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Os ETFs brasileiros de criptoativos iniciaram setembro sem uma direção uniforme. DEFI11 e XRPH11 avançaram 1,84% e 1,63%, respectivamente, enquanto os demais produtos registraram perdas entre 1,32% e 4,04%.
O ambiente internacional pressionou os ativos de maior risco. A alta do petróleo e dos rendimentos dos títulos públicos americanos elevou as preocupações com inflação e juros, reduzindo o apetite por exposições mais voláteis.
No mercado americano, o ETF de Solana recuou 3,52%, o de Ethereum caiu 2,62% e o Bitwise 10 Crypto Index perdeu 2,40%. Os ETFs de Bitcoin também registraram resgate líquido de US$ 236,46 milhões. Em sentido contrário, os produtos de Ethereum, XRP e Solana receberam entradas líquidas.
Os fluxos mostram como a demanda institucional se distribuiu ao final da sessão americana. Nos produtos negociados na B3, o retorno também depende da metodologia do índice, da conversão cambial e da janela de apuração. Os criptoativos operam continuamente, enquanto as cotas brasileiras encerram sua negociação no horário local.
DEFI11: +1,84%
O DEFI11 liderou o levantamento, impulsionado pela valorização de componentes relevantes da carteira. Uniswap, maior posição do fundo, com peso de 16,30%, avançou 10,7%. Curve, com 3,06%, subiu 14,76%, enquanto Arbitrum, com 0,77%, ganhou 27,2%.
A alta do Uniswap foi ampliada pela liquidação de posições vendidas próximas ao nível de US$ 5. O Arbitrum recebeu suporte do aumento da atividade associada à Robinhood Chain e da expansão de ativos do mundo real em seu ecossistema. Curve acompanhou a rotação compradora para finanças descentralizadas.
Os três tokens representavam 20,13% da carteira e compensaram as quedas de Ethereum e Solana, que também integravam o fundo. O resultado foi sustentado por uma valorização seletiva dentro do segmento de DeFi.
XRPH11: +1,63%
O XRPH11 registrou o único resultado positivo entre os ETFs monoativos analisados. A demanda institucional por XRP permaneceu favorável, com entrada líquida de US$ 14,38 milhões nos ETFs americanos ligados ao ativo.
A alta também refletiu a janela de apuração do fundo. O XRP continuou sendo negociado após o encerramento da B3, fazendo com que o retorno da cota brasileira não coincidisse integralmente com as variações internacionais observadas mais tarde.
A combinação entre demanda institucional e horário de precificação sustentou o desempenho positivo do XRPH11.
FOMO11: -1,32%
O FOMO11 apresentou a menor perda entre os fundos no campo negativo. A estratégia utiliza sinais de momentum ligados ao universo do Ethereum, em vez de reproduzir uma exposição puramente direcional ao ativo.
Essa construção reduziu a participação do fundo na correção do Ethereum. Enquanto o ETHE11 perdeu 3,36%, o FOMO11 recuou 1,32%, diferença de 2,04 pontos percentuais.
BITH11: -2,79%
O BITH11 acompanhou a correção do Bitcoin em uma sessão de menor apetite por risco. A alta dos juros americanos e do petróleo pressionou ativos de elevada volatilidade e sem geração de caixa.
Os ETFs americanos de Bitcoin registraram saída líquida de US$ 236,46 milhões. O IBIT, da BlackRock, respondeu por aproximadamente US$ 201,18 milhões desse total.
A combinação entre a correção do ativo e o enfraquecimento da demanda institucional pesou sobre o BITH11. Ainda assim, o fundo caiu menos que os produtos diretamente expostos a Ethereum e Solana.
HASH11: -2,94%
O HASH11 foi pressionado pelas perdas simultâneas das principais criptomoedas de sua carteira. Bitcoin, Ethereum e Solana recuaram, impedindo que a diversificação neutralizasse o movimento negativo.
O retorno ficou entre a queda de 2,79% do BITH11 e as perdas de 3,36% e 4,04% registradas por ETHE11 e SOLH11.
A diversificação reduziu a dependência de uma única criptomoeda, mas não protegeu a carteira em uma sessão de queda disseminada entre seus principais componentes.
WEB311: -3,02%
O WEB311 acompanhou a fraqueza das plataformas de contratos inteligentes. Ethereum e Solana, duas referências centrais desse segmento, ficaram entre os principais ativos pressionados.
A valorização de tokens de DeFi não se espalhou de maneira uniforme pelas redes de infraestrutura. O movimento positivo permaneceu concentrado em protocolos e ativos específicos, como Uniswap, Curve e Arbitrum.
A concentração temática do WEB311 ampliou sua sensibilidade à correção das principais plataformas utilizadas por aplicações descentralizadas.
META11: -3,07%
O META11 refletiu a queda dos tokens ligados a metaverso, jogos, NFTs e economias virtuais. Esses ativos apresentam elevada sensibilidade às condições de liquidez e ao apetite global por risco.
O fundo recuou mais que o HASH11, mostrando que a cesta de metaverso sofreu uma correção mais intensa do que o portfólio diversificado de grandes criptoativos.
O resultado foi determinado pelo perfil temático da carteira, direcionado a projetos com maior dependência das expectativas de adoção e crescimento das economias digitais.
ETHE11: -3,36%
O ETHE11 acompanhou a correção do Ethereum e caiu mais que o BITH11. O ETF americano ligado ao ativo também encerrou a sessão em baixa, mesmo com entrada líquida de US$ 10,95 milhões nos produtos regulados.
Uma grande carteira transferiu 103.252 ETH, avaliados em aproximadamente US$ 253 milhões, para corretoras ao longo de três dias. O movimento ampliou a disponibilidade de tokens em plataformas de negociação durante o período de correção.
A pressão vendedora no mercado global superou o suporte oferecido pela demanda institucional dos ETFs.
QDFI11: -3,40%
O QDFI11 apresentou comportamento oposto ao do DEFI11 porque acompanha outro índice e possui uma estrutura de carteira diferente. O fundo replica o Bloomberg Galaxy DeFi Index, enquanto o DEFI11 segue o CF DeFi Index.
Uma composição de referência do QDFI11 incluía Uniswap, Maker, Aave, Ethena, Injective, Ether.fi, Jito e Lido. Parte relevante da exposição aparecia agregada, o que reforça a diferença estrutural em relação à carteira divulgada pelo DEFI11.
A liquidez também teve influência. O QDFI11 oscilou entre R$ 1,92 e R$ 2,10 e negociou pouco mais de oito mil cotas. Em produtos com volume reduzido, o preço de fechamento pode apresentar maior distanciamento do valor indicativo da cesta.
Carteira, metodologia e dinâmica de negociação explicam a divergência entre os dois ETFs de DeFi.
SOLH11: -4,04%
O SOLH11 apresentou a maior queda do levantamento, acompanhando a fraqueza relativa da Solana. No mercado americano, o ETF ligado ao ativo também caiu mais que os produtos de Ethereum e o índice diversificado de criptoativos.
Os ETFs americanos de Solana receberam US$ 10,19 milhões líquidos, mas a entrada institucional não neutralizou a pressão vendedora sobre o token.
A maior volatilidade da Solana ampliou o movimento da cota brasileira e colocou o SOLH11 na última posição do ranking.