Em sua coluna de estreia, Samir Kerbage, CIO da Hashdex comenta sobre o primeiro trimestre dos ativos digitais e como que o investidor pode se aproveitar da volatilidade para capturar um potencial de retorno estrutural no longo prazo.
O cenário de estresse: O que moveu o mercado de ativos digitais no primeiro trimestre?
Para entender por que a volatilidade deve ser encarada como uma aliada, é preciso primeiro dissecar o que ocorreu no primeiro trimestre. O mercado se desenrolou em três atos distintos: um movimento inicial devido a tensões geopolíticas no Oriente Médio, seguido pelo “Choque Warsh”, uma surpresa na política monetária dos EUA que provocou uma reprecificação agressiva da liquidez global.

Esse cenário resultou em um processo de desalavancagem que eliminou cerca de US$ 11 bilhões em posições compradas em poucos dias. Para o investidor emocional, um momento de bastante estresse e pânico. Já para o investidor mais consciente, foi a criação de uma distorção de preços que abre caminho para a captura de retornos excedentes.

O Rebalanceamento: Disciplina sobre o Caos
O fundamento por trás do rebalanceamento é simples, mas a sua execução exige um certo controle emocional que muitos investidores não conseguem tão facilmente. Pode-se dizer que seria até um contrassenso para muitos investidores. Ao definir um percentual fixo para cripto em uma carteira diversificada, a volatilidade, como a observada em fevereiro, força o investidor a “comprar o medo”, ou seja, aumentar a exposição após a queda e “vender o otimismo”, realizar lucros após altas mais expressivas.
Em ativos com a volatilidade de cripto, essa flutuação de preços não é um risco a ser evitado, mas sim o combustível que permite comprar mais a preços descontados sem aumentar o risco total da carteira no longo prazo.
A Maturidade Institucional
Apesar da queda nos preços, a participação institucional no fornecimento de Bitcoin quase triplicou desde 2024, atingindo patamares próximos a 23,9% no final do trimestre. Isso sinaliza que este tipo de bolso não está apenas suportando a volatilidade, mas utilizando-a para acumular posições.

O que os dados mostram sobre investir em cripto por meio de índices?
Enquanto o Bitcoin oferece uma resiliência maior em momentos de maior estresse na classe de ativos digitais, fazer exposição em cripto através de um índice diversificado como o Nasdaq CME Crypto Index, que é a base do HASH11, captura o “beta de recuperação” de forma amplificada em ciclos de retomada do mercado.

Conclusão: A Volatilidade não é sua Inimiga
A grande lição que o primeiro trimestre e a teoria do rebalanceamento nos deixam é que o sucesso em ativos digitais não depende da capacidade de prever o próximo tweet ou conflito geopolítico, mas sim da robustez da estrutura da carteira. Em um mercado onde o medo e a ganância oscilam com a mesma velocidade da liquidez global, ter a volatilidade como aliada, ao invés de inimiga, é o que separa os alocadores de sucesso dos espectadores do mercado.
