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Argentina e Brasil resistem à pressão externa; China fecha ranking de ETFs por região

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Créditos: iStock

 

A distância entre o primeiro e o último colocado foi de 2,90 pontos percentuais. ARGE11 e BOVA11 terminaram no campo positivo, enquanto o DOLB11 apresentou leve queda de 0,03%. SPXR11, SPXI11 e WRLD11 recuaram, e as exposições aos mercados emergentes e à China encerraram a relação com perdas de 1,82%.

O mercado brasileiro avançou mesmo diante de um ambiente externo menos favorável. O Ibovespa ganhou 1,11% na semana e completou quatro períodos consecutivos de valorização, embora tenha caído 0,56% na sexta-feira. O saldo de capital estrangeiro na Bolsa acumulava R$ 10,5 bilhões desde 21 de agosto, dando suporte à sequência positiva dos ativos locais.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 caiu 0,8%, o Nasdaq recuou 0,7% e o Dow Jones perdeu 1,6% na semana. O mercado reagiu à combinação de inflação ainda resistente, petróleo mais caro e alta dos rendimentos dos Treasuries antes da decisão do Federal Reserve. Na sexta-feira, o índice americano recuperou 0,86%, interrompendo quatro sessões consecutivas de queda, mas não eliminou as perdas acumuladas.

O núcleo do CPI americano subiu 0,3% em agosto, acima da expectativa de 0,2%, enquanto o rendimento do Treasury de dez anos se aproximou de 5%. A leitura reforçou as expectativas de elevação dos juros pelo Federal Reserve e reduziu o apelo relativo das ações, especialmente das empresas mais sensíveis às taxas de longo prazo.

A diferença entre as regiões, portanto, não veio de um único fator. Brasil e Argentina avançaram com apoio de movimentos locais, enquanto Estados Unidos, mercados globais e emergentes enfrentaram um ambiente de juros americanos mais altos, pressão inflacionária e menor disposição para risco.

ARGE11 (Investo): +1,08%

O ARGE11 liderou o ranking com alta de 1,08%. O ETF acompanha o MarketVector US Listed Argentina Index Global Exposure, formado por empresas argentinas negociadas nos Estados Unidos, com critérios de liquidez e capitalização e limite de 20% por companhia.

Na composição de agosto, YPF representava 19,91%, Grupo Financiero Galicia, 16,86%, Ternium, 13,69%, Pampa Energía, 12,02%, Banco Macro, 7,99%, Central Puerto, 6,09%, e Telecom Argentina, 4,69%. A carteira estava concentrada principalmente em energia, bancos, siderurgia e telecomunicações.

O S&P Merval avançou nas três primeiras sessões do recorte, com altas de 0,88% na terça-feira, 1,11% na quarta e 1,53% na quinta. O índice recuou 1,87% na sexta-feira, mas ainda encerrou a semana com ganho de 1,63%.

Na quinta-feira, ações de energia estiveram entre os destaques do mercado argentino. YPF avançou 2,6%, Transportadora de Gas del Sur ganhou 3,6% e Central Puerto também terminou a sessão em alta. A valorização foi relevante para o ARGE11 devido ao peso elevado de YPF, Pampa Energía e Central Puerto em sua carteira.

Como o índice reúne ações argentinas listadas nos Estados Unidos e a cota é negociada em reais, o retorno também pode refletir movimentos cambiais e diferenças entre os horários de negociação. Ainda assim, o avanço semanal do mercado argentino e a força das empresas de energia sustentaram a liderança do fundo.

BOVA11 (BlackRock): +1,05%

O BOVA11 avançou 1,05%, acompanhando de perto a alta de 1,11% do Ibovespa. O ETF replica o principal índice do mercado acionário brasileiro, com exposição relevante a empresas como Vale, Petrobras, Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil.

A semana foi sustentada pela recuperação dos bancos e pelo fluxo estrangeiro. Na quinta-feira, quando o Ibovespa avançou 1,42%, Bradesco subiu 3,9%, Banco do Brasil ganhou 2,8% e Itaú avançou 1,8%. O movimento permitiu que o índice brasileiro se descolasse das perdas registradas em Nova York.

