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Juros americanos e saídas de ETFs pressionam criptoativos, com maior impacto sobre DeFi e metaverso

bitcoin-ethereum-etf-queda-dolar

Créditos: iStock

 

Todos os ETFs do recorte terminaram no campo negativo. O QDFI11 caiu 0,97%, o ETHE11 perdeu 1,10%, o BITH11 recuou 1,39% e o HASH11 cedeu 1,55%. WEB311, SOLH11 e FOMO11 registraram perdas entre 2,36% e 2,53%, enquanto XRPH11, DEFI11 e META11 caíram entre 3,02% e 4,82%.

A correção teve um vetor macroeconômico bem definido. A inflação ao produtor dos Estados Unidos acumulou 5,4% nos 12 meses até agosto, o Brent superou US$ 108 por barril e o rendimento do Treasury de dez anos subiu de 4,83% para perto de 4,95%. Nesse ambiente, o Bitcoin caiu para US$ 76.630,13, depois de superar US$ 78.500 durante o dia.

A pressão também veio dos fluxos institucionais. Os ETFs americanos de Bitcoin à vista registraram aproximadamente US$ 120,2 milhões em saídas líquidas em 9 de setembro, marcando o segundo dia consecutivo de resgates e antecedendo a queda do Bitcoin no pregão seguinte.

A combinação entre juros próximos de 5%, petróleo mais caro e resgates nos ETFs reduziu a demanda por ativos de risco. A correção foi relativamente contida em Bitcoin e Ethereum, mas ganhou intensidade em XRP, protocolos de DeFi e tokens associados ao metaverso.

Apesar da queda diária, todos os fundos permaneciam positivos no mês. As valorizações variavam de 19,82% no BITH11 a 36,37% no XRPH11. Em 12 meses, entretanto, todos continuavam no campo negativo, com perdas entre 37,09% e 69,18%.

QDFI11 (QR Asset): -0,97% e DEFI11 (Hashdex): -4,00%

Os dois ETFs sofreram com a correção dos tokens de finanças descentralizadas, mas a diferença de 3,03 pontos percentuais mostra que as carteiras não responderam da mesma forma. O QDFI11 acompanha o Bloomberg Galaxy DeFi Index, enquanto o DEFI11 replica o CF DeFi Market Cap Weight Composite Index.

Na composição divulgada do QDFI11, Uniswap representava 10,45%, Maker 5,46%, Aave 4,91%, Ethena 3,15% e Injective 2,29%. Posições menores incluíam Ether.fi, Jito e Lido. A fonte também mostrava 53,18% da carteira sem identificação individual, o que impede uma decomposição integral do resultado.

Entre os componentes confirmados, Aave caiu de US$ 125,71 para US$ 120,92, uma baixa de aproximadamente 3,8%. O token já vinha recuando desde os US$ 136,41 registrados em 6 de setembro, acrescentando pressão às duas estratégias de DeFi.

A queda mais intensa do DEFI11 indica que sua cesta ficou mais exposta aos tokens que lideraram a realização.

O QDFI11 ainda acumulava alta de 31,61% no mês, mas recuava 15,35% no ano e 55,56% em 12 meses. O DEFI11 avançava 34,93% no mês, enquanto perdia 11,68% no ano e 55,72% em 12 meses.

ETHE11 (Hashdex): -1,10%

O ETHE11 apresentou a segunda menor perda do grupo. O ETF oferece exposição concentrada ao preço de referência do Ethereum, o que torna a atribuição mais direta que nas carteiras temáticas e multicripto.

O Ethereum era negociado a US$ 2.456,94 na manhã de 10 de setembro e ainda acumulava alta de 2,08% em sete dias. Essa força relativa ajuda a explicar por que o ETHE11 caiu menos que WEB311, SOLH11, FOMO11 e os dois ETFs de DeFi.

