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ETFs de renda fixa avançam em agosto com liderança dos títulos IPCA+

Créditos: iStock

 

Os ETFs de renda fixa analisados apresentaram retornos positivos em agosto, com destaque para as estratégias de títulos públicos indexados à inflação. TD3511, B5MB11 e PACB11 ocuparam as primeiras posições, enquanto os produtos pós-fixados concentraram resultados entre 1,08% e 1,13%. Os ETFs de prefixados ficaram na parte inferior do levantamento.

A dispersão foi determinada principalmente pelo indexador, pelo prazo dos títulos e pela sensibilidade de cada carteira às mudanças nas taxas de mercado. Quando os juros recuam, os preços dos títulos prefixados e indexados à inflação sobem. Quanto maior a duration, mais intensa tende a ser essa reação.

O ambiente doméstico combinou redução da Selic para 14,00% ao ano e desaceleração da inflação corrente. O IPCA-15 registrou queda de 0,40% em agosto, enquanto a taxa acumulada em 12 meses recuou de 4,52% para 4,24%. Esses movimentos ajudaram a aliviar parte da curva, embora os vencimentos longos continuassem sensíveis ao cenário fiscal e aos juros internacionais.

 

 

TD3511 (Itaú): +1,96%

O TD3511 apresentou o maior retorno da relação, com valorização de 1,96%. O ETF oferece exposição concentrada em títulos públicos indexados ao IPCA com vencimento em 2035.

O desempenho foi favorecido pelo recuo das taxas reais nesse trecho da curva. A taxa indicativa da NTN-B com vencimento em 2035 caiu ao longo do período. Como preço e taxa se movimentam em direções opostas, essa redução valorizou os títulos mantidos pela estratégia.

A concentração em um vencimento intermediário ampliou a participação do ETF nesse movimento. O TD3511 possui sensibilidade maior à marcação a mercado do que os produtos de curto prazo, mas menor exposição às oscilações extremas da parcela ultralonga da curva.

B5MB11 (Bradesco): +1,95%

O B5MB11 avançou 1,95%, praticamente em linha com o TD3511. O ETF acompanha uma carteira de títulos públicos indexados ao IPCA com prazos superiores a cinco anos.

Ao contrário do TD3511, concentrado em um vencimento específico, o B5MB11 distribui a exposição entre diferentes NTN-Bs longas. Essa composição permitiu ao fundo capturar o movimento positivo observado em diversos pontos da curva de juros reais.

A duration elevada aumenta a sensibilidade do ETF às mudanças nas taxas. O efeito foi favorável em agosto, porque a queda dos juros em parte dos vencimentos produziu valorização adicional por marcação a mercado.

O retorno próximo ao do TD3511 mostra que a recuperação não ficou restrita ao título de 2035. O movimento alcançou a parcela longa da curva, embora com intensidades diferentes entre os vencimentos.

PACB11 (BTG Pactual): +1,87%

O PACB11 registrou alta de 1,87%. O ETF mantém exposição a títulos públicos IPCA+ de prazos ultralongos, combinando proteção contra a inflação com elevada sensibilidade às taxas reais.

A estratégia participou do alívio ocorrido em parte da curva, mas terminou ligeiramente abaixo de TD3511 e B5MB11. Os vencimentos mais distantes continuaram sujeitos aos prêmios relacionados às incertezas fiscais e ao comportamento dos juros internacionais.

O prazo elevado amplia os movimentos de preço. Pequenas alterações nas taxas podem produzir variações relevantes nas cotas, tanto positivas quanto negativas. Em agosto, o carregamento dos títulos e a valorização por marcação a mercado prevaleceram.

O resultado mostra que os papéis ultralongos também foram beneficiados, mas sem uma queda uniforme das taxas em toda a curva real.

IMAB11 (Itaú): +1,58%

O IMAB11 avançou 1,58%. O ETF acompanha uma carteira ampla de títulos públicos indexados ao IPCA, distribuída entre vencimentos curtos, intermediários e longos.

A diversificação entre vencimentos reduziu a concentração nos papéis que mais se valorizaram. Enquanto os títulos intermediários e longos receberam maior contribuição da marcação a mercado, os vencimentos curtos apresentaram movimentos de preço mais contidos.

Por isso, o IMAB11 ficou abaixo dos ETFs mais direcionados aos prazos superiores. Em contrapartida, a distribuição da carteira diminui a dependência de um único vencimento ou segmento da curva.

O desempenho também funciona como uma referência mais ampla para o comportamento das NTN-Bs, enquanto TD3511, B5MB11 e PACB11 representam recortes mais específicos da curva.

NTNS11 (Investo): +1,30%

O NTNS11 acumulou alta de 1,30%. O ETF acompanha títulos públicos indexados ao IPCA com prazos de até quatro anos, mantendo uma duration inferior à dos líderes do levantamento.

A carteira recebeu contribuição da correção monetária e do juro real dos títulos, mas teve menor ganho por marcação a mercado. Papéis curtos apresentam sensibilidade reduzida às mudanças nas taxas quando comparados às NTN-Bs intermediárias e longas.

Essa característica explica a distância em relação a TD3511, B5MB11 e PACB11. O movimento favorável da curva beneficiou mais intensamente os ETFs com maior duration.

O retorno de 1,30% permaneceu acima dos resultados dos pós-fixados, mostrando que mesmo a parcela curta dos títulos IPCA+ recebeu contribuição adicional da valorização dos preços.

