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Carteiras e experiência do investidor guiarão avanço dos ETFs

O próximo salto do mercado brasileiro de ETFs passa pela combinação dos fundos em soluções de carteira e pela redução das dificuldades que o investidor encontra para utilizá-los. Essa foi uma das principais mensagens de Catherine Clay, CEO da S&P Dow Jones Indices, e Renato Eid Tucci, sócio e head de Estratégias Indexadas e Integração ESG do Itaú Asset Management, no Brazil Indexing & ETF Masterclass 2026, em São Paulo.

No painel “Investindo com índices: tendências globais e insights locais”, moderado por Paulo Eduardo Sampaio, da S&P DJI, os participantes discutiram uma indústria que ampliou sua oferta, mas ainda precisa transformar acesso em uso efetivo. Na contextualização do debate, Sampaio informou que os ETFs representavam cerca de 1,3% dos ativos da indústria brasileira de fundos, ante aproximadamente 0,5% dois anos antes.

Para Eid, o Brasil já superou a fase inicial de estruturação do segmento e se aproxima de 1 milhão de investidores individuais utilizando ETFs. O desafio agora é avançar da seleção de um produto para a organização do portfólio.

“Não se trata de escolher um ETF para a carteira. Trata-se de como combinar ETFs que atendam melhor aos meus objetivos de investimento”, afirmou.

À direita, Renato Eid

Da prateleira de produtos às soluções de carteira

Eid dividiu a evolução brasileira em etapas: a construção dos arcabouços regulatório e tributário, a ampliação da oferta e, agora, o uso dos ETFs como componentes de soluções de investimento. Segundo ele, a expansão da prateleira ganhou força a partir de 2018 e levou o mercado a mais de 200 produtos listados.

A variedade ampliou as possibilidades de alocação, mas também tornou mais exigente a escolha do investidor. Nesse contexto, o executivo apontou carteiras administradas e soluções oferecidas por corretoras como caminhos para combinar as exposições de acordo com os objetivos do cliente.

Clay observou que a dificuldade de escolha também aparece em mercados mais desenvolvidos, como o americano, com milhares de ETFs. Para ela, ampliar a oferta precisa vir acompanhado de orientação e de uma experiência que facilite a entrada do investidor e a atuação do assessor.

Renda fixa revela obstáculos na experiência do investidor

A preferência brasileira pela renda fixa torna essa classe central para o desenvolvimento dos ETFs, avaliou Eid. O avanço, porém, exige desfazer a associação automática entre negociação em bolsa e investimento em ações.

O executivo citou um exemplo da experiência do cliente: ETFs de renda fixa que aparecem na linha de renda variável dos relatórios mensais. Essa apresentação pode dificultar a compreensão da exposição, embora a negociação em bolsa não transforme os títulos da carteira em ações.

Eid também mencionou limites operacionais e a liquidez no mercado secundário entre os pontos que precisam melhorar. Reconheceu a evolução da atividade dos formadores de mercado, mas defendeu mais esforços para desenvolver esse ecossistema.

Na educação, sua proposta vai além do investidor final: gestores, assessores e outros participantes precisam encontrar uma linguagem comum. O objetivo é tornar mais clara a conversa sobre o que cada ETF entrega e como pode ser utilizado.

Inovar sem perder a transparência

Clay destacou a expansão dos ETFs com opções, incluindo estratégias voltadas à geração de renda e à proteção parcial contra perdas dentro de condições definidas. Em sua avaliação, essas estruturas ampliam o acesso a estratégias antes mais presentes nas carteiras de investidores de maior patrimônio.

A sofisticação, contudo, aumenta a responsabilidade de explicar o funcionamento do produto. Para a CEO da S&P DJI, é necessário deixar claros os riscos, a metodologia e a governança, preservando a compreensão da exposição pelo investidor.

Eid convergiu nesse ponto. “Se não há transparência, não há ETF”, afirmou. Ao comentar a possibilidade de criar novos índices, disse que a pergunta anterior ao desenvolvimento deve ser qual necessidade do cliente aquela estratégia pretende atender.

O executivo também defendeu cautela na importação de tendências internacionais. Produtos bem-sucedidos nos Estados Unidos ou em outras regiões não necessariamente respondem às demandas brasileiras. Para ele, combinar renda fixa e exposição internacional é um exemplo de abordagem conectada às necessidades locais.

Tokenização pode ampliar o alcance, mas não substitui a confiança

Ao discutir tokenização e finanças descentralizadas, Clay afirmou que o papel dos provedores de índices permanece ligado à confiança, à mensuração e à governança, independentemente da infraestrutura utilizada.

“O papel de um provedor de índices está sempre ligado à confiança”, disse. A mudança tecnológica, em sua avaliação, não elimina a necessidade de o investidor compreender o que está adquirindo.

Eid apontou como possibilidade futura a distribuição de ETFs em blockchain para investidores de diferentes países. Ressaltou, porém, que ainda há trabalho a fazer e que os testes em redes privadas não representam a realização plena dessa perspectiva.

O potencial discutido no painel está, assim, na combinação entre novos canais de acesso e uma experiência mais simples. Para os participantes, o crescimento da indústria dependerá de transformar a diversidade de estratégias em instrumentos compreensíveis e adequados à construção de carteiras.

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