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NDIV11 completa três anos: retornos, fluxo e a trajetória do primeiro ETF brasileiro a distribuir dividendos

Créditos: iStock

O NDIV11, ETF da Nu Asset, completa três anos nesta terça-feira, 29 de setembro. Lançado em 2023, o fundo inaugurou no Brasil a distribuição de dividendos por um ETF. A estrutura permite acompanhar uma carteira de ações selecionadas por regras públicas e receber pagamentos mensais feitos pelo próprio fundo.

Na data-base de 28 de setembro, o patrimônio do NDIV11 estava próximo de R$ 152,75 milhões, de acordo com a plataforma DEX PRO, com uma base próxima de 24 mil cotistas. O fundo cobra taxa de administração de 0,50% ao ano.

O ETF acompanha o Índice Bovespa Smart Dividendos B3. A seleção começa nas ações e units presentes no Ibovespa e reúne os ativos situados entre os 25% com maior dividend yield médio ponderado dentro do universo elegível. A participação de cada empresa é definida por um score que combina frequência dos pagamentos, dividend yield e variação dos valores distribuídos. A carteira é rebalanceada a cada quatro meses.

 

Fonte: Nu Asset

 

Esse desenho explica por que a estratégia envolve mais do que ordenar ações pelo último dividendo pago. Ela considera a recorrência dos proventos e a estabilidade dos valores distribuídos. A carteira mantém, porém, os riscos da renda variável: os preços das ações oscilam e os pagamentos das empresas dependem de seus resultados e de suas decisões de distribuição.

Retornos em diferentes janelas

A análise do NDIV11 precisa considerar os proventos recebidos pelo cotista. Observar apenas a cotação deixa de fora uma parte do resultado econômico do fundo. Na série de retornos do valor patrimonial exibida pelo DEX PRO, o ETF acumulava alta de 5,26% em 2026 até 28 de setembro e 17,15% em 12 meses.

 

 

As janelas mais curtas mostram um comportamento distinto: o retorno era de -0,50% em um mês, -0,09% em três meses e -0,52% em seis meses. Os números colocam em perspectiva a trajetória do fundo. O resultado positivo em 12 meses convive com uma oscilação próxima de zero ou negativa nos recortes recentes, reflexo da exposição às ações brasileiras que compõem a estratégia.

Há também diferença entre medir o valor patrimonial e observar o preço pelo qual as cotas são negociadas na bolsa. Na série de mercado do DEX DEV, o retorno acumulado em 2026 era de 5,06%, ante 5,26% pela série patrimonial. Em 12 meses, os números eram de 17,02% e 17,15%, respectivamente. Preço de negociação e valor patrimonial não precisam coincidir em todos os momentos.

O que mostram os fluxos

A série mensal de fluxo do NDIV11 registra entrada líquida de R$ 25,43 milhões no acumulado de 2026 até 29 de setembro. O caminho não foi linear. Em julho, houve saída líquida de R$ 44,23 milhões; em agosto, entrada de R$ 5,93 milhões; e setembro acumulava entrada de R$ 12,49 milhões até a data consultada.

Fluxo mede a diferença entre recursos que entram e saem do fundo. Patrimônio líquido responde também à valorização ou desvalorização dos ativos da carteira.

Como funciona a distribuição

Enquanto as empresas da carteira pagam proventos em calendários próprios, o NDIV11 organiza a distribuição ao cotista mensalmente. A Nu Asset informa o valor no quinto dia útil de cada mês e realiza o pagamento no décimo dia útil. O valor distribuído pode variar conforme os recursos recebidos pelo fundo; a periodicidade não fixa uma remuneração mensal.

Mês Provento anunciado
Setembro/26 R$ 1,16
Agosto/26 R$ 0,18
Julho/26 R$ 0,39
Junho/26 R$ 0,37
Maio/26 R$ 1,24
Abril/26 R$ 0,36
Março/26 R$ 0,66
Fevereiro/26 R$ 0,47
Janeiro/26 R$ 2,76

Os três primeiros anos do NDIV11 mostram duas dimensões que devem ser lidas juntas: a evolução da carteira de ações e o dinheiro distribuído aos cotistas. O fundo ampliou as formas de exposição a uma estratégia de dividendos no mercado brasileiro, mas seus resultados continuam ligados ao desempenho das empresas e às oscilações da bolsa.

Por fim, vale reforçar que os ETFs de dividendos da B3 contam com retenção de 15% sobre o provento anunciado. Ou seja, se o fundo anuncia R$ 1 por cota, o investidor receberá R$ 0,85.

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