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Commodities e setores defensivos lideram ETFs de ações brasileiras na semana

Os ETFs de ações brasileiras apresentaram desempenho predominantemente positivo na semana, acompanhando a recuperação do mercado doméstico nos últimos pregões. O Ibovespa acumulou alta de 2,45%, após avançar por três sessões consecutivas e encerrar a sexta-feira aos 171.031,73 pontos.

A reação ocorreu depois de uma sequência de 11 quedas do principal índice da B3. O alívio nos mercados internacionais, o recuo dos juros futuros brasileiros na sexta-feira e a recuperação de ações de grande peso ajudaram a sustentar o movimento.

As commodities tiveram papel relevante. O petróleo Brent subiu 6,6% na semana, em meio às tensões no Oriente Médio e às incertezas envolvendo o transporte pelo Estreito de Ormuz. Petrobras, Vale e outras empresas produtoras de matérias-primas contribuíram para a sustentação da bolsa nos últimos pregões.

O dólar comercial caiu 1,53% frente ao real no período e encerrou a sexta-feira em R$ 5,142. O movimento ocorreu em meio ao enfraquecimento da moeda americana no exterior e às expectativas de maior liquidez no mercado de títulos dos Estados Unidos.

Os bancos protagonizaram uma recuperação expressiva no último pregão, mas o avanço não compensou completamente as perdas anteriores. Essa dinâmica explica por que ETFs concentrados no setor financeiro terminaram próximos da estabilidade ou em queda, mesmo com a forte valorização das ações bancárias na sexta-feira.

Análise dos principais ETFs de Equity Brasil

CMDB11 (Commodities – BTG Asset): +4,59%

CMDB11 liderou os ganhos da semana com uma carteira formada por empresas brasileiras produtoras e exportadoras de commodities. No fim de julho, Vale representava 17,84% do fundo, seguida por PRIO, Petrobras, Gerdau, Suzano e Klabin.

A exposição ao petróleo favoreceu o desempenho. O Brent avançou 6,6% no período, sustentado pelas tensões entre Estados Unidos e Irã e pelas incertezas sobre o fluxo de cargas no Estreito de Ormuz. Na quinta-feira, as ações preferenciais da Petrobras subiram 2,81%, enquanto os papéis ordinários avançaram 2,64%.

Vale também contribuiu para a recuperação no fim da semana. A mineradora avançou 2,62% na quinta-feira e mais 1,36% na sexta, reforçando o efeito positivo das duas maiores frentes da carteira, materiais básicos e energia.

BDEF11 (Setores defensivos – Bradesco Asset): +3,36%

BDEF11 foi o segundo maior destaque positivo. O ETF investe em empresas menos expostas às oscilações do ciclo econômico, concentradas principalmente em utilidade pública, saúde e consumo não cíclico. Sua metodologia distribui pesos iguais entre os componentes, reduzindo a concentração em poucas companhias.

Os serviços públicos representavam 57,59% da carteira, enquanto consumo não cíclico e saúde respondiam por 17,69% e 16,38%, respectivamente. Entre as posições estavam empresas de energia elétrica, saneamento, farmácias e hospitais.

A combinação desses segmentos permitiu que o ETF superasse o Ibovespa na semana. O movimento ocorreu em um período no qual a volatilidade externa e os juros americanos elevados mantiveram a procura por áreas menos dependentes da expansão econômica.

BXPO11 (Empresas exportadoras – Investo): +2,87%

BXPO11 acompanha empresas listadas na bolsa brasileira que obtêm mais de 50% de suas receitas no exterior. Entre as principais posições estavam Gerdau, Embraer, PRIO, WEG, Vale, JBS, Suzano e CSN Mineração.

O perfil exportador aproximou o desempenho do ETF do movimento positivo das commodities e das companhias com negócios internacionais. Vale, PRIO e siderúrgicas ocupavam posições relevantes, enquanto a alta semanal do petróleo favoreceu a parcela de energia.

Embora o dólar tenha recuado no período, a valorização das ações ligadas a recursos naturais e a recuperação do mercado brasileiro prevaleceram, permitindo que o ETF encerrasse a semana acima do Ibovespa.

BOVA11 (Ibovespa – BlackRock): +2,70%

BOVA11 acompanhou a recuperação do Ibovespa, que avançou 2,45% na semana. O índice encerrou o período aos 171.031,73 pontos, após registrar três altas consecutivas na reta final.

A reação foi apoiada por diferentes setores ao longo dos últimos pregões. Petrobras e Vale sustentaram o índice na quinta-feira, enquanto os bancos assumiram maior protagonismo na sexta. Nesse último pregão, 75 das 85 ações acompanhadas encerraram em alta, mostrando uma recuperação mais disseminada.