DEBB11 (BTG Pactual): +1,13%

O DEBB11 avançou 1,13% e liderou os ETFs de crédito privado e pós-fixados. O fundo oferece exposição a debêntures remuneradas pelo DI, acrescentando prêmios de crédito ao rendimento associado às taxas de curto prazo.

O desempenho refletiu o carregamento do CDI e o comportamento dos spreads dos títulos corporativos. A redução dos prêmios exigidos pelo mercado pode elevar o preço das debêntures já presentes na carteira, acrescentando retorno ao componente pós-fixado.

Esse efeito ajudou o DEBB11 a superar os ETFs concentrados exclusivamente em Tesouro Selic ou instrumentos bancários. A diferença, porém, foi moderada, indicando que a principal fonte de retorno permaneceu associada ao CDI.

O produto também possui risco de crédito corporativo, característica que o diferencia dos ETFs formados por títulos públicos federais.

NLFA11 (Nu Asset): +1,11%

O NLFA11 apresentou valorização de 1,11%. O ETF investe em letras financeiras emitidas por instituições bancárias e combina remuneração pós-fixada com exposição ao risco de crédito dos emissores.

O retorno ficou próximo ao dos ETFs ligados à Selic e ao CDI. As letras financeiras costumam oferecer remuneração relacionada às taxas de curto prazo, acrescida de um prêmio associado ao prazo e ao risco do banco emissor.

A manutenção da Selic em patamar elevado durante a maior parte do período sustentou o carregamento da carteira. O corte para 14,00% ao ano reduziu marginalmente a remuneração prospectiva, mas não retirou a força dos pós-fixados no mês.

A baixa dispersão em relação a DEBB11, LFTS11 e CDIB11 indica predominância do componente pós-fixado, com diferenças menores associadas ao crédito e à composição das carteiras.

LFTS11 (Investo): +1,10%

O LFTS11 avançou 1,10%. O ETF acompanha uma carteira de títulos públicos vinculados à Selic e apresentou um desempenho concentrado no carregamento da taxa básica.

As LFTs possuem baixa sensibilidade às mudanças na curva de juros, porque sua remuneração acompanha diariamente a Selic. Por isso, o ETF tende a oscilar menos do que os fundos de títulos prefixados ou IPCA+ longos.

Mesmo após o corte da Selic, a taxa permaneceu elevada, sustentando um retorno mensal próximo de 1,1%. O desempenho ficou abaixo dos ETFs IPCA+ que receberam contribuição da marcação a mercado, mas apresentou menor dependência das expectativas para inflação, risco fiscal e trajetória futura dos juros.

O resultado reforça o perfil mais estável da estratégia dentro do conjunto analisado.

CDIB11 (Itaú): +1,08%

O CDIB11 registrou alta de 1,08%. O ETF adota uma estratégia de renda fixa com duration-alvo e exposição predominante a instrumentos associados à Selic e à inflação.

O retorno próximo ao do LFTS11 mostra que o componente pós-fixado teve papel central no período. A estrutura de controle de duration limita a sensibilidade do fundo aos movimentos mais intensos da curva.

O ETF não capturou na mesma proporção a valorização das NTN-Bs intermediárias e longas, mas também ficou menos exposto às oscilações desses títulos. O resultado refletiu principalmente a remuneração acumulada pelas posições de curto prazo.

A diferença de apenas 0,02 ponto percentual em relação ao LFTS11 reforça a proximidade entre as duas estratégias no ambiente de juros ainda elevados.

IRFM11 (Itaú): +0,89%

O IRFM11 avançou 0,89%. O ETF acompanha uma carteira de títulos públicos prefixados com mecanismo de controle de prazo médio.

O desempenho combinou o carregamento das taxas contratadas com as oscilações da curva nominal. Os títulos prefixados se valorizam quando as taxas de mercado recuam, mas perdem preço quando aumenta o retorno exigido pelos investidores.

O corte da Selic e a desaceleração da inflação corrente ofereceram suporte ao fundo. Ao mesmo tempo, a manutenção de prêmios fiscais e a pressão observada nos vencimentos mais longos limitaram a valorização da carteira.

O retorno ficou abaixo dos pós-fixados porque o ganho de marcação a mercado não foi suficiente para superar o carregamento proporcionado pela Selic e pelo CDI.

3PRE11 (Galapagos): +0,69%

O 3PRE11 apresentou alta de 0,69%, o menor retorno entre os ETFs com dados mensais disponíveis. O fundo oferece exposição a títulos públicos prefixados com prazo próximo de três anos.

A estratégia foi beneficiada pelo carregamento positivo dos papéis, mas enfrentou oscilações nas taxas nominais desse trecho da curva. A expectativa de redução gradual da Selic favoreceu os prefixados, enquanto a inflação ainda acima do centro da meta e as incertezas fiscais mantiveram os prêmios elevados.

A curva nominal permaneceu inclinada, com taxas superiores nos vencimentos mais longos. Esse comportamento limitou a valorização dos títulos prefixados e explica por que o 3PRE11 ficou atrás dos produtos indexados ao IPCA e dos pós-fixados.

O resultado positivo mostra que o carregamento prevaleceu, mas a marcação a mercado acrescentou menos retorno do que nas estratégias de títulos IPCA+.

 

 


Dados exclusivos do DEX PRO. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos.
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