Na semana passada, os ETFs listados no Brasil tiveram comportamentos bastante distintos entre classes de ativos. A renda variável local foi pressionada pela queda do Ibovespa, pela saída de capital estrangeiro, pela valorização do dólar e pelo aumento da cautela com o cenário fiscal, eleitoral e comercial. Na outra ponta, ETFs com exposição internacional foram beneficiados pelo câmbio, enquanto o ouro avançou com a combinação de dólar global mais fraco, inflação americana comportada e menor probabilidade de alta de juros pelo Federal Reserve.
No Brasil, o Ibovespa encerrou a sexta-feira, 14 de agosto, aos 166.934 pontos, acumulando queda de aproximadamente 3,2% na semana e registrando a nona sessão consecutiva de baixa. A pressão veio principalmente da retirada de investidores estrangeiros da bolsa, do aumento do prêmio de risco doméstico e da alta do dólar, que fechou a R$ 5,2194.
No cenário macroeconômico local, o Boletim Focus divulgado em 10 de agosto mostrou queda da projeção do IPCA de 2026 de 5,03% para 5,02%, enquanto a estimativa para a Selic ao fim de 2026 permaneceu em 13,75% e a projeção para o dólar ficou estável em R$ 5,20.
Nos Estados Unidos, o CPI de julho subiu 0,1% no mês e 3,4% em 12 meses, enquanto o núcleo avançou 0,2% no mês e 2,5% em 12 meses. A leitura reduziu as apostas de alta de juros pelo Fed em setembro e contribuiu para um ambiente mais favorável aos ativos globais e ao ouro.
ETFs de Equity Brasil
BOVA11: -3,23%
O BOVA11 recuou acompanhando a queda do Ibovespa, que fechou a semana em baixa de cerca de 3,2%. A pressão sobre o índice veio da saída de capital estrangeiro, da valorização do dólar e do aumento da cautela com o cenário fiscal, eleitoral e comercial. Como o ETF replica a principal referência da bolsa brasileira, seu desempenho refletiu diretamente esse movimento de aversão a risco nos ativos locais.
DIVO11: -3,58%
O DIVO11 também caiu em meio à deterioração da renda variável brasileira. A estratégia focada em dividendos não impediu a pressão causada pela retirada de recursos estrangeiros da B3, pela alta do dólar e pela piora da percepção de risco doméstico. A semana foi negativa para ações brasileiras de forma ampla, com o Ibovespa voltando ao menor nível desde janeiro e acumulando perdas relevantes em agosto.
SMAL11: -4,37%
O SMAL11 teve o pior desempenho entre os ETFs de ações brasileiras analisados. Small caps tendem a sofrer mais em ambientes de juros elevados, menor liquidez e aumento de aversão a risco. A combinação de saída de estrangeiros, dólar mais forte, cautela fiscal e ambiente eleitoral pressionou o mercado local, e esse impacto foi mais intenso nas empresas de menor capitalização.
ETFs internacionais
IVVB11: +3,09%
O IVVB11-BR avançou com a combinação de exposição ao S&P 500 e valorização do dólar frente ao real. O mercado americano se mostrou mais resiliente que o brasileiro, apoiado por dados de inflação em linha com as expectativas e menor probabilidade de alta de juros pelo Fed em setembro. A alta do dólar no Brasil ampliou o retorno em reais do ETF.
WRLD11: +3,38%
O WRLD11 teve retorno positivo pela exposição global em moeda estrangeira e pelo efeito cambial favorável. A valorização do dólar contra o real beneficiou ETFs internacionais listados no Brasil, enquanto o ambiente externo foi sustentado por inflação americana moderada e menor pressão por aperto monetário adicional nos Estados Unidos. A diversificação global também ajudou o ETF a se distanciar do desempenho negativo da bolsa brasileira.
IVWO11: +2,06%
O IVWO11 subiu com a exposição a mercados emergentes e com a contribuição positiva do câmbio. O CSI 300, uma das principais referências de ações chinesas, fechou 14 de agosto em 4.665,88 pontos, após oscilações ao longo da semana. Em reais, a valorização do dólar reforçou o retorno do ETF, compensando um movimento mais moderado dos mercados chineses.
