
A Bradesco Asset lançou na B3 o BRIA11, fundo de índice voltado à cadeia global de inteligência artificial. O produto reúne, em um único veículo negociado no Brasil, exposição a empresas internacionais relacionadas à inovação em IA, patentes, semicondutores, plataformas digitais, veículos elétricos e outros segmentos de tecnologia.
O BRIA11 acompanha o FTSE AI Global Leaders Composite Index e distribui os recursos entre dois ETFs negociados no exterior. A proporção entre eles pode variar mensalmente. Dependendo dos sinais identificados pela metodologia, até 30% do índice também pode ser direcionado ao CDI.
Este é o 15º ETF lançado pela Bradesco Asset. Em entrevista à DEX, Fernando Pairol explicou que a escolha da inteligência artificial partiu da intenção de oferecer acesso a diferentes segmentos dessa cadeia econômica.
“A gente não tem dúvida que a IA veio para ficar. Nossa questão é: quais são as empresas que devem se beneficiar desse momento? Acho que ninguém sabe, ninguém tem essa resposta. O produto que a gente está trazendo é justamente para dar a opção de operar a cadeia inteira de IA.”
A proposta, portanto, não é selecionar uma única empresa ou apostar em apenas um segmento. A carteira procura abranger desde negócios ligados diretamente ao desenvolvimento de aplicações até companhias responsáveis pela infraestrutura tecnológica.
“Desde as empresas que estão na fronteira até as empresas que dão a parte de infraestrutura para as demais poderem operar os seus negócios. O grande diferencial desse produto é justamente trazer esse dinamismo e poder explorar a cadeia como um todo, afirmou Fernando Pairol.”
Dois ETFs formam a base da estratégia
A parcela internacional do BRIA11 é construída a partir dos ETFs XAIX e CNQQ. Embora os dois estejam relacionados à tecnologia, cada um segue uma metodologia e um recorte geográfico diferentes.
O XAIX, Xtrackers Artificial Intelligence and Big Data ETF, reúne empresas selecionadas por sua participação em áreas relacionadas à inteligência artificial e às tecnologias disruptivas. A seleção considera, entre outros critérios, a quantidade e a relevância de patentes em áreas como aprendizado profundo, processamento de linguagem natural, computação em nuvem, big data, computação quântica e cibersegurança.
Apesar da presença significativa de companhias dos Estados Unidos, o XAIX é um ETF global. Os dados apresentados para junho de 2026 indicavam uma distribuição geográfica de 73,6% nos Estados Unidos, 17,6% na Coreia do Sul e 8,8% em outros mercados. Micron Technology, Samsung Electronics, SK Hynix, Intel, Alphabet, Nvidia, Apple e Amazon estavam entre as posições citadas.
Já o CNQQ, Rayliant-ChinaAMC Transformative China Tech ETF, concentra-se em empresas chinesas ligadas à transformação tecnológica. Sua metodologia utiliza critérios relacionados aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e à proporção desses gastos sobre a receita.

Créditos: B3
O universo do CNQQ não se limita à infraestrutura para inteligência artificial. A carteira reúne plataformas digitais, fabricantes de semicondutores, componentes ópticos, eletrônicos, baterias e veículos elétricos. Alibaba, Tencent, CATL, Meituan e Xiaomi apareciam entre suas maiores posições.
Clayton Rodrigues, head de Gestão de Indexados e Internacional da Bradesco Asset, explicou que a escolha dos dois veículos procura representar polos distintos da cadeia tecnológica.
“A ideia foi trazer, em um único ETF, uma metodologia dinâmica de alocação entre os maiores polos de investimento em inteligência artificial. Hoje, claramente, são Estados Unidos e China.”
Segundo Clayton Rodrigues, o recorte procura combinar a atuação americana na inovação e nos produtos finais com o ecossistema tecnológico chinês.
“A China está do lado da infraestrutura, provendo toda a infraestrutura para a inteligência artificial acontecer, e os Estados Unidos provendo o produto final, do lado da inovação e de outras coisas.”