A comparação com o WEB311 é especialmente relevante. O ETF de Ethereum caiu 1,10%, enquanto a cesta de plataformas de contratos inteligentes perdeu 2,36%. O resultado indica que a pressão foi maior nas redes alternativas incluídas no índice temático do que no Ethereum isoladamente.

O ETHE11 acumulava alta de 30,72% no mês, mas recuava 23,72% no ano e 47,16% em 12 meses.

BITH11 (Hashdex): -1,39%

O BITH11 recuou 1,39% ao acompanhar a queda do Bitcoin. A criptomoeda caiu de mais de US$ 78.500 para US$ 76.630,13 durante o pregão, uma retração intradiária próxima de 2,5%.

Além da pressão macroeconômica, o Bitcoin encontrou resistência entre US$ 80 mil e US$ 82 mil. Antes do aprofundamento da queda, o ativo permanecia próximo de US$ 78.200, com ordens de venda concentradas acima de US$ 82 mil e uma região de suporte de curto prazo entre US$ 77.600 e US$ 77.900.

Os resgates nos ETFs americanos acrescentaram pressão. As saídas de aproximadamente US$ 120,2 milhões em 9 de setembro reverteram parcialmente os fortes ingressos do início do mês e mostraram que a demanda institucional também reagiu à incerteza sobre inflação e juros.

Ainda assim, o BITH11 caiu menos que a cesta multicripto e que os ETFs de altcoins. O fundo acumulava alta de 19,82% no mês, mas recuava 19,53% no ano e 37,09% em 12 meses.

HASH11 (Hashdex): -1,55%

O HASH11 perdeu 1,55%. O fundo acompanha o Nasdaq CME Crypto Index e distribui a exposição entre diferentes criptoativos, em vez de depender exclusivamente de Bitcoin ou Ethereum.

A diversificação ampliou ligeiramente a perda porque a correção atingiu as altcoins com mais força. O BITH11 caiu 1,39% e o ETHE11 perdeu 1,10%, enquanto os ETFs de Solana e XRP recuaram 2,47% e 3,02%. A presença desses ativos de maior volatilidade impediu que a cesta acompanhasse a resistência relativa do Ethereum.

O resultado também ficou próximo da queda de 1,49% registrada por outra referência diversificada do mercado de criptoativos no fechamento de 10 de setembro. Isso reforça que a baixa do HASH11 foi compatível com uma correção ampla da classe, e não com um evento específico do fundo.

O HASH11 acumulava alta de 21,93% no mês, mas perdia 21,69% no ano e 42,00% em 12 meses.

WEB311 (Hashdex): -2,36%

O WEB311 caiu 2,36%. O fundo investe pelo menos 95% do patrimônio no ETF-alvo que replica o CF Smart Contract Platforms Index, composto por tokens de redes capazes de executar aplicativos e protocolos descentralizados.

A diferença para o Ethereum isolado mostra onde se concentrou a pressão. O ETHE11 recuou 1,10%, enquanto o SOLH11 caiu 2,47%. A exposição a plataformas alternativas, especialmente às redes com maior sensibilidade a movimentos de aversão ao risco, puxou a cesta para baixo.

A mesma divergência apareceu nos veículos americanos usados como referência de mercado. No fechamento, o ETF de Solana recuou 2,64%, enquanto o ETF de Ethereum perdeu apenas 0,11%. A dispersão entre as redes explica por que a diversificação do WEB311 não funcionou como proteção no pregão.

O WEB311 acumulava alta de 28,37% no mês, mas permanecia negativo em 30,65% no ano e em 63,82% nos últimos 12 meses.

SOLH11 (Hashdex): -2,47%

O SOLH11 recuou 2,47%. O fundo investe no mínimo 95% do patrimônio em Solana, direta ou indiretamente, e acompanha o Nasdaq Solana Reference Price Index. A estratégia também incorpora os benefícios econômicos do staking.