Na sexta-feira, o Ibovespa recuou 0,56%, pressionado pela cautela política e pela realização em commodities. O petróleo e o minério de ferro caíram na sessão, mas Santander, Itaú, Bradesco e BTG Pactual continuaram no campo positivo.

O IPCA de agosto registrou deflação de 0,32%, reforçando a perspectiva de continuidade dos cortes da Selic. Esse fator favoreceu a percepção sobre os ativos brasileiros, embora a curva de juros futuros tenha terminado a sexta-feira em alta diante da cautela política e das expectativas para as decisões dos bancos centrais.

A diferença de 0,06 ponto percentual entre o BOVA11 e o Ibovespa ficou dentro do comportamento esperado de um veículo que busca replicar o índice, considerando custos, horários de apuração e eventuais diferenças de aderência. O principal vetor da semana foi o peso dos bancos na carteira, apoiado pelo fluxo estrangeiro e pelo avanço das ações financeiras.

DOLB11 (BTG Pactual): -0,03%

O DOLB11 apresentou queda de 0,03%, ficando praticamente estável. O ETF replica o S&P/B3 BRL-USD Mini Futures Index, que representa o desempenho de um minicontrato futuro de dólar renegociado mensalmente.

O dólar comercial terminou a semana com recuo acumulado de 0,10% frente ao real. Na sexta-feira, a moeda avançou 0,44%, para aproximadamente R$ 5,12, em um movimento associado à cautela política e à busca por proteção antes do fim de semana. Essa alta final compensou grande parte das perdas registradas anteriormente.

Como o DOLB11 acompanha contratos futuros, seu retorno não deve ser tratado como uma reprodução exata da variação do dólar à vista. A rolagem mensal, o cupom cambial, o carregamento e a marcação dos contratos podem criar diferenças entre a cota e a moeda no mercado comercial.

A estabilidade do ETF foi compatível com uma semana em que o dólar terminou praticamente no mesmo nível em relação ao real. A alta da sexta-feira impediu uma perda maior, mas não foi suficiente para levar o retorno acumulado do fundo ao campo positivo.

SPXR11 (Itaú Asset): -0,29%

O SPXR11 recuou 0,29%. O fundo oferece exposição ao mercado acionário americano por meio de contratos futuros do S&P 500 com estrutura quanto em reais. A metodologia elimina a exposição cambial direta e incorpora o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos ao retorno do índice.

O S&P 500 caiu 0,8% na semana, com perdas nas três primeiras sessões do recorte. A recuperação de 0,86% na sexta-feira reduziu o recuo acumulado, mas não reverteu o resultado negativo.

O mercado americano foi pressionado pelo aumento dos rendimentos dos Treasuries e pela expectativa de aperto monetário. Na quinta-feira, o rendimento do título de dez anos chegou a aproximadamente 4,96%, enquanto a alta do petróleo acima de US$ 100 ampliou as preocupações com a inflação.

O SPXR11 caiu menos que o índice americano. Essa diferença foi compatível com a estrutura quanto e com o diferencial de juros incorporado ao índice de referência, além das diferenças de horário entre a B3 e o mercado americano. O retorno não recebeu contribuição direta da oscilação do dólar frente ao real.

SPXI11 (Itaú Asset): -0,92%

O SPXI11 caiu 0,92%, resultado próximo à perda semanal de 0,8% do S&P 500. O ETF acompanha o índice americano com exposição cambial, ao contrário da estrutura quanto do SPXR11.

O índice perdeu terreno durante três sessões consecutivas antes de se recuperar na sexta-feira. A inflação ao produtor acima do esperado, a alta do petróleo e o avanço dos rendimentos dos Treasuries reforçaram a perspectiva de juros mais elevados nos Estados Unidos.

O dólar terminou a semana praticamente estável frente ao real, com queda de 0,10%. Dessa forma, a variação cambial agregada ofereceu pouca compensação para a perda do mercado subjacente.

