A bolsa de valores brasileira acaba de adicionar uma nova classe de ativos à sua prateleira. A Investo lançou o RARA11, o primeiro ETF (Exchange Traded Fund) da B3 que permite ao investidor local se expor diretamente à cadeia global de terras raras e minerais críticos, materiais que estão no centro da disputa tecnológica e energética mundial.
Como Funciona e Qual a Composição
O RARA11 atua replicando no mercado nacional o desempenho do REMX (VanEck Rare Earth and Strategic Metals ETF), um fundo listado na Bolsa de Nova York (NYSE). O ativo alvo, por sua vez, rastreia o índice MVIS® Global Rare Earth/Strategic Metals, desenvolvido para espelhar a performance de empresas focadas na produção, refino e processamento desses elementos.
O portfólio consolida uma carteira de “pure-play”, ou seja, acesso direto a mais de 30 empresas globais especializadas no setor. A composição é diversificada geograficamente, mas reflete o atual mapa de domínio dessa indústria:

No nível das empresas (micro), a maior posição individual da carteira hoje é a mineradora australiana Pilbara Minerals, responsável por mais de 8% do peso do indicador.
A Tese de Investimento
A estrutura do RARA11 apoia-se em uma tese de demanda estrutural de longo prazo. Elementos da classe das terras raras e metais como lítio, ítrio e neodímio formam a base insubstituível para a transição energética e para o setor tecnológico de ponta. Esses materiais são os insumos primários na construção de baterias de veículos elétricos (VEs), turbinas eólicas e em aparelhos de defesa aeroespacial e eletrônicos sensíveis.

Segundo Cauê Mançanares, CEO da Investo, a tese central reside no fato de que essas matérias-primas são indispensáveis para setores econômicos que devem receber aportes trilionários nas próximas décadas. A própria gestora pontuou que o desenvolvimento do fundo foi motivado por uma demanda estratégica crescente dos investidores locais que buscavam acessar esse nicho sem abrir conta no exterior.
Riscos, Volatilidade e Custos
O investidor que avalia essa classe de ativos precisa observar o comportamento de risco. O setor é historicamente marcado por alta volatilidade. A concentração da oferta produtiva, especialmente no eixo asiático, atrela o desempenho dessas empresas a decisões políticas de exportação, políticas de estado e fortes disputas geopolíticas.
Quanto aos retornos recentes que chamaram a atenção para o setor, o fundo original (REMX) registrou uma valorização expressiva nos EUA. O ETF acumulou uma alta de cerca de 125% em dólar nos 12 meses anteriores ao lançamento da versão brasileira, com um avanço que superou a marca de 21% apenas no acumulado do ano de listagem na B3.
Sobre a estrutura de custos, o investidor do RARA11 arcará com uma taxa de administração total de 1,03% ao ano. Essa composição resulta da soma da taxa cobrada pelo fundo no Brasil (0,50% a.a.) com o repasse da taxa do ETF americano no qual ele investe (0,53% a.a.). A exposição do ativo é totalmente dolarizada.