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A semana encerrada foi especialmente dura para os ETFs brasileiros ligados a matérias-primas. O MATB11 caiu 3,63%, mais que o recuo de 0,90% do BOVA11. O CMDB11 perdeu 3,08% e o BXPO11, 2,69%, enquanto o BDOM11, concentrado em empresas com receitas predominantemente domésticas, cedeu 0,41%. Vale e Klabin ocuparam posições centrais nas carteiras mais expostas a materiais.
O pano de fundo foi uma combinação adversa para parte dessas empresas. A produção chinesa de aço bruto caiu 3,7% em agosto ante um ano antes, para 74,6 milhões de toneladas, segundo a associação mundial do aço. O dado reforçou a atenção sobre a demanda final que sustenta minério e siderurgia.
Na bolsa brasileira, VALE3 recuou 3,54% no fechamento da semana; SUZB3 perdeu 6,23% e KLBN11, 5,17%. O dólar terminou a semana perto de R$ 5,18, acima dos cerca de R$ 5,14 da sexta anterior. A valorização da moeda americana, portanto, não impediu a queda dessas ações: o comportamento do preço de cada empresa e de seus mercados foi decisivo.
MATB11 (Itaú Asset): -3,63%
O MATB11 acompanha o Índice de Materiais Básicos da B3 (IMAT). Na carteira teórica da bolsa válida para setembro a dezembro, Gerdau PN representava 20,40%, Suzano 19,50%, Vale 19,18% e Klabin 10,85%. Juntas, essas quatro posições somavam aproximadamente 69,9% do índice.
A composição mistura aço, celulose, minério e embalagens; a semana mostrou que esses segmentos podem sofrer pressões simultâneas, embora por canais econômicos diferentes.
Suzano foi o maior foco de pressão entre os quatro nomes principais: a ação saiu de R$ 47,99 para R$ 45,00. Klabin foi de R$ 19,14 para R$ 18,15, e Vale, de R$ 73,37 para R$ 70,77. Na fatia siderúrgica, Gerdau recuou de R$ 25,34 para R$ 24,99, perda de 1,38%, bem menor que a de celulose e embalagens.
BXPO11 (Investo): -2,69%
O BXPO11 seleciona companhias brasileiras com ao menos metade da receita vinda de fora do país.
A carteira divulgada pela gestora em 21 de setembro tinha 47,36% em materiais. Entre os maiores pesos apareciam Suzano (8,37%), Gerdau PN (7,68%), Vale (7,64%) e Metalúrgica Gerdau (5,51%). Só esses quatro nomes reuniam 29,20% do ETF; a carteira também incluía Embraer, PRIO, WEG e empresas de proteína animal.
A queda de Suzano e Vale atingiu, assim, uma parcela relevante do fundo. O desenho de BXPO11, porém, limitou o peso de cada empresa e repartiu o restante entre exportadoras de indústrias distintas.
CMDB11 (BTG Asset): -3,08%
O CMDB11 acompanha o Índice Teva Ações Commodities Brasil, que reúne produtoras brasileiras de diferentes matérias-primas. No rebalanceamento divulgado pelo provedor, Vale tinha 20,00%, PRIO 13,89%, Petrobras PN 10,71%, Petrobras ON 9,29%, Gerdau PN 9,18%, Suzano 8,72% e Klabin 5,35%.
Além das quedas de Vale e Suzano, PRIO3 recuou de R$ 63,24 para R$ 59,35, perda de 6,15%. O petróleo teve forte volatilidade: a Nasdaq registrou queda aproximada de US$ 10 por barril no início da semana, seguida de recuperação parcial.
Por fim, Petrobras oscilou e terminou a sexta em baixa, somando pressão à parcela de energia.
BDOM11 (Investo): -0,41%
O contraste é BDOM11. O fundo reúne empresas com mais de 50% da receita originada no mercado brasileiro.
Na carteira recente, serviços financeiros respondiam por 40,59%, utilidades públicas por 16,22% e energia por 11,58%. Itaú Unibanco tinha 8,13%, Petrobras 7,92%, Nu Holdings 6,75% e Bradesco 5,60%.
O BDOM11 também caiu, pois bancos, energia e consumo não ficaram imunes à oscilação da bolsa.