WRLD11 (Investo): -1,01%

O WRLD11 recuou 1,01%. O ETF replica no Brasil o Vanguard Total World Stock ETF, o VT, e oferece exposição a aproximadamente 10 mil empresas de mercados desenvolvidos e emergentes.

Os Estados Unidos representavam 62,04% da composição geográfica, seguidos por Japão, com 5,83%, Reino Unido, com 3,30%, Taiwan, com 3,08%, Canadá, com 3,04%, e China, com 2,77%. Entre as maiores posições estavam Nvidia, Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet, Broadcom e Taiwan Semiconductor Manufacturing.

A elevada participação dos Estados Unidos fez com que a queda do S&P 500 influenciasse diretamente o fundo. Além disso, a tecnologia representava 31,57% da carteira, deixando o ETF exposto à pressão causada pelos rendimentos mais altos dos títulos americanos sobre as avaliações das companhias de crescimento.

A diversificação internacional não eliminou o impacto porque outras regiões relevantes também enfrentaram perdas. A China recuou na semana, enquanto mercados como a Índia foram pressionados pelo petróleo mais caro, pelos juros americanos elevados e pelas saídas de investidores estrangeiros.

O retorno negativo de 1,01% refletiu, assim, a combinação entre a queda das ações americanas, a fraqueza de parte dos mercados emergentes e uma variação cambial insuficiente para compensar o desempenho dos ativos subjacentes.

IVWO11 (Investo): -1,82%

O IVWO11 caiu 1,82%, empatando com o PKIN11 na última posição. O ETF replica no Brasil o Vanguard FTSE Emerging Markets ETF e oferece exposição a milhares de empresas de mais de 20 economias emergentes.

A carteira tinha Taiwan com 30,80%, China com 27,60%, Índia com 17,00%, Brasil com 4,50% e África do Sul com 3,70%. A Taiwan Semiconductor Manufacturing representava 14,93%, seguida por Tencent, com 3,18%, Alibaba, com 2,32%, e MediaTek, com 1,30%.

A composição deixou o ETF exposto principalmente ao desempenho das ações asiáticas. O mercado chinês recuou na semana, com perdas mais acentuadas na quinta e na sexta-feira. As bolsas indianas também caíram, pressionadas pela alta do petróleo, pelas tensões geopolíticas e pela preocupação com os juros globais.

A elevação dos rendimentos dos Treasuries reduziu adicionalmente a disposição para risco nos mercados emergentes. Juros americanos mais altos aumentam o retorno relativo dos ativos denominados em dólar e podem pressionar os fluxos destinados a essas economias.

Como o fundo é negociado em reais e investe no VWO, diferenças cambiais e de horário também influenciam sua cota. Ainda assim, a queda conjunta de China e Índia, somada ao ambiente de juros americanos mais altos, explica a posição do ETF na parte inferior do ranking.

PKIN11 (Bradesco Asset): -1,82%

O PKIN11 também recuou 1,82%. O ETF oferece acesso ao mercado acionário da China continental por meio do China Universal CSI 300 ETF, que acompanha as 300 maiores e mais líquidas ações de grande capitalização listadas no país.

A estratégia concentra-se em empresas dos setores financeiro, tecnologia, consumo, saúde e materiais. Diferentemente do IVWO11, que combina diversas economias emergentes, o PKIN11 mantém uma exposição direcionada ao núcleo do mercado chinês.

O mercado avançou moderadamente na terça e na quarta-feira, mas perdeu força nas duas sessões seguintes. A reversão levou o índice subjacente a encerrar a semana no campo negativo.

O fundo terminou empatado com o IVWO11, mas os dois produtos chegaram ao mesmo retorno por exposições distintas. O PKIN11 concentrou a perda na China continental, enquanto o IVWO11 combinou a fraqueza chinesa com quedas em outros mercados emergentes, especialmente a Índia.

 


Dados exclusivos do DEX PRO. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos.

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