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O fluxo recente para ETFs de ações brasileiras ganhou escala, mas a leitura muda conforme o horizonte observado. Na janela de um mês encerrada no dia 16 de outubro, o SMAL11 recebeu R$ 3,762 bilhões líquidos, enquanto o BOVA11 captou R$ 1,453 bilhão. O primeiro também apresentava forte entrada no acumulado de 2026; o segundo ainda registrava resgate líquido de R$ 571 milhões no ano, apesar da captação recente.
O movimento não ficou restrito à bolsa local. O SPXR11, que oferece exposição ao S&P 500 sem variação cambial, recebeu R$ 478 milhões em um mês. O B5P211, de títulos públicos indexados à inflação com prazo inferior a cinco anos, captou R$ 159 milhões. Os quatro fundos somaram R$ 5,852 bilhões de entrada líquida nessa janela, distribuídos entre riscos bastante diferentes.
Até 16 de outubro, BOVA11 acumulava alta de 28,04% no ano, SPXR11 ganhava 19,16%, SMAL11 avançava 16,50% e B5P211 subia 13,27%, todos a mercado.
SMAL11 (BlackRock): +16,50% no ano
O SMAL11 apresentava captação líquida de R$ 4,710 bilhões em 2026. A entrada de R$ 3,762 bilhões na janela de um mês correspondia a aproximadamente 79,9% desse saldo anual. O dado mostra a concentração recente do fluxo líquido no veículo de small caps.
A leitura fica mais interessante ao incorporar o desempenho da última semana: o ETF perdeu 6,29%, apesar de continuar positivo em 16,50% no ano. Nas posições relevantes, Renner recuou 10,36%, Totvs perdeu 4,53% e Copasa caiu 4,57% entre 9 e 16 de outubro. No fechamento da sexta-feira, esses papéis representavam, respectivamente, 3,32%, 5,23% e 5,88% da carteira. A correção atingiu empresas diferentes e ajuda a explicar a perda semanal, mesmo em um contexto de forte captação na janela mensal.
O portfólio tinha 26,88% em consumo discricionário e 10,93% em imobiliário, segmentos sensíveis à atividade e ao custo de capital.
BOVA11 (BlackRock): +28,04% no ano
O BOVA11 recebeu R$ 1,453 bilhão em um mês, mas seu saldo anual continuava negativo em R$ 571 milhões. A combinação mostra que a captação recente compensou parte das saídas acumuladas em outros momentos de 2026, sem ainda converter o ano em entrada líquida. Ao mesmo tempo, sua cota registrava valorização de 28,04%, a maior entre as quatro estratégias desta análise.
Na semana passada, o ETF perdeu 1,58%, com forças opostas na carteira. Petrobras PN avançou 6,57% e Petrobras ON ganhou 5,44%; juntas, representavam 14,58% do fundo no fechamento. Itaú, com 8,79%, caiu 4,72%, e Vale, com 8,36%, perdeu 2,49%. O petróleo ofereceu compensação, enquanto um grande banco e a mineradora pressionaram o conjunto. São esses movimentos dos ativos, e não a captação isoladamente, que ajudam a explicar a performance semanal.

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SPXR11 (Itaú Asset): +19,16% no ano
O SPXR11 captou R$ 478 milhões em um mês e R$ 1,349 bilhão no acumulado de 2026. O fundo oferece acesso ao S&P 500 sem a variação cambial de uma exposição tradicional às ações americanas em dólares. O retorno inclui a dinâmica da exposição ao índice e do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, conforme a metodologia de referência.
O S&P 500 perdeu aproximadamente 1,95% em dólares, e o SPXR11 recuou 1,81% em reais. A queda ocorreu em uma semana de pressão sobre empresas de tecnologia: Nvidia perdeu 6,61%, Broadcom recuou 9,07% e Amazon cedeu 4,74%, enquanto Apple subiu 2,03% e Microsoft caiu 1,13%.
O retorno anual positivo de 19,16% e a captação acumulada também positiva mostram que o veículo chegou ao fechamento de 16 de outubro com crescimento nos dois indicadores.
B5P211 (Itaú Asset): +13,27% no ano
O B5P211 recebeu R$ 159 milhões em um mês e R$ 1,017 bilhão no acumulado do ano. Sua carteira é formada por NTN-Bs, títulos públicos que combinam correção pela inflação e juros reais, dentro do recorte de prazo inferior a cinco anos do IMA-B5 P2.
Na semana até 16 de outubro, o B5P211 caiu 0,23%, enquanto o IB5M11, de títulos de inflação com prazo igual ou superior a cinco anos, perdeu 1,66%. A diferença de 1,43 ponto percentual é compatível com a maior sensibilidade das carteiras longas às mudanças de taxas: quanto mais distante estiverem os pagamentos, maior tende a ser a oscilação do preço quando o mercado altera o retorno exigido.
O ganho anual de 13,27% conviveu, assim, com uma pequena perda na última semana e com captação positiva nos dois horizontes.
Conteúdo informativo. Não constitui recomendação de investimento. Desempenho passado não garante resultados futuros.