
Luis Masagão, B3
O mercado brasileiro de ETFs está próximo de alcançar 1 milhão de investidores. Segundo os números apresentados por Luis Masagão, da B3, a base chegou a 929 mil participantes, com crescimento de 39%. A posição em custódia mais do que dobrou e se aproximou de R$ 70 bilhões, enquanto o patrimônio total da indústria alcançou R$ 142 bilhões.
O número de produtos também avançou. Em um ano, a quantidade de ETFs locais listados cresceu 55%, chegando a 219. A plataforma da B3 inclui ainda 312 BDRs de ETFs globais, que oferecem acesso a fundos administrados no exterior. Apesar da expansão, os ETFs ainda representam menos de 5% do patrimônio total da indústria brasileira de fundos.
A diversificação foi apontada como uma das principais mudanças recentes. Além dos produtos ligados ao Ibovespa, o mercado passou a oferecer estratégias de renda fixa, ouro, criptoativos, ações internacionais e temas específicos. Os ETFs de renda fixa se aproximaram dos fundos de ações em volume, ampliando o uso do instrumento em uma classe especialmente relevante para o investidor brasileiro.
BNDESPAR passa de desinvestidor a alocador
Durante o painel, Marcelo Marcolino, do BNDES, apresentou a mudança de estratégia do BNDESPAR. No fim do ano anterior ao evento, a instituição realizou uma chamada pública para alocar R$ 1 bilhão em ETFs, substituindo o foco histórico em desinvestimentos por uma atuação como investidora da indústria. Cinco gestoras foram selecionadas, com previsão de até R$ 200 milhões por ETF.

Marcelo Marcolino, BNDES
A iniciativa retoma o papel exercido pelo banco na criação do mercado brasileiro de ETFs. Em 2004, o BNDESPAR lançou o PIBB11, referenciado no IBrX 50, com o objetivo de ampliar o acesso ao mercado de capitais, oferecer diversificação a custos menores e desinvestir de forma organizada parte de sua carteira de ações.
A primeira oferta movimentou R$ 600 milhões e alcançou mais de 50 mil investidores pessoas físicas. Para reduzir o risco de adesão a um produto ainda desconhecido, o BNDES ofereceu uma opção de venda limitada a R$ 25 mil por investidor. Na segunda oferta, realizada um ano depois, o volume chegou a R$ 2,3 bilhões, com participação de mais de 120 mil pessoas físicas.
Em 2012, o banco voltou a utilizar os ETFs como instrumento de desenvolvimento do mercado. A oferta de R$ 1 bilhão do ECOO11, ligado ao Índice Carbono Eficiente, foi apresentada como a maior operação mundial relacionada a um índice de sustentabilidade naquele momento.
Renda fixa amplia o alcance dos ETFs
A expansão para novas classes mostra que o crescimento da indústria deixou de depender apenas dos índices tradicionais de ações. Na renda fixa, os ETFs passaram a funcionar também como veículos de distribuição de títulos, combinando negociação em bolsa, diversificação e acompanhamento de índices.
Para Masagão, a simplicidade operacional e a eficiência de custos ajudam a explicar a adoção do produto por investidores individuais, instituições e assessores. As cotas podem ser negociadas na mesma infraestrutura utilizada para ações, enquanto os produtos internacionais listados localmente reduzem a necessidade de acesso direto a mercados estrangeiros.
Marcolino organizou o desenvolvimento do mercado de capitais em três pilares: investidores, instrumentos e infraestrutura. Nesse modelo, os ETFs ampliam o conjunto de instrumentos disponíveis, a B3 oferece a infraestrutura de negociação e a nova alocação do BNDESPAR busca aumentar a profundidade do mercado.
Mesmo com a expansão recente, a participação inferior a 5% no patrimônio da indústria brasileira de fundos mostra que os ETFs ainda ocupam uma parcela limitada do mercado. O avanço da renda fixa, a ampliação das estratégias e a entrada institucional do BNDESPAR indicam que o próximo estágio de crescimento dependerá tanto da oferta de produtos quanto do aumento da base de investidores.