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Defensividade e dividendos lideram ETFs de fatores em 2026

Fonte: Magnific

 

A bolsa brasileira começou o ano apoiada pelo ingresso de capital estrangeiro, pelo enfraquecimento do dólar e pela reprecificação dos juros domésticos e internacionais. A entrada de recursos favoreceu principalmente ações de maior liquidez, que ocupam posições relevantes em vários ETFs da relação.

Na sequência, o mercado passou por uma fase mais irregular. A inflação permaneceu acima do centro da meta e a Selic, mesmo após quatro cortes consecutivos, continuou em nível restritivo. Esse ambiente manteve elevado o custo de capital e aumentou a seletividade entre empresas, setores e estratégias de investimento.

A composição das carteiras fez diferença. Fundos voltados a empresas de qualidade, pagadoras de dividendos e menos voláteis foram beneficiados pela exposição a bancos, seguradoras, utilities e companhias consolidadas. Já as estratégias de alto beta enfrentaram maior pressão por concentrarem ações ligadas ao consumo, ao crédito, à construção e a outros segmentos sensíveis ao ciclo econômico.

O resultado é uma dispersão relevante entre os ETFs. Enquanto o BVBR11 avança 7,00% no acumulado do ano, o HIGH11 recua 16,88%. Entre os dois extremos, dividendos, baixa volatilidade, fundamentos, momentum e qualidade produziram retornos distintos conforme seus critérios de seleção e sua distribuição setorial.

 

Fonte: DEX PRO. Data-base: 25 de agosto de 2026

 

BVBR11: +7,00%

Gerido pela Investo, o BVBR11 lidera a relação com valorização de 7,00%. O ETF replica o Índice Constância Fatores Defensividade, que seleciona ações brasileiras combinando critérios de qualidade, valor e volatilidade. A metodologia procura empresas lucrativas, eficientes, menos voláteis e com histórico consistente de dividendos.

A distribuição setorial ajuda a explicar a resiliência do fundo. Serviços financeiros representam 33,15% da carteira, seguidos por materiais, energia e utilities. Vale, Petrobras, Itaú Unibanco, Bradesco, Itaúsa, Axia Energia e Santander estão entre suas principais posições.

No início do ano, a entrada de capital estrangeiro e a procura por empresas de grande capitalização favoreceram parte importante dessa carteira. O posicionamento em bancos permitiu participar da recuperação das ações financeiras, enquanto utilities e negócios com receitas mais previsíveis ajudaram a equilibrar os períodos de maior oscilação da bolsa.

A combinação de fatores também diferencia o BVBR11 dos fundos puramente defensivos. Além de limitar a exposição a empresas muito voláteis, o índice incorpora qualidade e valor, mantendo participação em companhias de commodities e energia que contribuíram para a alta da bolsa em diferentes momentos do ano.

DIVO11: +6,62%

O DIVO11, gerido pelo Itaú, acumula alta de 6,62%. O fundo acompanha o Índice Dividendos, o IDIV, formado por empresas que se destacam na remuneração dos acionistas por meio de dividendos e juros sobre capital próprio.

Para integrar o índice, o ativo precisa estar entre os 33% dos elegíveis com os maiores dividend yields dos últimos 36 meses. Como o IDIV é um índice de retorno total, os proventos recebidos são incorporados ao resultado da carteira.

BB Seguridade, Petrobras, Itaúsa, Copasa, Cemig, Itaú Unibanco, Vale, Bradesco e Banco do Brasil figuram entre as participações relevantes. Essa composição concentra a estratégia em instituições financeiras, utilities, saneamento, energia e materiais básicos.

Ao longo do ano, a geração de caixa e a distribuição de proventos ajudaram a sustentar o interesse por empresas maduras. A presença de elétricas e saneamento trouxe maior previsibilidade, enquanto bancos e seguradoras permitiram que o fundo participasse dos períodos de valorização do setor financeiro.

