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Ouro e estratégias defensivas lideram a captação dos ETFs em 2026

golx11-divo11-ouro-dividendos-fluxo-2026

Créditos: Magnific

 

Fluxo não é o mesmo que rentabilidade

A captação líquida mede a diferença entre os recursos que entram e saem de um ETF por meio da criação e do resgate de cotas. O indicador não deve ser confundido com o desempenho das cotas no mercado secundário.

Um ETF pode receber recursos mesmo durante um período de queda. Da mesma forma, uma estratégia pode valorizar sem registrar entradas líquidas relevantes. A evolução do patrimônio também incorpora a oscilação dos ativos da carteira, e não apenas os fluxos.

 

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Somados, os seis produtos registraram R$ 2,857 bilhões em captação líquida no acumulado do ano. O grupo reuniu diferentes funções de alocação: ouro, dividendos, títulos pós-fixados, serviços de utilidade pública, materiais básicos e ações de menor volatilidade.

Juros altos mantêm renda fixa relevante sem impedir entradas em ações

O ambiente macroeconômico de 2026 combinou juros elevados, inflação ainda acompanhada com cautela e revisões nas expectativas para a atividade. A desaceleração econômica e as leituras mais benignas de inflação abriram espaço para flexibilização monetária, embora os riscos fiscais continuassem relevantes.

Esse cenário esteve acompanhado de entradas em exposições distintas. O NCDI11 ofereceu acesso ao Tesouro Selic, enquanto DIVO11, UTLL11, MATB11 e LVOL11 representaram diferentes estilos e setores do mercado acionário. O GOLX11 acrescentou uma estratégia ligada ao ouro futuro.

A presença simultânea dessas categorias mostra que o fluxo não ficou concentrado em uma única tese. Houve criação líquida de cotas em renda fixa pós-fixada, ouro, dividendos e estratégias acionárias com características defensivas ou setoriais.

GOLX11 (XP Asset): R$ 1,226 bilhão

O GOLX11 liderou a captação, com R$ 1,226 bilhão em 2026. Lançado no fim de 2025, o ETF replica o Índice Futuro de Ouro da B3, formado pelo contrato futuro de primeiro vencimento, com rolagem mensal, e pelo caixa remunerado pelo DI de um dia ou pela Selic Over.

O produto foi lançado depois de o ouro registrar forte valorização em 2025, período marcado por conflitos geopolíticos, compras de bancos centrais e preocupações fiscais globais. Em 2026, porém, a trajetória foi volátil. O ETF alternou altas expressivas e correções ao longo do ano, acumulando retorno de 3,61% até a data de referência.

A diferença entre a captação de R$ 1,226 bilhão e o retorno de 3,61% reforça que fluxo e rentabilidade medem fenômenos distintos.

DIVO11 (Itaú Asset): R$ 936 milhões

O DIVO11 acumulou R$ 936 milhões em captação líquida, além de R$ 31 milhões em entradas no período de um mês. O ETF acompanha o IDIV, índice da B3 que seleciona empresas que se destacam na remuneração dos acionistas por meio de dividendos e juros sobre capital próprio.

O produto reinveste os proventos recebidos, em vez de distribuí-los aos cotistas. Sua carteira combinava bancos, seguradoras, energia, utilities, petróleo, mineração e telecomunicações, com posições relevantes em Itaúsa, Petrobras, BB Seguridade, Copel, Bradesco, Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Vale e Cemig.

A entrada de recursos ocorreu em um período de maior destaque para estratégias de dividendos e defensividade. O DIVO11 acumulava valorização de 14,04% em 2026 e de 25,21% em 12 meses.

NCDI11 (Nu Asset): R$ 388 milhões

O NCDI11 recebeu R$ 388 milhões no ano, embora não apresentasse fluxo líquido relevante na semana ou no mês mais recente. O ETF acompanha o Índice Tesouro Selic B3 e mantém uma carteira de LFTs com vencimentos superiores a 12 meses.

O patrimônio passou de aproximadamente R$ 36 milhões no fim de janeiro para cerca de R$ 447 milhões em setembro. A expansão refletiu a combinação entre entradas líquidas e a remuneração acumulada pela carteira.

A captação ocorreu com a Selic ainda em patamar elevado, sustentando o carregamento dos títulos pós-fixados. O produto possui liquidação em D+1, taxa de administração de 0,15% ao ano e carteira distribuída entre LFTs com vencimentos de 2027 a 2032.

UTLL11 (Investo): R$ 153 milhões

O UTLL11 acumulou R$ 153 milhões em captação líquida. O ETF também recebeu R$ 89 milhões em um mês e R$ 10 milhões na semana, sendo o integrante do Top 6 com entradas relevantes nas três janelas.

O fundo replica o Índice Utilidade Pública da B3, com exposição a empresas de energia elétrica, água, saneamento e gás. Sabesp, Axia Energia, Eneva, Equatorial e Copel figuravam entre suas maiores posições.

O ETF acumulava retorno de 11,36% em 2026 e de 11,03% em um mês. Desde maio, os rendimentos recebidos das empresas passaram a ser reinvestidos na carteira, fazendo com que os proventos sejam incorporados à evolução da cota.

MATB11 (Itaú Asset): R$ 113 milhões

O MATB11 recebeu R$ 113 milhões em entradas líquidas, além de R$ 13 milhões em um mês e R$ 3 milhões na semana. O ETF acompanha o Índice de Materiais Básicos da B3.

A carteira era concentrada em Gerdau, Suzano, Vale e Klabin, que somavam aproximadamente 70% do portfólio. O restante incluía CSN Mineração, Metalúrgica Gerdau, Bradespar, CSN e Usiminas, combinando siderurgia, mineração, papel e celulose.

O desempenho oscilou ao longo do ano, com períodos de fortes altas e correções. Até a data de referência, o retorno acumulado em 2026 era de 7,12%.

LVOL11 (Nu Asset): R$ 41 milhões

O LVOL11 completou o Top 6 com R$ 41 milhões em captação líquida em 2026. O ETF também apresentava R$ 7 milhões em entradas no período de um mês, enquanto o fluxo semanal estava próximo de zero.

O produto acompanha o Ibov Smart Low Volatility B3, índice que seleciona as ações menos voláteis do universo do Ibovespa. A carteira mantinha exposição relevante a utilities, serviços financeiros e materiais básicos.

Entre as principais posições estavam BB Seguridade, Klabin, Taesa, Cemig, Itaúsa, Caixa Seguridade, Itaú Unibanco, Copel, Petrobras, Equatorial, Bradesco e empresas de energia. A distribuição entre setores reduz a dependência de uma única companhia, embora o ETF continue sujeito às oscilações do mercado acionário.

O LVOL11 acumulava retorno de 11,58% em 2026 e de 25,77% em 12 meses. A presença no ranking mostra a captação de uma estratégia voltada a ações de menor volatilidade em paralelo às entradas observadas em dividendos e utilities.

 


Dados de fluxo e desempenho extraídos do DEX PRO. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos.
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