A semana passada foi marcada por movimentos intensos nos mercados globais. Os ajustes na política monetária local, surpresas nos dados de emprego dos Estados Unidos e o desenrolar das tensões geopolíticas no Oriente Médio ditaram o ritmo dos negócios. Esse cenário de maior aversão ao risco direcionou o fluxo de capital para ativos reais e setores estratégicos, impactando diretamente o desempenho dos fundos de índice (ETFs) negociados na B3.
Panorama Macroeconômico Semanal
Para contextualizar a performance dos ativos, é fundamental observar os pilares econômicos que ditaram o ritmo do mercado na semana.
No dia 07 de agosto ocorreu a publicação do payroll. O relatório oficial contrariou as estimativas (que previam criação de 80 mil vagas) ao registrar o fechamento líquido de 23 mil postos de trabalho. Como consequência, a taxa de desemprego recuou para 4,1% via retração da força de trabalho. Os dados esfriaram o dólar globalmente, fazendo a moeda encerrar a semana cotada a R$ 5,0836 no mercado doméstico.
Já no cenário local, o dia 05 de agosto foi marcado pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Confirmando a expectativa consensual, a taxa Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual, passando de 14,25% para 14,00% ao ano. A decisão encontrou suporte na acomodação dos preços; o Boletim Focus registrou a quinta redução consecutiva na projeção do IPCA para o ano, agora estimada em 5,03%.
E por fim, a manutenção das taxas pelo Federal Reserve americano, combinada com a expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz, ajustou a inclinação das curvas de juros globais. A trégua parcial nos conflitos do Oriente Médio contribuiu para o alívio nas cotações do petróleo Brent, mitigando temporariamente os temores de inflação importada.
Top 7 ETFs da Semana: Destaques de Rentabilidade
O fluxo de notícias econômicas e setoriais impulsionou os fundos temáticos. Confira o ranking dos sete ETFs que registraram os maiores retornos na semana:
1. RARA11 +16,89%
O fundo com foco no setor de terras raras e metais estratégicos liderou com folga os ganhos semanais. A performance excepcional foi diretamente tracionada pela divulgação de um estudo setorial pela Amcham Brasil em 06 de agosto. O relatório projetou que a cadeia de terras raras possui o potencial de injetar R$ 192 bilhões no PIB brasileiro até 2050 (com R$ 2,39 bilhões previstos apenas para o estado de Goiás) e gerar 750 mil novos empregos, sinalizando viabilidade e forte potencial de crescimento para o setor.
2. NUCL11 +10,51%
A energia nuclear consolidou-se como um dos principais temas da semana. O mercado reagiu positivamente a importantes desdobramentos operacionais divulgados no início de agosto, com destaque para a assinatura do acordo de fornecimento de urânio enriquecido (HALEU) entre a X-Energy e a Centrus Energy, além do início da construção em larga escala da mina de urânio de Phoenix, no Canadá. Comunicados reafirmando o cumprimento das metas de produção para 2026 por gigantes como Kazatomprom e Cameco trouxeram confiança adicional aos investidores.
3. SLVR11 +10,22%
O ETF referenciado na prata capturou o forte movimento de valorização dos metais preciosos. A busca por ativos de proteção ganhou força diante das tensões militares no Oriente Médio e intensificou-se drasticamente na sexta-feira (07), em resposta aos dados frustrantes do mercado de trabalho norte-americano, direcionando o capital para portos seguros históricos.
4. PRAF11 +9,86%
Acompanhando a mesma tese do SLVR11-BR, o fundo PRAF11-BR, que possui exposição física à prata, também surfou a onda de valorização do metal, beneficiando-se diretamente do aumento da aversão ao risco global e da busca por proteção contra a volatilidade cambial e incertezas macroeconômicas.
5. GLDI11 +8,75%
Acompanhando a dinâmica da prata, o ETF de ouro refletiu o avanço histórico da commodity. No dia 05 de agosto, a onça-troy superou os US$ 4.086, testando o patamar de US$ 4.300 no mercado externo (alta superior a 3%). A queda nos preços do petróleo e a incerteza geopolítica reafirmaram o papel do ouro como principal reserva de valor global.
6. BIZD11 +8,34%
O fundo exposto às Business Development Companies (BDCs) apresentou sólido desempenho. O resultado foi impulsionado pela resiliência do setor financeiro nos EUA, evidenciada na temporada de balanços do início de agosto. Além disso, a manutenção da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) em patamar restritivo continua beneficiando o modelo de negócios dessas empresas de crédito corporativo, que atuam majoritariamente com taxas flutuantes.
7. TECK11 +8,05%
Representando o índice NYSE FANG+, o fundo surfou a contínua força do setor de tecnologia americano. Apesar de movimentos corretivos em ativos específicos de semicondutores ao longo da semana, os índices S&P 500 e Nasdaq retomaram os patamares de máximas históricas. Balanços robustos de companhias ligadas à Inteligência Artificial garantiram ganhos semanais superiores a 8% para o Nasdaq, beneficiando diretamente o ETF.
Os dados foram extraídos da nossa plataforma DEX PRO e refletem o que aconteceu na última semana. Este conteúdo deve ser considerado como informativo e não deve ser interpretado como recomendação de compra ou venda.