
Créditos: Magnific
Os ETFs de ações brasileiras apresentaram resultados bastante distintos em agosto. As estratégias ligadas a commodities, receitas internacionais e dólar terminaram no campo positivo, enquanto os fundos mais expostos a bancos, utilities e empresas dependentes da economia doméstica ficaram entre as maiores quedas.
O Ibovespa recuou 0,33% no mês, apesar da sequência de nove altas registrada na reta final. Antes da recuperação, o índice havia acumulado 11 perdas consecutivas. A retirada de recursos estrangeiros da bolsa brasileira chegou a R$ 18,4 bilhões até os últimos dias do período e foi um dos principais fatores de pressão sobre o mercado.
O comportamento das commodities ajudou a reduzir as perdas do índice. O petróleo Brent avançou cerca de 7% no mês, apoiado pelas tensões no Oriente Médio e pelos riscos ao transporte e à oferta global. A alta beneficiou Petrobras e outras produtoras, além dos fundos que concentram exposição em energia e recursos naturais.
O dólar também ganhou força e acumulou valorização próxima de 2,2% diante do real. O movimento favoreceu diretamente os ETFs cambiais e ajudou empresas exportadoras, que recebem parte relevante de suas receitas em moeda estrangeira.
Na direção oposta, a curva de juros brasileira passou por períodos de abertura, especialmente nos vencimentos intermediários e longos. Esse ambiente pressionou empresas mais sensíveis ao custo de capital, incluindo utilities e companhias ligadas à atividade doméstica. Os bancos também enfrentaram sessões de queda e limitaram a recuperação do Ibovespa em diferentes momentos.

CMDB11 (BTG Asset): +2,80%
O CMDB11 liderou os ETFs analisados, com valorização de 2,80%. O fundo acompanha uma carteira de empresas brasileiras produtoras e exportadoras de commodities, abrangendo petróleo, mineração, siderurgia, papel e celulose, alimentos e produção agrícola.
Vale, PRIO, Petrobras, Gerdau, Suzano e Klabin estavam entre as principais posições da carteira. A soma das exposições a materiais básicos e energia fazia com que esses dois grupos representassem a maior parte do fundo.
O avanço do petróleo foi um dos principais suportes para o resultado. O Brent encerrou o mês com alta próxima de 7%, em meio à retomada das tensões geopolíticas e às preocupações com a oferta. A valorização de Petrobras e de outras produtoras compensou a oscilação observada em mineração, siderurgia e papel e celulose.
A exposição a empresas exportadoras também ajudou. Com o dólar mais forte frente ao real, as receitas internacionais passaram a ter maior valor quando convertidas para a moeda brasileira.
DOLB11 (BTG Asset): +2,62%
O DOLB11 avançou 2,62%. O ETF acompanha uma referência ligada ao desempenho do dólar diante do real e refletiu diretamente a valorização da moeda americana no mês.
O dólar acumulou alta próxima de 2,2%, após começar o período em patamares próximos de R$ 5,10. A reavaliação das perspectivas para os juros americanos, a redução do fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira e as incertezas domésticas contribuíram para a pressão sobre o real.
A diferença entre o retorno do ETF e a variação do dólar comercial pode refletir o índice de referência utilizado, os horários de apuração, os custos e a metodologia de acompanhamento.
BXPO11 (Investo): +2,29%
O BXPO11 acumulou alta de 2,29%. O ETF seleciona empresas brasileiras com parcela relevante das receitas obtida no exterior, mantendo maior exposição a exportadoras e negócios de atuação global.
A estratégia foi favorecida por dois movimentos. O primeiro foi a valorização do dólar, que aumentou o valor em reais das receitas denominadas em moeda estrangeira. O segundo foi o desempenho das empresas de commodities, especialmente das companhias ligadas a petróleo e mineração.
Esse perfil permitiu ao BXPO11 se afastar da queda do Ibovespa e superar os fundos mais dependentes do mercado doméstico. Ainda assim, as oscilações de Vale, Suzano e outras exportadoras limitaram um retorno mais próximo ao registrado pelo CMDB11.
MATB11 (Itaú): +0,91%
O MATB11 avançou 0,91%. O fundo acompanha empresas brasileiras do setor de materiais básicos, com exposição a mineração, siderurgia, papel e celulose e produtos químicos.
Vale, Gerdau, Suzano, Klabin, CSN Mineração e Metalúrgica Gerdau estavam entre as posições relevantes. Durante a recuperação da bolsa, Vale e as siderúrgicas apresentaram sessões de alta, apoiadas pelo minério de ferro e pela retomada do interesse por ações de valor.
O desempenho ficou abaixo do CMDB11 porque o MATB11 não possui a mesma exposição às produtoras de petróleo. Dessa forma, participou da recuperação de mineração e siderurgia, mas capturou menos intensamente a alta do Brent.
A valorização do dólar também ofereceu suporte às exportadoras de minério, aço e celulose, contribuindo para manter o ETF no campo positivo.