BCIC11 (Setores cíclicos – Bradesco Asset): +2,43%

BCIC11 oferece exposição a setores mais sensíveis ao ciclo econômico brasileiro, como materiais básicos, construção civil, serviços financeiros, energia e comunicação. O índice de referência atribui pesos iguais às empresas selecionadas.

A alta refletiu a recuperação disseminada da bolsa no fim da semana. Materiais básicos foram beneficiados pelo avanço de Vale e outras companhias ligadas a commodities, enquanto ações financeiras se recuperaram com força na sexta-feira.

A presença simultânea de empresas de matérias-primas, energia e bancos permitiu que o ETF acompanhasse diferentes motores da recuperação do mercado doméstico.

UTLL11 (Utilidade pública – Investo): +2,05%

UTLL11 acompanha empresas dos segmentos de energia elétrica, água, saneamento e gás. Entre as principais posições estavam Axia Energia, Sabesp, Eneva, Equatorial, Copel, Copasa e Cemig.

O fundo acompanhou o desempenho positivo dos serviços públicos e a recuperação mais ampla da bolsa. O setor também aparece com participação majoritária no BDEF11, outro ETF que superou o Ibovespa ao longo da semana.

A composição concentrada em serviços essenciais diferenciou o UTLL11 dos fundos mais expostos a bancos e empresas cíclicas, permitindo uma alta de 2,05%.

MATB11 (Materiais Básicos – Itaú Asset): +0,92%

MATB11 acompanha o índice de materiais básicos da B3. No fim de julho, Gerdau, Suzano e Vale eram as maiores posições, acompanhadas por Klabin, CSN Mineração, Metalúrgica Gerdau, Bradespar e Usiminas.

O ETF terminou a semana em alta moderada, apesar da recuperação das principais mineradoras no encerramento do período. Vale avançou na quinta e na sexta-feira, mas o desempenho do fundo também dependeu de siderúrgicas, produtoras de celulose e companhias químicas.

A diversificação dentro do próprio setor de materiais básicos limitou a correspondência direta entre a valorização de Vale e o retorno total do ETF.

BTER11 (Setores perenes – Investo): +0,63%

BTER11 reúne empresas consideradas essenciais e de qualidade nos segmentos de bancos, energia, saneamento, seguros e telecomunicações. Elétricas e bancos representavam 36,94% e 35,89% da carteira, enquanto seguradoras, saneamento e telecomunicações completavam a composição.

O resultado próximo da estabilidade refletiu movimentos distintos dentro da carteira. Utilities e outros setores defensivos avançaram, mas os bancos recuperaram apenas na sexta-feira parte das perdas acumuladas anteriormente.

Entre as principais posições estavam BTG Pactual, Bradesco, Banco do Brasil, Itaú, Axia Energia, Equatorial, Sabesp, Copel e BB Seguridade.

FIND11 (Financeiro – Itaú Asset): +0,07%

FIND11 terminou a semana praticamente estável. O ETF acompanha empresas dos segmentos financeiro, previdenciário e de seguros. Itaú, B3, Bradesco, BTG Pactual e Banco do Brasil concentravam a maior parcela da carteira.

Os bancos enfrentaram pressão durante parte da semana. Na quinta-feira, Itaú caiu 2,24% e Bradesco recuou 1,69%, limitando o desempenho do ETF.

Na sexta-feira, o setor apresentou forte recuperação. O Índice Financeiro avançou 3,08%, com Itaú em alta de 2,91% e BTG Pactual subindo 3,99%. A reação, porém, apenas compensou as perdas anteriores e deixou o FIND11 perto da estabilidade no acumulado semanal.

BNKS11 (Bancos – Investo): -0,44%

BNKS11 foi o único ETF de ações da relação a terminar a semana em queda. O fundo concentra sua carteira nos principais bancos brasileiros, com limite de 20% por companhia. Itaú, Banco do Brasil, BTG Pactual, Bradesco e Santander eram as maiores posições.

A concentração exclusiva em bancos aumentou o impacto da fraqueza registrada pelo setor antes da recuperação de sexta-feira. Diferentemente do FIND11, o BNKS11 não possui exposição relevante a B3, seguradoras e outras empresas de serviços financeiros capazes de diversificar o comportamento da carteira.

A alta dos bancos no último pregão reduziu a perda semanal, mas não foi suficiente para levar o fundo ao campo positivo.

DOLB11 (Dólar – BTG Asset): -1,36%

DOLB11 refletiu a desvalorização do dólar frente ao real. A moeda americana caiu 1,53% na semana e encerrou a sexta-feira em R$ 5,142, depois de recuar 1% na sessão.

O índice DXY também perdeu cerca de 0,80% no período. A expectativa de ampliação das recompras de títulos de longo prazo pelo Tesouro dos Estados Unidos aumentou a perspectiva de liquidez e reduziu a pressão sobre a moeda americana, favorecendo divisas emergentes.

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