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Dólar pressiona ETFs de ouro e prata; CMDB11 sobe com Petrobras

Créditos: iStock

A queda do dólar foi decisiva para os ETFs ligados a commodities internacionais na segunda-feira, 5 de outubro. O GOLD11 recuou 4,59%, o OROF11 perdeu 4,52% e os fundos de prata SLVR11 e PRAF11 caíram 3,30% e 3,33%, respectivamente. O movimento ocorreu em uma sessão na qual o real se valorizou fortemente após o primeiro turno das eleições brasileiras.

O dólar à vista encerrou o dia em R$ 5,0022, com queda de 4,12%. A reação refletiu a leitura dos investidores de redução do prêmio de risco dos ativos brasileiros, acompanhada de valorização da bolsa e recuo dos juros futuros. Para carteiras internacionais sem proteção cambial, esse fortalecimento do real reduziu o valor dos investimentos quando convertido para a moeda brasileira.

O OURO11, que oferece exposição ao ouro sem a variação cambial, perdeu apenas 0,03%. Já o CMDB11, composto por ações de empresas brasileiras produtoras de commodities, avançou 1,76%, sustentado principalmente pela valorização da Petrobras.

Também houve perdas em reais mesmo quando os investimentos no exterior subiram. O fundo americano de infraestrutura de energia acessado pelo PIPE11 ganhou 0,86% em dólares, e o veículo de prata utilizado pelo PRAF11 avançou 0,69%. A valorização desses ativos foi insuficiente para compensar o efeito do câmbio.

ETF Gestora Retorno diário
CMDB11 BTG Asset +1,76%
OURO11 Bradesco Asset −0,03%
CORN11 BB Asset −0,28%
BBOI11 BB Asset −0,98%
SLVR11 XP Asset −3,30%
PRAF11 Galapagos Capital −3,33%
PIPE11 Buena Vista Capital −3,38%
RARA11 Investo −3,98%
DOLB11 BTG Asset −4,12%
OROF11 Galapagos Capital −4,52%
GOLD11 XP Asset −4,59%

CMDB11 (BTG Asset): +1,76%

A Petrobras foi o principal destaque positivo entre os maiores componentes do índice acompanhado pelo CMDB11. PETR4 subiu 8,19% e PETR3 avançou 6,68%. As duas classes representavam, juntas, 20% da carteira no rebalanceamento de 1º de outubro, com pesos de 10,70% e 9,30%. A PRIO, que tinha participação de 15,45%, também contribuiu para a direção positiva ao subir 1,81%.

A força das ações da Petrobras ocorreu mesmo com a queda de 1,89% do Brent, para US$ 100,32 por barril. Essa divergência evidencia a importância da reprecificação dos ativos brasileiros após a eleição: naquele pregão, a valorização da companhia foi além do comportamento da commodity. Para o CMDB11, a exposição relevante à Petrobras permitiu capturar esse movimento.

A carteira, contudo, encontrou resistência em outras posições importantes. Vale caiu 0,97%, Gerdau perdeu 1,19% e Suzano recuou 5,39%. Seus pesos no rebalanceamento eram de 20%, 10,40% e 8,77%, respectivamente.

OURO11 (Bradesco Asset): −0,03%

O OURO11 ficou próximo da estabilidade porque sua estrutura permite acessar o ouro sem incorporar a variação cambial. O fundo acompanha o Índice Futuro de Ouro B3, formado por contratos futuros de ouro negociados na bolsa brasileira, com rolagem sistemática e remuneração do caixa por instrumentos ligados ao DI ou à Selic. Essa construção retirou da estratégia o principal vetor de perda dos ETFs internacionais naquele dia: a queda do dólar frente ao real.

No mercado internacional, o contrato de ouro para outubro na Comex recuou apenas 0,13%, para US$ 4.128,40 por onça-troy. O metal enfrentou um ambiente de juros americanos elevados: durante a tarde, o rendimento do Treasury de dez anos chegou a 5,333%, ante 5,276% na sexta-feira. Juros mais altos aumentam a atratividade relativa dos títulos que pagam rendimento e representam uma pressão sobre o ouro.

