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TOPY11 lidera ganhos enquanto ETFs brasileiros sofrem com alta dos juros

A semana foi marcada por uma clara divergência entre os ativos globais e os ativos brasileiros.

Nos Estados Unidos, a divulgação de indicadores econômicos abaixo das expectativas reduziu a percepção de necessidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve. Dados mais fracos de vendas no varejo, confiança do consumidor e mercado imobiliário levaram o mercado a revisar as expectativas para a política monetária americana, favorecendo ativos sensíveis à redução da taxa de desconto e ampliando o apetite por risco global.

Ao mesmo tempo, o dólar perdeu força frente a diversas moedas e os investidores voltaram a direcionar recursos para segmentos ligados ao crescimento econômico, tecnologia e estratégias de geração de renda em ações. Também houve valorização dos metais preciosos, favorecidos pela combinação de menor pressão sobre os juros americanos e busca por diversificação.

No Brasil, o ambiente foi mais desafiador. O real apresentou enfraquecimento frente ao dólar, enquanto os rendimentos dos títulos públicos de longo prazo avançaram para níveis próximos das máximas de um mês. O aumento do prêmio de risco doméstico acabou pressionando diversos segmentos da bolsa brasileira, especialmente estratégias mais dependentes do ciclo econômico e empresas sensíveis ao custo de capital. 

As cinco maiores altas da semana

TOPY11: +9,68%

A redução das expectativas de aperto monetário nos Estados Unidos favoreceu fatores ligados à qualidade, geração de caixa e revisões de lucros, justamente os pilares utilizados pelo modelo quantitativo da estratégia. Em um ambiente de maior dispersão entre vencedores e perdedores dentro do mercado americano, a estrutura long/short contribuiu para que o ETF registrasse o melhor desempenho da semana.

PEVC11: +8,05%

O PEVC11, ETF focado em gestoras alternativas e empresas ligadas à indústria de private equity nos Estados Unidos, foi beneficiado pelo movimento de melhora das condições financeiras globais. A diminuição das expectativas de novas altas de juros favoreceu segmentos diretamente ligados ao mercado de capitais, crédito privado, captação de recursos e transações corporativas. Como essas empresas dependem fortemente da dinâmica de investimentos e de avaliações de ativos, o cenário observado durante a semana contribuiu para uma forte valorização do ETF.

PIPE11: +6,75%

O PIPE11, ligado ao segmento de infraestrutura energética americana, teve uma semana positiva em meio à recuperação dos preços internacionais de energia. A valorização observada nas commodities energéticas reforçou as perspectivas para empresas ligadas a transporte, armazenamento e infraestrutura do setor, enquanto o ambiente de juros mais favorável aumentou a atratividade relativa de ativos geradores de fluxo de caixa recorrente.

META11: +5,38%

Dentro do universo cripto, projetos relacionados à infraestrutura de blockchain, entretenimento digital e economia virtual tendem a apresentar elevada sensibilidade ao apetite por risco global. O avanço do META11 refletiu justamente a recuperação observada nesse grupo de ativos, especialmente em uma semana marcada por melhora do sentimento dos investidores em relação aos mercados digitais e por condições financeiras mais favoráveis para ativos de maior volatilidade.

PRAF11: +5,34%

Fechando o grupo das maiores altas, o PRAF11 acompanhou a valorização da prata no mercado internacional. A combinação de dólar mais fraco e redução das expectativas de aperto monetário nos Estados Unidos favoreceu os metais preciosos. Como a prata possui tanto características monetárias quanto industriais, acabou se beneficiando desse ambiente e sustentou o desempenho positivo do ETF.


As cinco maiores quedas da semana

UTLL11: -7,32%

O UTLL11 registrou o pior desempenho da semana. O ETF possui exposição ao setor brasileiro de utilidade pública, segmento tradicionalmente sensível ao comportamento das taxas de juros.

Com a elevação dos rendimentos dos títulos públicos de longo prazo e o aumento do prêmio de risco doméstico, houve pressão sobre empresas intensivas em capital e dependentes de grandes ciclos de investimento. Esse movimento contribuiu para uma expressiva reprecificação do setor ao longo do período.

HIGH11: -6,74%

O HIGH11, ETF baseado em ações brasileiras de alto beta, refletiu a piora do sentimento dos investidores em relação aos ativos domésticos. 

A combinação entre alta dos juros longos, enfraquecimento do real e aumento do prêmio de risco levou investidores a reduzirem exposição aos segmentos mais sensíveis aos ciclos econômicos, pressionando de forma mais intensa as estratégias de maior volatilidade

CAPE11: -6,32%

Apesar de utilizar uma metodologia diferenciada de seleção de ações brasileiras, o CAPE11 permaneceu exposto ao movimento mais amplo de fraqueza da renda variável doméstica. Juros mais elevados, custo de capital maior e menor disposição dos investidores para assumir risco no mercado brasileiro contribuíram para o desempenho negativo do ETF durante a semana.

BEST11: -5,77%

O BEST11, estratégia baseada em fatores de qualidade no mercado brasileiro, também sofreu com a reprecificação dos ativos domésticos. Embora empresas de qualidade normalmente apresentem maior resiliência em ambientes adversos, a forte deterioração do sentimento em relação ao mercado local acabou pressionando o desempenho do ETF no período.

BTER11: -5,72%

O BTER11 completou a lista dos piores desempenhos da semana. Assim como ocorreu com diversos ETFs de ações brasileiras, o fundo foi impactado pela combinação de juros mais altos, real mais fraco e aumento do prêmio de risco exigido pelos investidores para manter exposição a ativos domésticos. O resultado foi um desempenho alinhado ao movimento de correção observado em diferentes estratégias de renda variável local.

 

Em uma semana marcada pela melhora das condições financeiras globais e pela piora relativa do ambiente doméstico, os ETFs ligados ao mercado americano dominaram o topo do ranking, enquanto as estratégias focadas em ações brasileiras concentraram os maiores recuos. O contraste reforça como os movimentos de juros, câmbio e percepção de risco continuam sendo determinantes para o desempenho dos ETFs negociados no mercado brasileiro.


Dados exclusivos do DEX PRO. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos.

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