PKIN11: +1,85%
O PKIN11 também encerrou a semana no campo positivo, apoiado pela exposição ao mercado chinês e pelo câmbio. O CSI 300 fechou a sexta-feira praticamente estável no dia, enquanto a alta do dólar frente ao real favoreceu o retorno local do ETF. O resultado ficou abaixo de outros ETFs internacionais da amostra, refletindo contribuição mais moderada da bolsa chinesa no período.
Ouro
GOLD11: +3,31%
O GOLD11 avançou com o fortalecimento do ouro no mercado internacional e com a valorização do dólar no Brasil. O metal foi favorecido por inflação americana em linha com as expectativas, queda das apostas de alta de juros pelo Fed e dólar global mais fraco, fatores que reduzem o custo de oportunidade de manter ouro na carteira. As tensões no Estreito de Ormuz também sustentaram a demanda por proteção. Para o investidor brasileiro, a alta do dólar contra o real ampliou o ganho em moeda local.
Renda fixa
B5P211: +0,20%
O B5P211 teve leve alta em um ambiente relativamente favorável para títulos indexados à inflação de prazo mais curto. A nova queda da projeção de IPCA para 2026, de 5,03% para 5,02%, ajudou a sustentar a leitura de desinflação gradual. Ao mesmo tempo, a expectativa de Selic em 13,75% ao fim de 2026 manteve o carrego da renda fixa em patamar elevado, mas sem gerar compressão forte de juros.
IB5M11: -0,26%
O IB5M11 caiu por sua maior sensibilidade aos vencimentos longos de títulos indexados à inflação. Na sexta-feira, contratos DI de prazos mais longos operavam em níveis elevados, com vencimentos de 2028, 2029, 2030 e anos posteriores acima de 14%. Esse prêmio na parte longa da curva pressiona o preço de ativos de maior duration, explicando o desempenho inferior em relação aos ETFs de inflação curta.
LFTS11: +0,32%
O LFTS11 avançou pela combinação de juros nominais elevados e baixa sensibilidade à curva longa. A Selic estava em 14% ao ano após o corte de agosto, enquanto o Focus manteve a projeção de 13,75% para o fim de 2026. Esse ambiente favorece instrumentos pós-fixados ou de duration muito curta, nos quais o retorno vem majoritariamente do carrego diário.
Criptoativos
HASH11: +0,26%
O HASH11 ficou levemente positivo em uma semana de comportamento misto dos criptoativos. Bitcoin negociava próximo de US$ 63 mil, Ethereum perto de US$ 1.885 e Solana ao redor de US$ 75. A valorização do dólar frente ao real ajudou a conversão dos ativos internacionais para moeda local, permitindo que o ETF multicripto encerrasse a semana com ganho marginal, apesar da volatilidade do setor.
BITH11: -0,07%
O BITH11 ficou praticamente estável, com leve queda, refletindo a perda de força do Bitcoin no período. Em 14 de agosto, o Bitcoin operava abaixo de US$ 63 mil em algumas referências, pressionado por preocupações econômicas, postergação de decisões regulatórias nos Estados Unidos e saídas recentes de ETFs spot de Bitcoin. O efeito cambial positivo no Brasil ajudou a amortecer a queda, mas não foi suficiente para levar o ETF ao campo positivo.
ETHE11: -0,25%
O ETHE11 recuou acompanhando a fraqueza relativa do Ethereum. Em 14 de agosto, o Ethereum era negociado perto de US$ 1.873, com queda de 2,82% em sete dias, segundo dados compilados pela Forbes Advisor. A pressão sobre criptoativos veio de menor apetite por risco, dúvidas regulatórias nos Estados Unidos e desempenho fraco de Bitcoin e Ethereum no período. A valorização do dólar contra o real suavizou parte da queda, mas o ETF encerrou a semana em baixa.
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