A diferença entre o OURO11 e os fundos de ouro com exposição cambial ficou expressiva. Enquanto sua cota perdeu 0,03%, GOLD11 e OROF11 recuaram mais de 4,5%.

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CORN11 (BB Asset): −0,28%

O CORN11 recuou em um ambiente de pressão sobre o milho brasileiro. O indicador Esalq/B3 caiu 1,85%, para R$ 67,26 por saca de 60 quilos, no dia 5. No mercado futuro, o contrato de novembro foi indicado a R$ 70,55, com baixa de 1,52%. Os dois movimentos apontaram para enfraquecimento dos preços do cereal, embora representem mercados e referências diferentes.

O pano de fundo combinou compradores abastecidos, menor disposição para adquirir novos lotes e pressão dos preços internacionais. As exportações brasileiras inferiores às do ano anterior alimentavam a expectativa de maior disponibilidade doméstica. Com produtores mais flexíveis nas negociações, a demanda encontrou espaço para pressionar os preços.

A exposição do CORN11 está nos contratos futuros de milho, por meio do IFMILHO B3, que utiliza o primeiro vencimento, com rolagem bimestral e caixa remunerado pelo DI ou pela Selic. Assim, o mecanismo que transmite o cenário agrícola para o ETF passa pelas expectativas embutidas nos futuros. A perda diária de 0,28% ampliou o desempenho negativo da estratégia, que acumulava queda de 6,95% em um mês e de 10,69% no ano.

BBOI11 (BB Asset): −0,98%

O BBOI11 perdeu 0,98%, mas manteve alta de 4,13% em um mês e de 25,88% no acumulado do ano. Sua carteira acompanha o IFBOI B3, estruturado com o primeiro vencimento do contrato futuro de boi gordo, rolagem mensal e remuneração do caixa. O retorno da estratégia está, portanto, associado à precificação futura da arroba e ao carregamento financeiro da carteira.

O mercado físico entrou na semana com sinais de sustentação. A semana anterior havia terminado com preços firmes, maior procura por animais e escalas de abate relativamente curtas. Em São Paulo, essas escalas variavam entre cinco e sete dias, enquanto negócios com a arroba se concentravam entre R$ 360 e R$ 370, com lotes pontuais chegando a R$ 375. A necessidade de reposição dos frigoríficos ajudava a preservar o poder de negociação dos pecuaristas.

Na segunda-feira, porém, o contrato de outubro na B3 foi indicado a R$ 387,60 por arroba, com recuo de 0,10%. A acomodação da referência futura conviveu com um mercado físico ainda firme.

SLVR11 (XP Asset): −3,30% | PRAF11 (Galapagos Capital): −3,33%

Os dois ETFs de prata tiveram perdas próximas, mas o comportamento do metal no exterior oferece uma explicação mais precisa do que uma leitura de desvalorização generalizada. O SIVR, veículo acessado pelo PRAF11, subiu 0,69% em dólares, encerrando o dia em US$ 57,97. A valorização internacional funcionou como amortecedor, mas foi superada pelo fortalecimento do real.

As estratégias chegam à prata por referências distintas. O SLVR11 acompanha o LBMA Silver Price, convertido para reais pela taxa cambial de referência da B3. O PRAF11 segue o DEX VettaFi Physical Silver Shares Index, que utiliza o SIVR, lastreado em prata física. Em ambos, o preço internacional do metal e a conversão cambial são elementos relevantes para a leitura do retorno brasileiro.

A prata apresentou, assim, uma dinâmica diferente da do ouro naquele pregão. A alta do veículo internacional ajudou a limitar a perda em reais a aproximadamente 3,3%, enquanto os ETFs de ouro com exposição ao dólar caíram mais de 4,5%. Na janela móvel de um mês, entretanto, SLVR11 e PRAF11 ainda acumulavam quedas de 10,14% e 10,11%, respectivamente.

PIPE11 (Buena Vista Capital): −3,38%

O PIPE11 apresentou uma das demonstrações mais claras do efeito cambial: sua cota caiu 3,38%, enquanto o NEOS MLP & Energy Infrastructure High Income ETF, o MLPI, subiu 0,86% em dólares, fechando a US$ 51,61. A carteira internacional teve uma sessão positiva, mas a valorização do real reduziu o valor desse investimento para o cotista brasileiro.