A exposição a Petrobras e Vale também acrescentou uma componente cíclica. Essa parcela tornou o desempenho sensível às oscilações do petróleo, do minério de ferro e das grandes empresas exportadoras, mas sem retirar do ETF seu viés predominante de dividendos.

LVOL11: +4,70%

Gerido pela Nu Asset, o LVOL11 apresenta alta de 4,70%. O ETF replica o Ibov Smart Low Volatility B3 e seleciona as ações de menor volatilidade dentro do universo do Ibovespa.

Utilities representam 32,2% da carteira, seguidas pelos setores financeiro, com 25,9%, e de materiais básicos, com 16,5%. BB Seguridade, Ambev, Klabin, Caixa Seguridade, Taesa, ISA Energia, SLC Agrícola, Gerdau, Itaúsa e Itaú Unibanco aparecem entre as maiores posições.

Nos primeiros meses, a estratégia foi beneficiada pela valorização da bolsa e pela procura por empresas consolidadas. Quando o ambiente se tornou mais volátil, a diversificação entre utilities, seguradoras, telecomunicações, bancos e consumo não cíclico ajudou a reduzir a dependência de setores mais sensíveis ao crédito.

O desempenho ficou abaixo do BVBR11 e do DIVO11 porque a baixa volatilidade, isoladamente, não busca os maiores dividend yields nem combina os mesmos filtros de valor e qualidade. Ainda assim, a concentração em serviços públicos e companhias com receitas relativamente previsíveis contribuiu para manter o fundo no campo positivo.

AUVP11: +4,49%

O AUVP11 acumula valorização de 4,49%. Gerido pelo BTG Pactual, o ETF acompanha o Índice Teva Ações Fundamentos, que seleciona empresas brasileiras com base em rentabilidade, eficiência operacional e controle do endividamento.

A carteira apresenta concentração relevante em serviços financeiros e energia. Itaú Unibanco, Petrobras, Bradesco, B3, Itaúsa, WEG e BTG Pactual estão entre suas principais posições. O setor financeiro representa 40,40% da composição, enquanto energia responde por 27,40%.

A exposição a empresas consolidadas permitiu ao fundo participar do movimento positivo das ações de maior liquidez. Bancos foram favorecidos durante os períodos de maior entrada de capital estrangeiro, enquanto a presença de Petrobras acrescentou exposição à geração de caixa do setor de energia.

Essa concentração também limitou a diversificação dos motores de retorno. Oscilações do petróleo e mudanças na percepção sobre juros, crédito e atividade econômica afetaram parcela relevante da carteira. Ainda assim, os filtros de eficiência e endividamento ajudaram o ETF a permanecer entre os resultados positivos do grupo.

NSDV11: +4,12%

O NSDV11, gerido pela Nu Asset, avança 4,12%. O fundo replica o Ibov Smart Dividendos, que seleciona empresas do Ibovespa com histórico consistente de pagamento de dividendos nos últimos seis anos.

Utilities, serviços financeiros e materiais básicos formam os principais blocos da carteira. BB Seguridade, CSN Mineração, Copasa, Taesa, Metalúrgica Gerdau, Vale, Petrobras, Itaúsa, Banco do Brasil, Bradesco e Cemig estão entre as maiores exposições.

A concentração em elétricas e saneamento ajudou a amenizar os períodos de maior cautela. Ao mesmo tempo, a presença de siderurgia, mineração e petróleo manteve o fundo exposto às oscilações das commodities e ao comportamento das grandes exportadoras brasileiras.

O retorno abaixo do DIVO11 está relacionado às diferenças entre as metodologias. O NSDV11 seleciona empresas do Ibovespa com base no histórico e na consistência dos pagamentos, enquanto o IDIV utiliza critérios próprios de elegibilidade, dividend yield e ponderação.

BMMT11: +3,76%

Gerido pela Bradesco Asset, o BMMT11 acumula alta de 3,76%. O ETF replica o Morningstar Brazil Target Momentum, que seleciona 30 ações brasileiras com melhor desempenho recente e métricas positivas de lucratividade.

