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A queda dos juros brasileiros em 5 de outubro produziu uma valorização expressiva nos ETFs de títulos públicos ligados à inflação. O XB6011 avançou 6,08%, e o TD6011 ganhou 6,02%, à frente de carteiras que distribuem a exposição entre diferentes vencimentos ou concentram títulos mais curtos.
O movimento ocorreu em uma sessão de redução dos prêmios de risco após o primeiro turno das eleições. Na curva nominal, o contrato de DI com vencimento em janeiro de 2029 recuou 1,04 ponto percentual, para 12,65%, enquanto o vencimento de janeiro de 2031 caiu 1,22 ponto, para 12,70%. A intensidade do fechamento nos prazos intermediários e longos ajuda a dimensionar a mudança na precificação dos ativos brasileiros.
Nos títulos indexados ao IPCA, a valorização responde à queda das taxas reais exigidas pelo mercado. Quanto maior a duration da carteira, maior tende a ser a reação do preço a esse movimento. Foi essa diferença de sensibilidade que separou os resultados dos ETFs.
XB6011 (XP Asset): +6,08%
O XB6011 concentra sua exposição na NTN-B com vencimento em 2060. Essa característica coloca o fundo entre as alternativas mais sensíveis às mudanças nas taxas reais: o título reúne pagamentos de juros e principal distribuídos por um horizonte muito longo.
Quando a taxa exigida pelo mercado diminui, esses pagamentos futuros passam a valer mais no presente. A alta de 6,08% evidencia a intensidade dessa reprecificação. Na janela móvel de um mês, o ETF acumulou 11,16%, mostrando que o avanço de segunda-feira ampliou um movimento de valorização já presente na carteira.
TD6011 (Itaú Asset): +6,02%
O TD6011 também acompanha uma estratégia centrada na NTN-B 2060. Portanto, o principal motor de seu resultado foi o mesmo do XB6011: a combinação de vencimento ultralongo com redução das taxas reais de desconto.
O ganho de 6,02% levou o retorno de um mês a 10,66%. A proximidade entre os resultados dos dois ETFs destaca o peso do ativo de referência na explicação do desempenho.
10BK11 (Galapagos): +4,89%
O 10BK11 oferece uma exposição diferente: sua estratégia busca manter a duração próxima de dez anos, distribuindo a carteira entre NTN-Bs de diferentes vencimentos. Na composição do índice em 1º de setembro, os títulos de 2037 representavam 25%; os de 2040, 21,76%; os de 2045 e 2050, 20% cada; e os de 2055, 13,24%.
Essa distribuição combina títulos longos sem concentrar toda a exposição em um único vencimento. A duração do índice estava em aproximadamente 10,4 anos na data-base. O fundo ganhou 4,89% no dia e 8,04% em um mês, beneficiando-se do fechamento das taxas reais com sensibilidade inferior à das estratégias concentradas em 2060.
B5MB11 (Bradesco Asset): +4,35%
O B5MB11 acompanha o IMA-B 5+, formado por títulos públicos indexados à inflação com vencimentos superiores a cinco anos. Sua carteira reúne diferentes pontos da curva longa, em vez de depender exclusivamente de uma NTN-B ultralonga.
O avanço de 4,35% mostra que a valorização alcançou um conjunto amplo de títulos. O retorno acumulado chegou a 7,44% em um mês e 13,68% no ano. O fundo capturou o ganho de preço proporcionado pela queda das taxas reais, com a intensidade determinada pela distribuição dos vencimentos e dos fluxos de pagamento da carteira.
IB5M11 (Itaú Asset): +4,30%
O IB5M11 também acompanha o IMA-B 5+. Sua exposição aos mesmos vencimentos explica a proximidade com o B5MB11: ambos se beneficiam de uma redução das taxas reais na parcela longa do mercado de títulos públicos.
A valorização de 4,30% levou o desempenho a 7,21% em um mês e 13,53% no ano. A leitura central está na composição do índice: títulos mais distantes do vencimento carregam maior sensibilidade aos juros e, por isso, reagiram com mais intensidade do que as carteiras de inflação curta.
IMAB11 (Itaú Asset): +3,15%
O IMAB11 acompanha uma cesta mais abrangente de NTN-Bs, combinando títulos curtos e longos. A presença de vencimentos menos sensíveis aos juros reduz a intensidade da reação da carteira em comparação com os ETFs concentrados no segmento longo.
O ganho de 3,15% levou o retorno de um mês a 5,55%, enquanto o acumulado do ano chegou a 13,67%. O resultado mostra como uma exposição distribuída ao mercado de inflação participa da valorização dos títulos longos, mas mantém parte do patrimônio em ativos que oscilam menos diante de mudanças nas taxas.
03BK11 (Galapagos): +1,41%
O 03BK11 busca uma duration próxima de três anos. Sua estratégia tem menor sensibilidade às taxas reais do que a carteira do 10BK11, embora ambos estejam expostos a títulos públicos indexados ao IPCA.
A alta de 1,41%, acompanhada de 3,20% em um mês, ilustra essa diferença. A distância em relação ao ganho de 4,89% do 10BK11 traduz o efeito da duração: duas carteiras da mesma classe de ativos podem responder de maneira bastante distinta ao mesmo movimento de juros.
B5P211 (Itaú Asset): +0,95%
O B5P211 acompanha o IMA-B 5 P2, uma estratégia de NTN-Bs com vencimentos de até cinco anos e controle do prazo médio da carteira. Essa estrutura concentra a exposição em títulos menos sensíveis às oscilações das taxas reais.
O fundo avançou 0,95% no dia, acumulando 2,62% em um mês e 12,32% no ano. O ganho diário foi menor porque a carteira possui uma resposta mais moderada à queda dos juros. Seu resultado combina a atualização dos títulos pela inflação, a remuneração contratada e a variação de preço decorrente das taxas de mercado.
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