lynas, da Austrália; e China Northern Rare Earth. Essa dispersão geográfica faz a carteira reunir ações negociadas em moedas e mercados diferentes.

Um dos maiores componentes, a MP Materials, subiu 4,09% em Nova York no dia 30. O avanço mostra por que seria incorreto atribuir a queda do RARA11 a uma baixa uniforme das produtoras de terras raras. O ETF brasileiro terminou em −1,52% apesar dessa alta: os demais componentes da cesta, a conversão cambial e a negociação da cota em reais determinaram o resultado conjunto.

PRAF11 (Galapagos Capital): −2,43%

Prata foi um dos segmentos mais pressionados da lista. O PRAF11 acessa o metal por meio de uma estrutura internacional ligada ao SIVR.

Além do recuo da prata nos contratos internacionais naquele fechamento, o real mais forte reduziu o valor local da exposição externa. O movimento, portanto, reuniu metal e moeda na mesma direção para o investidor brasileiro. Isso distingue a prata do ouro na sessão: apesar de ambos serem metais preciosos, suas cotações e as estruturas dos fundos produziram amplitudes de perda diferentes.

DOLB11 (BTG Pactual): −0,67%

O DOLB11 completa a leitura da lista por representar diretamente o dólar em reais, mediante exposição ao mercado futuro cambial. Sua queda de 0,67% acompanhou a direção de valorização da moeda brasileira no dia.

O fundo também ajuda a interpretar vários dos resultados anteriores. Quando um ETF carrega ativos internacionais sem neutralizar a moeda, a queda do dólar em reais pode reduzir ou superar parte do ganho obtido no exterior. No pregão de ontem, 30 de setembro, esse componente apareceu tanto na comparação entre os ETFs de ouro quanto no desempenho em reais das carteiras internacionais de prata, energia e terras raras.

 

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