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“10 anos de BOVV11: O que a história desse ETF nos mostra”, por Bruno Tariki

Em 29 de julho, o BOVV11 completou dez anos. A ideia por trás deste produto é simples, mas poderosa: comprar as principais ações da bolsa brasileira por meio de um único ativo.

Quando o fundo foi lançado, em 2016, quem quisesse exposição ampla à bolsa tinha poucas alternativas eficientes. Após 10 anos, o ETF ampliou sua presença pelas suas vantagens: diversificação instantânea, custo baixo, composição transparente, liquidez durante todo o pregão: atributos que servem tanto ao alocador institucional montando exposição estrutural quanto à pessoa física que quer começar a investir com pouco recurso. Também atende a estratégias diferentes como posição de longo prazo, alocação tática de horizonte menor ou como instrumento de proteção. É essa versatilidade que faz do ETF um complemento natural de portfólio, e não um concorrente das demais classes.

Isto explica parte da história. Produtos que replicam o mesmo índice são idênticos no papel e diferentes na prática, e a diferença está na gestão.

Fonte: Itaú Asset

 

Onde a gestão aparece?

Existe uma percepção equivocada de que gestão indexada é gestão automática. Não é. O Ibovespa é um índice vivo: carteira revisada a cada quatro meses e, ao longo do ano, uma sequência de eventos corporativos, tais como: proventos, subscrições, cisões, incorporações, fechamento ou aumento de capital, recuperação judicial, que precisam ser refletidos com precisão e em janelas curtas. Errar um único desses eventos custa retorno e aderência. Acertar todos, ano após ano, demanda gestão diligente, controles precisos e eficiência operacional.

O aluguel de ações também tem impacto relevante ao longo do tempo. A receita gerada com o aluguel volta integralmente para o fundo como retorno. Uma estrutura dedicada, com escala, eficiência operacional e presença no mercado de empréstimo, possibilita uma fonte de receita recorrente para os cotistas.

Outro fator relevante é o custo de transação. Rebalancear a carteira, refletir eventos corporativos e reinvestir proventos são operações que custam corretagem para o fundo como custariam para qualquer investidor. A diferença é a escala. A estrutura de execução da Itaú Asset opera a um custo de outra ordem de grandeza em relação ao que a pessoa física consegue individualmente. Numa única operação isso é irrelevante; ao longo de dez anos e de milhares delas, vira diferença de retorno.

A esses somam-se dois mecanismos que trabalham silenciosamente a favor do cotista. Os dividendos e o JCP das empresas da carteira são reinvestidos automaticamente dentro do fundo, sem tributação. E, além do aluguel feito pelo gestor, o próprio investidor pode alugar suas cotas do BOVV11 por meio da custódia remunerada, capturando uma camada adicional de receita. Essa segunda camada exige uma escolha e atuação ativa do investidor.

O que dez anos mostram?

Estes fatores somados resultam em retorno para o cotista. Desde o lançamento, o BOVV11 acumula 220,36% contra 210,60% do Ibovespa, retorno 9,76% acima do Ibovespa. Isto comprova que a atuação da gestão possibilita a cobertura dos custos, como taxa de administração de 0,10% ao ano, custos transacionais e outros sejam não só compensados, como superados. Uma década que atravessou pandemia, choques geopolíticos e ciclos de juros opostos é tempo suficiente para comprovar a consistência de resultados.

Fonte: Itaú Asset

 

Os próximos dez anos

O BOVV11 chega ao aniversário com patrimônio próximo a R$ 7 bilhões, entre os maiores ETFs de renda variável do país e acompanhando o desenvolvimento da indústria de ETFs no Brasil. A oferta desta classe de fundos saiu de 40 ETFs listados em 2021 para mais de 200 atualmente, com patrimônio acima de R$ 100 bilhões e uma prateleira que hoje inclui diversas classes, como renda fixa, commodities e temáticos. O investidor brasileiro está cada vez mais valorizando as vantagens oferecidas pelos ETFs e seus efeitos no resultado de longo prazo.

Vale celebrar. Ainda que os ETFs representem cerca de 1% da indústria de fundos no Brasil, existe potencial enorme de crescimento. Nos EUA, mercado onde seu uso é mais antigo e intenso, a participação dos ETFs é de aproximadamente 30%.

Há dez anos, gestão indexada no Brasil era conversa de nicho, em um mercado acostumado a associar sofisticação a complexidade. A década provou o contrário: disciplina, custo baixo e execução impecável compõem mais patrimônio que estratégias complexas.

Bruno Tariki é formado em Administração de Empresas pelo Insper e atua no mercado financeiro desde 2002. Atuou por 13 anos na gestão de fundos de ações na Bradesco Asset Management, onde passou a gerir fundos indexados e participou do lançamento do primeiro ETF da instituição. Integrou a equipe de gestão dedicada a mandatos indexados e ETFs da XP Asset Management entre 2021 e 2025. Bruno se junto à equipe de gestão Indexados e ETFs da Itaú Asset em 2025.
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