O MLPI reúne empresas de infraestrutura de energia, incluindo Williams, Enbridge, TC Energy, Kinder Morgan e ONEOK. São negócios ligados a gasodutos, transporte, processamento e outras etapas da cadeia energética. A estratégia também utiliza venda de opções para gerar receitas. Essas características fazem seu resultado depender das ações das companhias e da estrutura de opções, além do ambiente de energia.

O Brent recuou 1,89%, mas o fundo internacional investido terminou em alta. Na sessão, o principal vetor negativo para a cota brasileira foi a conversão cambial, que superou o avanço da estratégia no exterior. O PIPE11 acumula queda de 6,64% em um mês.

RARA11 (Investo): −3,98%

O RARA11 recuou 3,98% com uma carteira de ações internacionais de empresas ligadas a terras raras e metais estratégicos. A estratégia acessa o VanEck Rare Earth and Strategic Metals ETF, o REMX, que reúne produtores, refinadores e recicladores desses materiais. No fechamento de 5 de outubro, suas maiores posições incluíam SQM, com 8,34%; Albemarle, com 7,93%; e MP Materials, com 6,70%, além de Pilbara Minerals, China Northern Rare Earth e Lynas.

Os principais papéis americanos tiveram resultados mistos. SQM avançou 2,03%, enquanto Albemarle recuou 0,21% e MP Materials perdeu 0,28%. Esses movimentos mostram que a queda da cota brasileira não correspondeu a uma baixa uniforme de suas maiores empresas. A SQM ofereceu sustentação à carteira, enquanto Albemarle e MP Materials exerceram pressão moderada em dólares.

O câmbio acrescentou uma pressão de magnitude muito maior à parcela dolarizada do investimento. Na janela de um mês, o RARA11 acumulava queda de 17,99%, a mais intensa da seleção.

DOLB11 (BTG Asset): −4,12%

O DOLB11 perdeu 4,12%, acompanhando a direção do dólar frente ao real. Sua referência utiliza contratos futuros de moeda, com rolagem mensal. Nesse caso, a exposição cambial constitui o núcleo da estratégia e transmite diretamente a reprecificação da moeda americana para o desempenho do ETF.

A sessão marcou uma reversão em relação à cautela anterior à eleição. O dólar havia encerrado a sexta-feira em R$ 5,2175 e caiu para R$ 5,0022 na segunda-feira. A percepção de menor prêmio de risco brasileiro fortaleceu o real e pressionou as posições compradas em dólar. A perda diária também ajuda a dimensionar o vetor que atingiu os fundos de metais preciosos e as carteiras internacionais presentes nesta seleção.

O DOLB11 acumula queda de 2,14% em um mês e de 5,28% em 2026.

OROF11 (Galapagos Capital): −4,52% | GOLD11 (XP Asset): −4,59%

Os ETFs de ouro com exposição cambial concentraram as maiores perdas diárias da seleção. O OROF11 acessa o abrdn Physical Gold Shares ETF, o SGOL, enquanto o GOLD11 busca acompanhar o iShares Gold Trust, o IAU. Ambos oferecem acesso ao ouro por veículos internacionais e incorporam a conversão do investimento para reais.

No exterior, os movimentos foram modestos: SGOL recuou 0,10% e IAU perdeu 0,17%. A queda do dólar frente ao real foi muito mais intensa e ampliou as perdas das cotas brasileiras. A combinação de enfraquecimento do ouro em dólares com valorização da moeda brasileira explica a direção negativa das duas estratégias.

O metal também enfrentou pressão dos juros americanos. A recuperação das taxas dos Treasuries durante a sessão aumentou o custo de oportunidade de manter ouro, que não paga juros. No Brasil, esse vetor se somou ao câmbio: OROF11 e GOLD11 terminaram com perdas superiores a 4,5%, enquanto o OURO11, sem exposição cambial, ficou próximo da estabilidade. Na janela de um mês, OROF11 e GOLD11 acumulam quedas de 9,44% e 9,47%, respectivamente.

 


Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.

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