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S&P 500 vai além da tecnologia e ganha novas formas de acesso no Brasil, dizem gestores

O S&P 500 se consolidou como uma das portas de entrada do brasileiro no investimento internacional, mas a escolha da estratégia envolve mais do que acompanhar as grandes empresas americanas. A exposição ao dólar, o alcance global dos negócios e os critérios de construção do índice também influenciam seu papel nas carteiras. Esses foram temas centrais do painel “Investindo globalmente o S&P 500”, no Brazil Indexing & ETF Masterclass 2026, em São Paulo.

Moderado por Joseph Nelesen, da S&P Dow Jones Indices, o debate reuniu Alexandre Frade Rodrigues, do Itaú Asset Management; Danilo Gabriel, da XP Asset Management; Eduardo Miquelotti, do BTG Pactual Asset Management; e Ian Lopez, da State Street Investment Management.

Hedge permite separar a decisão sobre ações da visão sobre o dólar

As versões com proteção cambial ganharam destaque na discussão sobre a adoção do índice no Brasil. Frade relatou que, no Itaú, o veículo protegido já era maior que a alternativa com exposição à moeda americana, apesar de ter sido lançado depois. Miquelotti afirmou que, na comparação entre as duas estratégias do BTG, a versão com hedge tinha aproximadamente dez vezes o tamanho da alternativa exposta ao dólar.

Frade associou essa procura à redução da oscilação cambial no resultado e à mecânica do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Para ele, oferecer as duas alternativas facilita a decisão de investidores que desejam acessar ações internacionais, mas têm percepções diferentes sobre a moeda.

Danilo Gabriel acrescentou que a implementação com futuros permite construir diferentes combinações de exposição ao índice e ao câmbio. O gestor da XP citou também o papel do cupom cambial nessa estrutura. A proposta, em sua avaliação, é ampliar as escolhas para que o cliente defina quais riscos pretende carregar.

 

Miquelotti ressaltou, por outro lado, a importância de manter a diversificação entre moedas na construção do portfólio. As versões com e sem hedge atendem a decisões diferentes: a primeira busca neutralizar a exposição cambial; a segunda preserva o efeito do dólar sobre a parcela investida no exterior.

 

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Empresas americanas, negócios globais

Nelesen apresentou um dado para dimensionar o alcance internacional das companhias: aproximadamente 28% das receitas vinham de fora dos Estados Unidos. A localização da listagem, portanto, não descreve sozinha a geografia dos negócios.

Frade citou as vendas da Apple na China e as operações da Amazon na Europa como exemplos dessa exposição. Para o investidor brasileiro, argumentou, o índice também permite acessar atividades com menor representação na bolsa local, incluindo tecnologia, comércio eletrônico e novos padrões de consumo.

O gestor relatou uma mudança na própria base do Itaú: 2026 foi o primeiro ano em que os recursos administrados em estratégias de S&P 500 superaram a exposição ao Ibovespa. O avanço, avaliou, reflete um processo de educação sobre diversificação geográfica e setorial construído ao longo dos anos.

Ian Lopez lembrou que o índice reúne os 11 setores da classificação GICS. A exposição à inteligência artificial, por exemplo, não se limita às empresas classificadas em tecnologia: alcança também negócios industriais envolvidos na construção de data centers e em suas cadeias de fornecimento.

Concentração exige olhar para os negócios e para a carteira

O peso das maiores companhias motivou outra parte do debate. Nelesen informou que as dez maiores ações representavam 38% do índice na referência recente apresentada, mesmo percentual observado em junho de 1965. A comparação histórica foi usada para mostrar que concentração não é um tema novo.

Frade defendeu que a análise também considere a diversidade de atividades dentro das grandes empresas. Amazon, por exemplo, reúne negócios que vão além do comércio eletrônico. “Essas empresas que estão no topo têm dezenas de negócios dentro delas”, afirmou.

O gestor reconheceu o interesse por versões de pesos iguais, mas defendeu a estrutura tradicional como forma de acompanhar a evolução das empresas e sua relevância no mercado. Gabriel destacou a preocupação dos clientes com preços e avaliações, lembrando que uma carteira concentrada fica mais exposta ao desempenho de suas maiores posições.

Lopez apontou uma forma de ajustar esse risco sem abandonar a posição central no índice: combinar a exposição principal com estratégias complementares, como alocações setoriais. A diversidade de receitas de uma empresa não substitui a decisão sobre quanto ela deve representar no portfólio.

Regras de entrada precisam preservar a capacidade de replicação

Ao discutir novas empresas, Nelesen observou que o S&P 500 não é uma seleção automática das 500 maiores companhias. A metodologia estabelece critérios para a composição e para a entrada de ações.

Frade defendeu tempo para que novas listagens desenvolvam histórico de negociação e uma base maior de informações. “É sempre positivo para o investidor esperar”, afirmou. Lopez relatou preocupações semelhantes entre clientes institucionais e defendeu o cumprimento das regras antes da inclusão.

Miquelotti conectou esse cuidado à operação dos fundos. A entrada de uma ação com liquidez insuficiente pode dificultar a compra pelos veículos que precisam acompanhar o índice e aumentar os desafios de execução.

“As métricas de risco e a capacidade de replicar uma estratégia indexada fazem parte do DNA de um ETF”, disse o executivo do BTG.

O debate mostrou como as alternativas de acesso podem se ampliar preservando a disciplina do índice. Para o investidor, a decisão passa por combinar a exposição às empresas com a escolha cambial e o peso da estratégia no conjunto da carteira.

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