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ETFs com opções ganham espaço, e liquidez exige olhar além da tela, avaliam especialistas

A expansão dos ETFs com opções amplia o uso desses fundos para estratégias de geração de renda e gestão de risco. Esse avanço também exige compreender como as cotas são negociadas: o volume visível em bolsa é apenas uma parte da liquidez disponível, que depende dos ativos da carteira e do mecanismo de criação e resgate. Essas foram duas das principais discussões do painel “Derivativos e índices no Brasil: novas fronteiras”, no Brazil Indexing & ETF Masterclass 2026, em São Paulo.

Moderado por Patrick Hickey, da S&P Dow Jones Indices, o debate reuniu Aron Brener Nedvedovich, da MexDer e do Grupo BMV; Mandy Xu, da Cboe; Thalita Rodrigues Forne, da B3; e Serena Tchorbajian, do Goldman Sachs. Os participantes conectaram o desenvolvimento de novas estratégias à infraestrutura necessária para ampliar seu acesso.

Opções ampliam as formas de usar os ETFs

 

Mandy Xu, vice-presidente e responsável por inteligência do mercado de derivativos da Cboe, destacou a expansão dos ETFs baseados em opções nos Estados Unidos. Na comparação apresentada no painel, o patrimônio dessas estratégias passou de aproximadamente US$ 30 bilhões em 2020 para mais de US$ 250 bilhões.

A executiva diferenciou duas linhas de produtos. A primeira reúne estratégias de resultado definido, conhecidas como buffer ETFs, que buscam amortecer uma parcela das perdas em condições e períodos específicos. A segunda concentra estratégias de geração de renda, incluindo venda coberta de opções de compra e venda de opções de venda com cobertura em caixa.

Os objetivos são distintos. Um fundo voltado à distribuição de renda não equivale a uma estrutura desenhada para amortecer quedas. Nos buffer ETFs, a proteção pretendida costuma vir acompanhada de um limite para a participação nas altas e depende das condições da estratégia, inclusive do período de investimento.

Xu associou o crescimento à facilidade de acessar essas estruturas por um único ativo negociado em bolsa, sem que o investidor precise administrar diretamente os vencimentos e as rolagens das opções. Também apontou a procura por alternativas de diversificação em um ambiente em que inflação elevada pode pressionar simultaneamente ações e títulos de renda fixa.

A liquidez do ETF também está nos ativos da carteira

Serena Tchorbajian, vice-presidente de vendas e negociação de ETFs do Goldman Sachs, explicou que a capacidade de negociação de um ETF não se resume às ofertas disponíveis na tela. Os ativos da cesta subjacente são uma fonte central de liquidez para o produto.

Quando a demanda aumenta, participantes autorizados podem criar novas cotas, entregando os ativos ou os recursos previstos na estrutura do fundo. No sentido inverso, o resgate de grandes lotes permite devolver cotas em troca da cesta ou de caixa. Essa ligação entre os mercados primário e secundário ajuda a acomodar operações além do volume já negociado entre investidores.

A implicação é que um volume diário reduzido, isoladamente, não descreve toda a capacidade de execução. A análise também envolve a liquidez dos componentes, a atuação dos formadores de mercado e os custos da operação. O spread entre compra e venda continua relevante para o preço efetivamente obtido.

Thalita complementou que grandes alocadores brasileiros avaliam qual é a via mais eficiente para executar uma posição: negociar cotas existentes, acessar a criação e o resgate ou estruturar a operação a partir dos ativos subjacentes.

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Brasil combina novas estratégias com um mercado de derivativos desenvolvido

Thalita Forne, superintendente de Sales e Produtos Listados da B3, apresentou o avanço da indústria brasileira em patrimônio, investidores e volume negociado. No painel, citou patrimônio de ETFs superior a R$ 142 bilhões e a entrada de novas gestoras com propostas ligadas a opções e geração de renda.

Sua avaliação foi de que o mercado avança de uma primeira etapa, centrada no acesso a diferentes exposições, para uma oferta que também procura atender a objetivos específicos de renda e proteção. A executiva destacou o mercado brasileiro de derivativos, a ampliação da distribuição e a demanda dos investidores como fatores favoráveis a essa evolução.

Thalita mencionou ainda discussões com a Comissão de Valores Mobiliários sobre a introdução de buffer ETFs. O tema foi apresentado como frente de desenvolvimento, sem anúncio de autorização ou cronograma de lançamento.

Serena acrescentou que ETFs com derivativos, embora tenham ganhado espaço no varejo, também atendem a investidores institucionais. Entre os usos citados estavam alocações táticas, gestão de caixa e ajustes de exposição a índices.

México mostra outro caminho de acesso e reforça a necessidade de educação

Aron Brener Nedvedovich, diretor de Trading e COO da MexDer, descreveu a importância do Sistema Internacional de Cotações mexicano, pelo qual investidores negociam ações e ETFs internacionais em pesos. Essa estrutura conecta os ativos estrangeiros à negociação local e abre espaço para arbitragem entre mercados.

O executivo também apontou o uso de futuros do S&P/BMV IPC na construção de estratégias com exposição positiva ou negativa ao mercado mexicano. A maior variedade de instrumentos, avaliou, precisa ser acompanhada de educação sobre riscos e horizonte de uso.

No caso dos produtos alavancados, Aron chamou atenção para o rebalanceamento diário. A exposição pretendida em uma sessão não deve ser confundida com uma multiplicação simples do retorno acumulado em qualquer prazo.

A discussão reforçou que simplificar o acesso não elimina a necessidade de compreender a estratégia. O desenvolvimento dos ETFs com derivativos depende tanto da inovação nos produtos quanto da cooperação entre bolsas, gestoras, participantes autorizados e formadores de mercado para tornar negociação, custos e riscos mais claros.

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