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Os ETFs de fatores apresentaram dispersão de 3,12 pontos percentuais na semana, entre a alta de 1,99% do AUVP11 e a queda de 1,13% do HIGH11. Também avançaram BVBR11, BMMT11, DIVO11 e LVOL11, enquanto NSDV11 e QLBR11 acompanharam o fundo de high beta no campo negativo.
O pano de fundo foi positivo para a Bolsa brasileira. O Ibovespa ganhou 1,11% na semana e completou quatro períodos consecutivos de valorização, embora tenha recuado 0,56% na sexta-feira. O avanço anterior contou com o apoio do capital estrangeiro, cujo saldo acumulava R$ 10,5 bilhões desde 21 de agosto.
A composição do movimento favoreceu principalmente as estratégias expostas a bancos e grandes companhias. Na quinta-feira, quando o Ibovespa avançou 1,42%, Bradesco subiu 3,9%, Banco do Brasil ganhou 2,8% e Itaú avançou 1,8%. Na sexta-feira, mesmo com a reversão do índice, Santander subiu 2,34%, Itaú ganhou 0,90%, Bradesco avançou 0,60% e BTG Pactual teve alta de 0,61%.
O IPCA de agosto registrou deflação de 0,32%, reforçando a perspectiva de continuidade dos cortes da Selic. Ao mesmo tempo, os juros futuros encerraram a sexta-feira em alta ao longo da curva, em uma sessão marcada pela cautela política e pelos dados de inflação dos Estados Unidos. O dólar terminou a semana praticamente estável, com queda acumulada de 0,10% frente ao real.

AUVP11 (BTG Pactual): +1,99%
O AUVP11 teve o melhor desempenho do grupo, com alta de 1,99%. O fundo replica o Índice Teva Ações Fundamentos, que seleciona companhias brasileiras com base em critérios de rentabilidade, eficiência operacional, lucratividade recorrente e controle do endividamento.
A carteira estava fortemente concentrada em bancos e Petrobras. Itaú Unibanco representava 15,69%, Petrobras PN, 14,73%, Petrobras ON, 12,98%, Bradesco PN, 6,88%, B3, 6,02%, Itaúsa, 5,81%, e BTG Pactual, 5,10%.
A liderança do ETF refletiu principalmente o peso de Itaú, Bradesco, Itaúsa, B3 e BTG Pactual. As altas dos bancos na quinta e na sexta-feira sustentaram esse bloco da carteira. A exposição combinada às duas classes da Petrobras também manteve o fundo ligado à valorização semanal do petróleo, embora as ações da companhia tenham recuado modestamente na última sessão, após uma realização de lucros na commodity.
O resultado, portanto, não decorreu apenas da metodologia fundamentalista. O desempenho foi produzido por uma carteira concentrada em grandes bancos e Petrobras, dois grupos que apresentaram contribuições positivas durante a construção da alta semanal do mercado.
BVBR11 (Investo): +1,45%
O BVBR11 avançou 1,45%. O ETF replica o Índice Constância Fatores Defensividade, que combina critérios de qualidade, valor e volatilidade e privilegia empresas com estabilidade financeira e histórico consistente de pagamento de dividendos.
A carteira tinha Vale com 15,30%, Petrobras PN com 14,60%, Itaú com 11,48%, Bradesco PN com 5,26%, Itaúsa com 4,86%, Petrobras ON com 4,36% e Axia Energia com 3,91%. Financeiro, materiais, energia e utilities respondiam pela maior parte da exposição setorial do fundo.
A valorização dos bancos ajudou o ETF a superar o Ibovespa na semana. A contribuição desse grupo foi especialmente importante porque Vale encerrou a sexta-feira praticamente estável, enquanto o minério de ferro recuou. Petrobras também perdeu força no fim do período, acompanhando a realização observada no petróleo.
O resultado mostra que o bloco financeiro e a diversificação por utilities e empresas de perfil defensivo compensaram o enfraquecimento das maiores posições ligadas a minério e petróleo no último pregão. A alta do BVBR11 ficou 0,34 ponto percentual acima do Ibovespa.
BMMT11 (Bradesco Asset): +1,19%
O BMMT11 ganhou 1,19%, resultado próximo ao avanço de 1,11% do Ibovespa. O fundo replica o Morningstar Brazil Target Momentum Index, que seleciona 30 ações com base no desempenho recente e distribui os componentes com pesos semelhantes.
A carteira era mais distribuída que a dos dois primeiros colocados. Entre as maiores posições estavam Ultrapar, Vibra, Eneva, BB Seguridade, Caixa Seguridade, Assaí, Companhia Brasileira de Alumínio, CPFL, B3, Itaúsa, Copel e Vale.
O ETF contou com exposições diversificadas a serviços financeiros, utilities, energia e materiais básicos. Essa distribuição reduziu a dependência de uma única ação, enquanto as posições financeiras participaram da valorização acumulada pela Bolsa. Por outro lado, as perdas de B3, Caixa Seguridade e Ultrapar no último pregão limitaram o desempenho na reta final.
DIVO11 (Itaú Asset): +0,83%
O DIVO11 subiu 0,83%. O ETF acompanha o IDIV, índice da B3 composto por empresas que se destacam na distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio. O índice é de retorno total, com reinvestimento dos proventos, e passa por rebalanceamentos quadrimestrais.
