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Lítio e fornecedores nucleares pesam sobre RARA11 e NUCL11 na semana

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Créditos: iStock

Dois ETFs brasileiros que dão acesso a cadeias estratégicas globais terminaram a semana em queda. O RARA11 recuou 2,71% e o NUCL11 perdeu 1,04%, pelo retorno total de suas cotas negociadas na B3.

No fundo de metais estratégicos, o recuo de produtoras de lítio foi um dos freios mais visíveis; no de energia nuclear, mineradoras de urânio e fornecedores de equipamentos perderam valor, enquanto uma grande geradora elétrica avançou.

A virada no meio da semana

O pano de fundo financeiro ficou mais exigente nos Estados Unidos. O Federal Reserve havia elevado os juros em setembro para a faixa de 3,75% a 4,00%. Na quarta-feira, 23, a leitura preliminar do PMI composto da S&P Global passou de 56,0 em agosto para 58,4 em setembro, apontando aceleração da atividade e pressão renovada de custos.

A taxa nominal do Treasury de dez anos foi de 5,01% em 18/9 para 5,17% em 25/9; a taxa real de dez anos, de 2,68% para 2,83%. Juros reais mais altos tornam mais caro financiar projetos longos e elevam a taxa usada para avaliar seus fluxos de caixa futuros, um fator relevante para mineradoras em expansão e desenvolvedoras de tecnologia nuclear.

Os ETFs de referência negociados nos EUA começaram a semana em alta e devolveram o ganho depois. O REMX, carteira internacional que o RARA11 procura acompanhar, passou de US$ 69,06 em 18/9 para US$ 70,97 em 22/9; fechou a sexta-feira em US$ 66,66, perda de 3,48% entre as duas sextas. O NLR, referência do NUCL11, saiu de US$ 107,69 para US$ 111,95 nos mesmos dois primeiros pregões e terminou em US$ 105,78, recuo semanal de 1,77%.

O componente cambial atuou na direção contrária: a valorização de uma exposição ao dólar ajuda a entender por que as perdas em reais de RARA11 e NUCL11 foram menores que as quedas, em dólares, de REMX e NLR. O efeito cambial não anulou o recuo das ações subjacentes.

RARA11 (Investo): -2,71%

O RARA11 acompanha uma cesta global de companhias de terras raras e metais estratégicos por meio da exposição ao REMX. Suas maiores posições incluem duas produtoras ligadas ao lítio, SQM (8,04%) e Albemarle (7,91%), além de MP Materials (6,63%), Lynas (6,07%), China Northern Rare Earth (5,93%) e Pilbara Minerals (5,93%).

O fundo conecta diferentes cadeias de suprimento: baterias, materiais para ímãs e outros metais industriais.

O caso mais claro foi Pilbara Minerals, produtora australiana de espodumênio, matéria-prima para o lítio. Sua ação caiu de A$ 4,17 em 18/9 para A$ 3,84 em 25/9, perda de 7,91%. Só na quinta-feira, 24, recuou 5,74%, justamente quando o REMX acelerou a queda. Liontown Resources, outra posição australiana ligada ao lítio, tinha 3,23% da carteira e caiu de A$ 1,02 para A$ 0,94, ou 7,84%, na semana.

Albemarle caiu 1,06% e SQM, 1,23% na semana passada. As quedas semanais foram relativamente menores que as de Pilbara e Liontown, mas seus pesos de quase 16% somados tornam a direção das duas ações relevante. Albemarle recuou 2,85% na quarta-feira e 4,60% na quinta; SQM também perdeu terreno nesses pregões.

Houve resistência em outro polo do fundo. MP Materials subiu 3,32% entre as duas sextas-feiras, apesar de cair 4,21% na quarta; Lynas recuou 0,91% na semana. Mesmo com posições que ganharam valor, as quedas mais fortes em lítio e o recuo do REMX prevaleceram. O RARA11 também acumulava -15,02% no mês até 25/9.

 

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NUCL11 (Investo): -1,04%

O NUCL11 acompanha o universo de urânio e energia nuclear por meio do NLR. As maiores posições do ETF internacional eram Constellation Energy (8,26%), geradora elétrica; Cameco (8,09%), produtora de urânio e sócia de negócios da cadeia de combustível e tecnologia; Public Service Enterprise Group (7,45%), empresa de serviços públicos; Fortum (6,96%), companhia de energia; e BWX Technologies (6,11%), fornecedora de componentes e serviços nucleares.

Na semana, Cameco caiu 3,87%, de US$ 91,62 para US$ 88,07. O papel perdeu 4,01% na quarta-feira e 2,95% na quinta, justamente na fase em que o NLR inverteu o ganho inicial. BWX Technologies caiu 6,13%, de US$ 147,52 para US$ 138,47.

O segundo movimento mostra que a correção atingiu também a cadeia de equipamentos e serviços, e não apenas mineradoras de urânio.

O principal amortecedor entre as maiores posições foi Constellation Energy, cuja ação avançou 3,36% na semana, de US$ 254,71 para US$ 263,27. A geradora tem exposição ao valor econômico da eletricidade que produz e aos contratos associados à sua frota; Cameco e BWX enfrentam dinâmicas próprias de produção, fornecimento e investimento.

O resultado em reais ainda incorporou a alta da exposição cambial na semana, mas o saldo das ações internacionais permaneceu negativo. Na comparação com RARA11, a perda de 1,04% do NUCL11 foi 1,67 ponto percentual menor. A diferença refletiu o comportamento das carteiras: o bloco de lítio mostrou quedas expressivas no fundo de metais, enquanto a alta de Constellation compensou parte do recuo de Cameco e BWX no fundo nuclear. Em 2026, o NUCL11 acumulava -19,90% até 25/9.

 


Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento.

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