Embora essa seja a forma usada pelo executivo para resumir a estratégia, os dois ETFs possuem carteiras mais amplas. O XAIX inclui companhias de outros mercados, como a Coreia do Sul, enquanto o CNQQ reúne diferentes segmentos da transformação tecnológica chinesa, não apenas fornecedores de infraestrutura.
Como o BRIA11 distribui os recursos
A participação de XAIX e CNQQ não é necessariamente dividida em partes iguais. A metodologia utiliza dados recentes de retorno e volatilidade para calcular a relação entre risco e retorno de cada ETF.
A partir desse cálculo, o índice atribui maior peso ao veículo que apresenta o sinal mais favorável. O ajuste ocorre de maneira gradual. Quando a diferença entre os indicadores é pequena, a distribuição fica mais equilibrada. Quando a diferença aumenta, um dos ETFs recebe participação maior.
Clayton Rodrigues comparou o funcionamento da estratégia a um carro elétrico com dois motores. “Imagine que você tem um carro elétrico com dois grandes motores impulsionando o carro. Você tem um cérebro central que direciona onde vai mandar maior força para esses dois motores. Esse cérebro seleciona o ETF que está trazendo a maior relação retorno-risco.”
O rebalanceamento acontece mensalmente, no fechamento do último dia útil, com a nova composição passando a valer no primeiro pregão do mês seguinte. Os índices seguidos por XAIX e CNQQ têm calendários próprios de revisão semestral.
As mudanças de peso seguem regras predefinidas. Não se trata, portanto, de uma decisão discricionária tomada mensalmente por um gestor com base em uma avaliação subjetiva do mercado.
Fernando Pairol destacou essa característica ao explicar a diferença entre o BRIA11 e estratégias temáticas com pesos fixos.
“Aqui no Brasil já tem alguns ETFs e alguns produtos focados em IA, mas são alocações mais estáticas. A solução que a gente quer trazer é justamente ter essa alocação dinâmica por meio de um único veículo.”

Créditos: B3
Para que serve a parcela em CDI
Além de calcular a distribuição entre XAIX e CNQQ, o índice utiliza um filtro baseado na média móvel de 200 dias. A regra procura identificar tendências e reduzir parcialmente a exposição quando os preços permanecem abaixo de determinados parâmetros.
O sinal de saída é acionado após cinco pregões consecutivos com o preço abaixo de 98% da média móvel de 200 dias. Para a entrada, são considerados cinco pregões consecutivos acima de 102% da média. Entre esses limites, a metodologia mantém o estado anterior.
Quando o filtro identifica uma tendência desfavorável, parte da carteira pode ser direcionada ao CDI. Essa parcela está limitada a 30% do índice, o que significa que o BRIA11 mantém ao menos 70% em renda variável, mesmo quando os dois ETFs ficam abaixo dos parâmetros estabelecidos.
Na analogia usada por Clayton Rodrigues, esse mecanismo funciona como um sistema de freio. “Em cima de tudo isso, você tem um sistema de controle de riscos. Quando a metodologia percebe que algum dos dois ETFs entra em bear market, ela retira o risco automaticamente. Então pode ficar até 30% do fundo alocado em caixa, rendendo CDI.”
Fernando Pairol também relacionou a parcela em CDI aos momentos em que os sinais da estratégia indicam um ambiente menos favorável. “Quando o mercado estiver um pouco mais pessimista, existe a possibilidade de fazer uma alocação em caixa, esperando um momento mais adequado para montar a alocação em um desses dois ETFs lá fora”, afirmou Pairol.
A transferência parcial para o CDI não impede perdas nem funciona como garantia de preservação do patrimônio. O mecanismo reduz apenas uma parcela da exposição. Como o índice permanece com pelo menos 70% em renda variável, quedas nos ativos internacionais e oscilações cambiais continuam capazes de afetar o resultado.
Também existe um intervalo entre os movimentos do mercado, a confirmação dos sinais e o rebalanceamento da carteira. Por isso, mudanças rápidas de preço podem ocorrer antes que a metodologia ajuste a exposição.
