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S&P DJI vê nova fase dos ETFs no Brasil, com foco em carteiras, renda fixa e distribuição

Gregory Vadala

A próxima etapa de crescimento dos ETFs no Brasil dependerá de como os produtos são utilizados e distribuídos, além da ampliação da oferta. Essa foi uma das mensagens da abertura do Brazil Indexing & ETF Masterclass 2026, em São Paulo, nas falas de Gregory Vadala e Paulo Sampaio, executivos da S&P Dow Jones Indices.

Vadala, diretor-gerente e responsável por vendas nas Américas, destacou o avanço da renda fixa, da alocação internacional e dos ativos digitais. Para ele, o desenvolvimento do mercado brasileiro mostra uma procura por instrumentos mais precisos para implementar estratégias e construir portfólios.

“A próxima fase da adoção de ETFs dependerá de como esses produtos são usados e distribuídos, e não apenas de quantos são lançados”, afirmou.

Renda fixa amplia a adoção dos ETFs

Vadala observou que a renda fixa respondeu pela maior parte dos fluxos para ETFs no Brasil no primeiro semestre de 2026. Em sua avaliação, isso mostra que a expansão desses fundos pode ocorrer dentro das classes que os investidores já priorizam, sem depender de uma migração para a bolsa.

A observação amplia a leitura sobre o crescimento da indústria: o ETF passa a disputar espaço como forma de implementar uma alocação, inclusive em renda fixa, e não apenas como porta de entrada para ações. O executivo também apontou a diversificação internacional e a incorporação de ativos digitais às discussões de investimento como sinais da maior abrangência do mercado.

No contexto pós-eleitoral, Vadala citou juros, real e política fiscal entre os fatores que tornam mais exigente o equilíbrio entre decisões imediatas e objetivos de longo prazo. Sua avaliação foi de que a incerteza de curto prazo não reduz a importância do desenvolvimento da indústria.

Distribuição e custos ganham relevância

A evolução dos modelos de assessoria foi outro ponto da abertura. Vadala relacionou a maior transparência sobre a remuneração dos assessores e o avanço do atendimento remunerado por honorários a uma atenção crescente aos custos dos portfólios e ao valor do aconselhamento.

Para o executivo, a expansão das alternativas de investimento aumenta a necessidade de metodologias transparentes e referências consistentes. O índice deve permitir compreender a exposição e avaliar seu comportamento, inclusive quando novas tecnologias modificam a forma de acessar os ativos.

Ao tratar de ativos digitais e tokenização, Vadala defendeu que a avaliação parta da utilidade para o investidor, considerando acesso, transparência e eficiência. “A questão não é simplesmente o que a tecnologia torna possível, mas onde ela pode melhorar o acesso, a transparência ou a eficiência para os investidores”, disse.

Sampaio destaca escala e sofisticação do mercado

Paulo Sampaio

Paulo Sampaio, diretor sênior de vendas para a América Latina, resgatou a trajetória do evento e a participação da S&P DJI na discussão sobre investimentos baseados em índices no país. Ele lembrou que a iniciativa já estava presente há 11 anos, quando o segmento ainda começava a ganhar espaço.

“Hoje vemos diversos eventos e iniciativas discutindo e promovendo ETFs no Brasil, e isso é excelente. É uma demonstração clara do quanto esse mercado avançou”, afirmou.

Como exemplo da adoção de estratégias mais sofisticadas, Sampaio citou uma estratégia baseada em futuros do S&P 500 que, lançada há menos de dois anos, já servia de referência para quatro ETFs no mercado brasileiro, com mais de US$ 1,6 bilhão em ativos, segundo os números apresentados na abertura.

“Isso mostra não apenas o crescimento do mercado, mas também como o investidor brasileiro vem adotando soluções cada vez mais sofisticadas”, disse.

A abertura conectou essa expansão a uma exigência para a próxima etapa: transformar a variedade de produtos em exposições compreensíveis e úteis para as carteiras. Para Vadala, esse trabalho permanece central mesmo em períodos de maior instabilidade. “Nosso compromisso com o Brasil é de longo prazo”, afirmou.

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