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Juros reais longos recuam mais de 10 pontos-base e impulsionam ETFs de inflação

Créditos: iStock

A valorização dos ETFs de inflação ontem, 21 de outubro, teve um motor visível na curva de juros reais: a queda das taxas foi mais intensa em títulos longos. A taxa indicativa da NTN-B com vencimento em 2055 passou de 6,7352% para 6,6240% ao ano, recuo de 11,12 pontos-base. No vencimento de 2060, a baixa foi de 10,86 pontos-base.

Entre os ETFs, o IMAB11 avançou 0,65%, o XB4511 subiu 0,62%, o PACB11 ganhou 0,58% e o IB5M11 valorizou 0,45%. As oscilações foram mais moderadas no B5P211, com +0,08%, e no LFTS11, com +0,07%.

O movimento ocorreu com a Bolsa brasileira pressionada e com um ambiente externo mais favorável a risco.

Como a curva mudou de um fechamento para o outro

Vencimento da NTN-B 20/10 21/10 Variação
Agosto de 2028 6,8459% 6,8300% -1,59 pb
Maio de 2035 6,8631% 6,8274% -3,57 pb
Maio de 2045 6,7702% 6,6785% -9,17 pb
Maio de 2055 6,7352% 6,6240% -11,12 pb
Agosto de 2060 6,7362% 6,6276% -10,86 pb

Taxas reais indicativas anuais. Um ponto-base corresponde a 0,01 ponto percentual.

A diferença apareceu também nos preços unitários indicativos. A NTN-B 2028 teve valorização de aproximadamente 0,06% entre os dois fechamentos, enquanto a NTN-B 2045 avançou 0,98% e a NTN-B 2055 ganhou 1,41%. O deslocamento mais intenso das taxas longas se combinou com o prazo maior dos títulos para ampliar a reação dos preços.

ETF Gestora Ontem (21) Em 1 mês Em 2026
IMAB11 Itaú Asset +0,65% +6,13% +15,58%
XB4511 XP Asset +0,62% +8,46% —
PACB11 BTG Pactual +0,58% +8,70% +15,98%
IB5M11 Itaú Asset +0,45% +7,36% +15,07%
B5P211 Itaú Asset +0,08% +2,76% +13,72%
LFTS11 Investo +0,07% +0,99% +11,22%

IMAB11 (Itaú Asset): +0,65%

O IMAB11 oferece exposição ao IMA-B, que reúne títulos públicos indexados à inflação em diferentes prazos. Na composição de referência, a NTN-B 2035 representava 12,72%, a 2050 10,87%, a 2045 9,22% e a 2055 7,28%. Juntos, esses quatro vencimentos somavam cerca de 40,10% da cesta.

A distribuição permite que o fundo participe do fechamento dos juros reais longos mesmo mantendo títulos mais curtos. Na sessão, os vencimentos de 2045 e 2055 tiveram quedas de taxas bem maiores que a de 2035, elevando a importância da parcela longa na reação da carteira. O retorno de 0,65% levou o resultado em um mês a 6,13% e o acumulado de 2026 a 15,58%.

XB4511 (XP Asset): +0,62%

O XB4511 tem uma exposição muito mais concentrada. 100% da carteira estava na NTN-B com vencimento em maio de 2045. Essa posição conecta o ETF diretamente a um ponto específico da curva real, em vez de distribuir o risco por vários vencimentos.

A taxa desse título caiu de 6,7702% para 6,6785%, enquanto seu preço unitário indicativo passou de R$ 4.533,67 para R$ 4.577,95. A valorização de aproximadamente 0,98% do título é a evidência do motor favorável à carteira. Na negociação em Bolsa, o ETF avançou 0,62%, acumulando 8,46% em um mês.

 

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PACB11 (BTG Pactual): +0,58%

O PACB11 acompanha o Índice Teva Tesouro IPCA Ultra Longo Convexity Enhanced, que seleciona os três títulos ligados ao IPCA de maior prazo no mercado. No rebalanceamento de 1º de outubro, a NTN-B 2055 tinha 60% da referência, enquanto os vencimentos de 2050 e 2060 tinham 20% cada. A concentração em 2055 coloca a maior parcela justamente em um dos pontos de maior queda de taxa da sessão.

Aas taxas das NTN-Bs de 2050, 2055 e 2060 recuaram 9,53, 11,12 e 10,86 pontos-base, respectivamente. O avanço de 0,58% do ETF ocorreu nesse ambiente de valorização da dívida pública ultralonga. A janela de um mês, com 8,70%, e o retorno no ano, de 15,98%, mostram o desempenho acumulado da estratégia.

IB5M11 (Itaú Asset): +0,45%

O IB5M11 acompanha o IMA-B 5+, composto por títulos indexados ao IPCA com vencimentos superiores a cinco anos. A carteira distribui a exposição por vários pontos longos da curva. Por isso, seu resultado reúne movimentos como a queda de 3,57 pontos-base em 2035 e recuos próximos ou superiores a 10 pontos-base nos vencimentos mais distantes.

A alta de 0,45% representa a reação dessa cesta ao fechamento dos juros reais. O retorno de 7,36% em um mês permaneceu acima do apresentado pelo B5P211, cuja seleção se concentra em vencimentos menores.

B5P211 (Itaú Asset): +0,08%

O B5P211 acompanha o IMA-B 5 P2, uma referência de títulos públicos ligados à inflação com vencimento de até cinco anos.

O movimento da NTN-B 2028 ilustra essa diferença: a taxa recuou apenas 1,59 ponto-base, e o preço indicativo subiu aproximadamente 0,06%. Essa observação ajuda a interpretar por que o retorno diário do B5P211, de 0,08%, foi mais moderado que o dos ETFs com exposição à parte longa. Em um mês, o fundo acumulava 2,76%, chegando a 13,72% em 2026.

LFTS11 (Investo): +0,07%

O LFTS11 acompanha uma carteira de LFTs, títulos públicos vinculados à Selic. Seu principal motor é a remuneração pós-fixada, com exposição muito diferente daquela das NTN-Bs de prazo longo.

O avanço de 0,07% ocorreu com retorno de 0,99% em um mês e 11,22% no ano. A comparação com as carteiras de inflação mostra que produtos reunidos sob a classificação de renda fixa podem responder a riscos distintos: no LFTS11 predomina o carregamento da Selic; nos ETFs de IPCA, a oscilação dos juros reais e o prazo dos títulos podem ter impacto expressivo no resultado de uma única sessão.

 


Conteúdo informativo. Não constitui recomendação de investimento.

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