Exposição internacional e risco cambial
Os ativos subjacentes são negociados em dólar, e o BRIA11 não possui proteção cambial. Dessa forma, o desempenho para o investidor brasileiro é influenciado tanto pela variação dos ETFs internacionais quanto pela oscilação do dólar em relação ao real.
Uma valorização do dólar pode ampliar, em reais, um resultado positivo dos ativos externos ou compensar parcialmente uma queda. No sentido contrário, a valorização do real pode reduzir o retorno obtido no exterior quando ele é convertido para a moeda brasileira.
Também há concentração temática. Embora a carteira distribua os recursos entre empresas, países e diferentes segmentos da cadeia tecnológica, seu foco permanece ligado à inteligência artificial e à transformação digital. Uma mudança regulatória, comercial ou tecnológica pode afetar diversas posições ao mesmo tempo.
A exposição à China acrescenta riscos relacionados ao ambiente regulatório, às relações comerciais internacionais e às características próprias do mercado local. Já a carteira global possui participação relevante de empresas de semicondutores e hardware. Isso cria alguma exposição comum a determinados fatores setoriais, mesmo com a diversificação geográfica.

Créditos: B3
Taxas e custos do BRIA11
O BRIA11 cobra 0,30% ao ano pela soma das taxas de administração e gestão, além de uma taxa de custódia de 0,03% ao ano sobre o patrimônio líquido. Como o fundo investe em ETFs no exterior, os custos desses veículos também fazem parte da estrutura.
O XAIX possui taxa total de 0,35% ao ano, enquanto a taxa do CNQQ é de 0,75% ao ano. Por isso, o custo consolidado varia de acordo com o peso de cada ETF na carteira.
Os exemplos apresentados para diferentes composições indicam um custo total de 0,55% ao ano em uma carteira com 70% em XAIX e 30% em CDI, de 0,85% ao ano em uma divisão de 50% entre XAIX e CNQQ e de 1,05% ao ano em uma carteira integralmente alocada no CNQQ. São cenários de composição, não uma taxa única e permanente.
As cotas são negociadas no mercado secundário da B3. Além das taxas da estrutura, o investidor deve considerar os custos de negociação e a diferença que pode existir entre os preços de compra e venda das cotas.
A tributação informada é de 15% sobre o ganho de capital na venda das cotas, conforme as regras aplicáveis aos ETFs de renda variável. As obrigações de cálculo e recolhimento devem ser verificadas de acordo com a legislação em vigor e com a situação de cada investidor.
O que observar ao avaliar o ETF
O BRIA11 reúne três elementos centrais: exposição temática à inteligência artificial, distribuição geográfica entre o mercado global e a China e uma metodologia quantitativa que modifica mensalmente os pesos da carteira.
Para Clayton Rodrigues, o objetivo da estrutura é evitar a criação de diversos fundos separados para cada recorte da cadeia tecnológica.
“Se a gente fosse fazer um ETF para cada tema, para cada geografia, teria que lançar pelo menos uns 20 ETFs e ficar atualizando toda hora. Então a ideia foi trazer tudo em um único veículo.”
A combinação diferencia o BRIA11 de ETFs que mantêm exposição fixa a um índice temático. Ao mesmo tempo, acrescenta camadas de funcionamento que precisam ser consideradas, como as metodologias dos ETFs subjacentes, o ajuste mensal, o filtro de tendência, a influência do câmbio e os custos acumulados da estrutura.
Os resultados históricos apresentados para o FTSE AI Global Leaders Composite Index são baseados em um backtest. Isso significa que representam uma simulação de como as regras teriam se comportado no passado, e não o histórico efetivo do BRIA11. Simulações podem produzir resultados diferentes daqueles observados na operação real e não garantem desempenho futuro.
A avaliação do produto também deve considerar sua volatilidade, a concentração temática, os riscos do mercado chinês, a exposição cambial e a liquidez das cotas na B3. A existência de um mecanismo de redução parcial de risco não transforma o BRIA11 em um produto de renda fixa nem elimina a possibilidade de perdas.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de compra ou venda, oferta de investimento ou análise individual de adequação.