A pressão sobre a Solana foi confirmada no mercado americano. O ETF de Solana usado como referência caiu 2,64% em 10 de setembro, em comparação com uma baixa de apenas 0,11% no ETF de Ethereum. A diferença mostra que a correção atingiu SOL com intensidade superior a ETH.

O movimento ocorreu depois de uma alta mensal de 31,18% no SOLH11. A combinação entre valorização prévia elevada e piora do ambiente macroeconômico ampliou a realização em um ativo de maior volatilidade que Bitcoin e Ethereum.

O ETF recuava 1,59% na semana, 25,24% no ano e 57,67% em 12 meses.

FOMO11 (Hashdex): -2,53%

O FOMO11 caiu 2,53%. Sua carteira atualizada em 10 de setembro tinha 19,30% em Tron, 12,04% em Bitcoin, 11,68% em Chainlink, 9,24% em Solana, 8,92% em Ethereum, 7,68% em Litecoin, 7,23% em XRP e 6,28% em Uniswap. Cardano, Avalanche, Bitcoin Cash e Stellar completavam a alocação.

A composição explica a perda superior à do HASH11. Quase um quarto da carteira estava em Solana e XRP, cujos ETFs monoativos recuaram 2,47% e 3,02%. A posição em Uniswap ligava o fundo à correção de DeFi, enquanto Chainlink também negociava em queda.

Tron, a maior posição, havia encerrado o dia anterior praticamente estável, a US$ 0,3389, ante US$ 0,3388. Essa estabilidade ofereceu alguma contenção, mas não neutralizou a pressão distribuída entre Solana, XRP, Uniswap, Chainlink e os demais componentes.

O FOMO11 acumulava alta de 22,39% no mês, mas recuava 25,65% no ano e 50,47% em 12 meses.

XRPH11 (Hashdex): -3,02%

O XRPH11 caiu 3,02%. O ETF investe no mínimo 95% do patrimônio em XRP de forma direta, por contratos futuros ou por veículos que acompanham o Nasdaq XRP Reference Price Index.

O XRP caiu de US$ 1,3948 em 9 de setembro para US$ 1,3340 no dia 10, uma perda de 4,36%. O ativo chegou a US$ 1,3318 na mínima e não conseguiu sustentar a máxima de US$ 1,3961 registrada durante a sessão.

Essa retração explica por que o XRPH11 perdeu mais que os ETFs de Bitcoin, Ethereum e Solana. O movimento também representou uma realização após a alta acumulada no mês, que ainda chegava a 36,37%, a maior entre os dez fundos analisados.

O ETF recuava 2,06% na semana, 31,64% no ano e 56,76% em 12 meses.

META11 (Hashdex): -4,82%

O META11 apresentou a maior queda, de 4,82%. O fundo acompanha uma cesta de tokens relacionados ao metaverso, jogos, NFTs e entretenimento digital.

Esses ativos estão entre as áreas mais voláteis do universo cripto. São ligados a economias virtuais específicas e dependem da atividade dos usuários, da negociação de itens digitais, da governança e da demanda por aplicações de entretenimento.

O segmento também estava exposto ao elevado posicionamento em derivativos de altcoins. O volume de contratos em aberto nessas moedas havia atingido US$ 38,6 bilhões em 1º de setembro, aumentando a vulnerabilidade a liquidações quando o mercado reduz risco.

A composição nominal e os pesos exatos do META11 em 10 de setembro não estavam disponíveis nas fontes consultadas. Por isso, a perda não deve ser atribuída individualmente a tokens conhecidos do segmento. O que os dados permitem afirmar é que a cesta de cultura digital caiu mais que Bitcoin, Ethereum, Solana, XRP e as estratégias de DeFi naquele pregão.

O fundo ainda acumulava alta de 30,87% no mês e de 0,70% na semana. No ano, recuava 28,00%, enquanto a perda em 12 meses chegava a 69,18%, a maior do grupo.

 


Dados exclusivos do DEX PRO. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos.

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