BOVA11 (BlackRock): -0,14%
O BOVA11 recuou 0,14%, acompanhando de perto o comportamento do Ibovespa. O índice atravessou uma primeira parte do mês marcada por perdas consecutivas e recuperou boa parte do terreno na reta final.
Petrobras e Vale ajudaram a sustentar a recuperação, enquanto bancos, empresas de consumo e outros setores domésticos limitaram o desempenho. A carteira do Ibovespa mantém pesos relevantes em petróleo, mineração e serviços financeiros, o que deixou o índice dividido entre esses movimentos.
A diferença entre o retorno do BOVA11 e a queda de 0,33% do Ibovespa pode envolver reinvestimento de proventos, custos, preço de mercado da cota e metodologia de cálculo do retorno total.
BDEF11 (Bradesco): -0,31%
O BDEF11 caiu 0,31%. O ETF seleciona empresas de setores defensivos, que costumam apresentar receitas menos dependentes das oscilações da atividade econômica.
A estratégia ofereceu alguma proteção diante da queda do mercado, encerrando o mês próxima da estabilidade e à frente dos fundos concentrados em bancos, utilities e empresas domésticas.
Ainda assim, a abertura dos juros de longo prazo pressionou companhias defensivas com fluxos de caixa de maior duração. O desempenho também foi limitado pela fraqueza observada em diferentes segmentos fora das commodities.
BCIC11 (Bradesco): -0,97%
O BCIC11 recuou 0,97%. O ETF reúne empresas de setores cíclicos, incluindo serviços financeiros, materiais básicos, construção, consumo, energia e comunicação.
A exposição a commodities ajudou a reduzir as perdas, mas não foi suficiente para compensar integralmente a pressão sobre bancos, varejistas, construtoras e outras companhias dependentes da atividade doméstica.
A saída de capital estrangeiro e os períodos de abertura da curva de juros reduziram o apetite por esses setores. Como a carteira distribui os pesos entre diferentes atividades cíclicas, o desempenho positivo de petróleo e materiais básicos foi diluído pelas quedas em outras áreas.

BDOM11 (Investo): -1,20%
O BDOM11 caiu 1,20%. O fundo seleciona empresas que obtêm mais de 50% das receitas no mercado brasileiro, mantendo exposição relevante a serviços financeiros, utilities, energia e consumo cíclico.
O setor financeiro representava cerca de 42% da carteira, enquanto utilities respondiam por aproximadamente 16%. Itaú, Petrobras, Nu Holdings, Bradesco, BTG Pactual e Banco do Brasil estavam entre as maiores posições.
A presença de Petrobras ajudou a conter a queda, mas o peso elevado dos bancos e das empresas voltadas à economia doméstica pressionou o resultado. O fundo também recebeu menos suporte da alta do dólar do que as estratégias concentradas em exportadoras.
FIND11 (Itaú): -3,04%
O FIND11 recuou 3,04%. O ETF acompanha o Índice Financeiro da B3 e reúne bancos, seguradoras, a própria operadora da bolsa e outras instituições financeiras.
Itaú, B3, BTG Pactual, Bradesco e Banco do Brasil estão entre as empresas de maior representatividade na estratégia. O setor enfrentou períodos de queda associados à piora do apetite por risco, às preocupações com crédito e inadimplência e à abertura das curvas de juros.
Os bancos recuperaram parte das perdas na reta final, quando a redução pontual dos juros futuros favoreceu as ações domésticas. O movimento, porém, não foi suficiente para reverter o resultado acumulado pelo fundo.

UTLL11 (Investo): -3,45%
O UTLL11 caiu 3,45%. O ETF oferece exposição a empresas brasileiras de utilidade pública, incluindo companhias de energia elétrica, água, saneamento e gás.
As utilities costumam apresentar receitas mais previsíveis, mas também são sensíveis às mudanças nos juros de longo prazo. Taxas mais elevadas aumentam o custo de capital das empresas e reduzem, em termos relativos, a atratividade de seus fluxos de caixa futuros.
A curva de juros brasileira passou por momentos de abertura, especialmente nos vencimentos intermediários e longos, pressionando o setor. Houve recuperação em algumas sessões, com altas em CPFL Energia, Cemig, Equatorial e Copel, mas o movimento não compensou as perdas acumuladas anteriormente.
BTER11 (Investo): -3,72%
O BTER11 recuou 3,72%. O ETF acompanha empresas consideradas essenciais e de alta qualidade nos segmentos de bancos, energia, saneamento, seguros e telecomunicações.
Elétricas representavam 36,94% da carteira e bancos respondiam por 35,89%. BTG Pactual, Bradesco, Banco do Brasil, Itaú, Axia Energia, Equatorial, Sabesp e Copel estavam entre as maiores posições.
Essa combinação deixou o fundo exposto justamente aos dois grupos que estiveram entre os mais pressionados do mês. Os bancos foram afetados pela redução do apetite por risco e pelas preocupações com crédito, enquanto as elétricas sentiram os períodos de alta dos juros de longo prazo.
A recuperação observada na reta final favoreceu os dois setores, mas não eliminou as perdas acumuladas durante a fase mais negativa da bolsa brasileira.
BNKS11 (Investo): -3,88%
O BNKS11 apresentou a maior queda da relação, com recuo de 3,88%. O fundo oferece exposição concentrada aos principais bancos brasileiros e estabelece limite de participação por companhia.
Itaú, Banco do Brasil, BTG Pactual e Bradesco representavam as maiores posições, seguidos por Santander, Banrisul e ABC Brasil. As quatro primeiras instituições respondiam por mais de 75% da carteira.
A concentração elevou a sensibilidade do ETF à fraqueza do setor financeiro. Durante a fase de maior aversão ao risco, os bancos foram pressionados por preocupações com crédito e inadimplência, além da saída de capital estrangeiro da bolsa.
O setor reagiu na reta final, quando Banco do Brasil, Bradesco e Itaú participaram da recuperação do mercado. Ainda assim, o movimento foi insuficiente para compensar as perdas anteriores, mantendo o BNKS11 na última posição do levantamento.
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