A estratégia atribui pesos iguais às ações. Isso reduz a concentração nas maiores companhias da bolsa e amplia a participação de empresas de médio e menor porte. A carteira é reconstituída semestralmente, enquanto os pesos são ajustados trimestralmente.

No início do ano, o ambiente positivo da bolsa criou condições favoráveis para a continuidade de algumas tendências. Posteriormente, a alternância entre entrada e saída de recursos, a persistência dos juros elevados e as correções de diferentes setores reduziram a consistência do movimento.

Como o fator momentum utiliza o desempenho recente para selecionar seus componentes, mudanças rápidas de liderança podem reduzir sua eficiência entre os rebalanceamentos. O resultado permaneceu positivo, mas abaixo das estratégias defensivas e de dividendos, que tiveram apoio de exposições setoriais mais estáveis.

QLBR11: -0,46%

O QLBR11 apresenta queda de 0,46%. O fundo é gerido em parceria pela Investo e pela Rio Bravo e replica o MarketVector Brazil Multifactor Quality Index. A metodologia combina liquidez, eficiência operacional, lucratividade, solidez financeira e valuation.

Consumo cíclico representa 32,05% da carteira e serviços financeiros respondem por 27,57%. Utilities, mercado imobiliário, indústria e materiais completam as principais alocações. XP, BB Seguridade, Itaúsa, Suzano, Porto Seguro, Inter, ISA Energia, Cyrela, Cury e Taesa estão entre as maiores posições.

A exposição significativa a consumo cíclico e mercado imobiliário tornou a carteira mais sensível aos juros domésticos e às expectativas para crédito e atividade econômica. Mesmo com o avanço de algumas construtoras e instituições financeiras, essa composição não reproduziu integralmente a recuperação das grandes empresas do Ibovespa.

A valorização do real também pode afetar companhias exportadoras presentes na carteira, como a Suzano, ao alterar a conversão das receitas obtidas em moeda estrangeira. O resultado próximo da estabilidade mostra que os filtros de qualidade e valuation foram contrabalançados pela distribuição setorial do fundo.

 

Fonte: DEX PRO. Data-base: 25 de agosto de 2026

HIGH11: -16,88%

O HIGH11 registra o pior desempenho da relação, com queda de 16,88%. Gerido pela Nu Asset, o fundo replica o Ibov Smart High Beta B3, formado pelas ações de maior beta do Ibovespa. A estratégia tende a amplificar tanto as altas quanto as quedas do mercado.

Consumo cíclico representa 45,3% da carteira. Materiais básicos respondem por 15,9%, enquanto petróleo, gás e biocombustíveis possuem participação de 9,9%. Entre as principais posições estão Ultrapar, CSN Mineração, Assaí, Vibra, Cosan, Lojas Renner, Cogna, Smart Fit, Vamos, Cyrela, CSN, Yduqs, MRV e Magazine Luiza.

Apesar do avanço da bolsa no começo do ano, o fundo passou a enfrentar sucessivas correções. A Selic permaneceu elevada mesmo com o início do ciclo de cortes, mantendo altos os custos de financiamento e as taxas utilizadas na avaliação das empresas. Esse cenário foi particularmente desafiador para varejo, educação, construção, locação de veículos e empresas endividadas ou dependentes de crédito.

A presença de materiais básicos e distribuição de combustíveis acrescentou outros vetores de volatilidade. Oscilações das commodities, do câmbio e das margens operacionais afetaram empresas como CSN, CSN Mineração, Vibra, Ultrapar e Cosan.

A composição também explica a distância em relação aos fundos defensivos. Enquanto BVBR11, DIVO11 e LVOL11 concentram maior participação em empresas maduras, utilities, bancos e seguradoras, o HIGH11 privilegia ações que respondem com mais intensidade às mudanças nas condições de mercado. Em um ano de recuperação seletiva, essa característica levou a perdas mais amplas do que as observadas no índice de referência.

 


Dados exclusivos do DEX PRO. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos.

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