A carteira tinha forte presença de serviços financeiros e utilities. Itaúsa representava 5,91%, Petrobras PN, 5,52%, BB Seguridade, 5,22%, Petrobras ON, 5,15%, Bradesco ON, 4,89%, Copel, 4,86%, Bradesco PN, 4,84%, Itaú, 4,78%, Vale, 4,48%, Vibra, 4,41%, Banco do Brasil, 4,37%, e Cemig, 4,30%.
O avanço de Itaú e Bradesco sustentou uma parcela importante do portfólio, assim como a exposição a seguradoras, holdings e utilities. Entretanto, a carteira também carregava Banco do Brasil, além de Petrobras e Vale, que perderam força no encerramento da semana.
Essa compensação ajuda a explicar por que o DIVO11 terminou no campo positivo, mas abaixo do Ibovespa e dos ETFs mais concentrados nos bancos privados. A seleção por dividendos produziu uma carteira diversificada entre finanças, energia e utilities, mas não isolou o fundo da realização observada no último pregão.
LVOL11 (Nu Asset): +0,41%
O LVOL11 avançou 0,41%. O ETF replica o Ibov Smart Low Volatility B3, formado por ações do Ibovespa com menor volatilidade histórica. Na carteira de referência, utilities representavam 32,5%, o setor financeiro, 25,4%, e materiais básicos, 15,3%.
Entre as maiores posições estavam BB Seguridade, Klabin, Taesa, Cemig, Itaúsa, Caixa Seguridade, Itaú e Copel. Petrobras PN tinha peso de 3,95%, enquanto Vale representava 3,43%.
O fundo foi beneficiado pela parcela financeira, sobretudo por Itaú e Itaúsa, mas sua estrutura de baixa volatilidade manteve uma exposição menor aos bancos que lideraram os pregões mais fortes. A carteira também não capturou integralmente a valorização do petróleo, dada a participação relativamente reduzida de Petrobras em comparação com AUVP11 e BVBR11.
No último pregão, a defensividade não impediu perdas em posições relevantes, como Caixa Seguridade e Copel. Essa combinação limitou o retorno semanal a 0,41%, apesar da alta do Ibovespa no período.
NSDV11 (Nu Asset): -0,89%
O NSDV11 recuou 0,89%. Sua carteira de dividendos era concentrada em utilities, com 31,04%, serviços financeiros, com 23,12%, e materiais básicos, com 17,90%.
As maiores posições incluíam BB Seguridade, CSN Mineração, Banco do Brasil, Metalúrgica Gerdau, Taesa, Copasa, Bradesco PN e Itaúsa. A concentração em dividendos, portanto, não resultou em um comportamento homogêneo da carteira.
O fundo tinha exposição expressiva à cadeia de mineração e siderurgia, que perdeu força no encerramento da semana. O minério de ferro recuou na sexta-feira, enquanto CSN figurou entre as maiores perdas do Ibovespa. Banco do Brasil, outra participação relevante, também caiu no último pregão.
Bradesco e Itaú avançaram, mas os ganhos não foram suficientes para neutralizar a fraqueza dos blocos de mineração, siderurgia e parte das utilities.
QLBR11 (Investo): -1,03%
O QLBR11 caiu 1,03%. O ETF replica o MarketVector Brazil Multifactor Quality Index, que seleciona empresas por critérios de liquidez, eficiência operacional, lucratividade, solidez financeira e valuation.
Entre as maiores posições estavam XP, Suzano, BB Seguridade, Itaúsa, Porto Seguro, Cyrela, ISA Energia, Inter, Cury e Hypera. O consumo cíclico correspondia a 32,63% da exposição setorial, seguido pelos serviços financeiros, com 26,78%.
A carteira tinha menor participação nos grandes bancos que lideraram a alta semanal e maior exposição a empresas de consumo cíclico, construção e mercado imobiliário. Essa característica diferenciou o QLBR11 do AUVP11 e do BVBR11, ambos mais concentrados em Itaú, Bradesco e Petrobras.
Parte das posições ligadas à construção e aos negócios domésticos também ficou exposta à alta dos juros futuros na sexta-feira.
HIGH11 (Nu Asset): -1,13%
O HIGH11 teve o pior retorno do grupo, com queda de 1,13%. O ETF replica o Ibov Smart High Beta B3 e seleciona ações com maior sensibilidade às oscilações do Ibovespa. A carteira estava concentrada em consumo cíclico, segmento que representava 49,2% do portfólio.
As maiores posições eram Magazine Luiza, Vamos, C&A, Cosan, CSN, Assaí, Hapvida, Cogna, Yduqs e B3.
A composição ajuda a explicar por que o ETF ficou na última posição mesmo em uma semana positiva para o Ibovespa. Na sexta-feira, Hapvida caiu 8,06%, CSN recuou 7,37% e Vamos perdeu 4,94%. As três ações estavam entre as sete maiores posições do fundo.
O portfólio também carregava exposição relevante a varejo, educação, locação de veículos e construção, segmentos sensíveis à percepção sobre juros e atividade econômica. A alta da curva de juros futuros no último pregão reforçou a pressão sobre esse perfil de carteira.
Diferentemente dos ETFs que lideraram o ranking, o HIGH11 tinha menor participação nos grandes bancos e concentração elevada em ações que estiveram entre as maiores quedas da sexta-feira. Essa combinação foi determinante para o fundo encerrar a semana no campo negativo.

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