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ETFs de criptomoedas disparam, enquanto saúde e economia verde lideram quedas

O mercado de ETFs apresentou movimentos expressivos ontem, 20 de agosto. Os produtos ligados a criptoativos ocuparam as cinco primeiras posições entre as maiores altas, acompanhando a valorização do Bitcoin, do Ethereum, do XRP e de outras moedas digitais.

O Bitcoin superou US$ 70 mil e alcançou o maior preço desde o início de junho. O movimento ganhou força com o enfraquecimento do dólar e a queda dos rendimentos dos títulos públicos americanos, após o Tesouro dos Estados Unidos anunciar a ampliação das recompras de papéis de longo prazo.

A valorização provocou uma onda de liquidações no mercado futuro. Cerca de US$ 3,4 bilhões em posições foram encerrados em 24 horas, dos quais aproximadamente US$ 3,1 bilhões estavam aplicados em operações que apostavam na queda das criptomoedas. A recompra forçada dos ativos aumentou a pressão compradora.

Na outra ponta, as maiores quedas ficaram concentradas em ETFs temáticos ligados à economia verde, saúde, energia nuclear e gestão de ativos alternativos, além de uma estratégia brasileira composta por ações com maior sensibilidade aos movimentos do Ibovespa.

As cinco maiores altas

XRPH11: +22,38%

O XRPH11 liderou as altas do dia, acompanhando a forte valorização do XRP. O ativo chegou a ser negociado próximo de US$ 1,19 ontem, em meio ao avanço generalizado do mercado e à expansão da atividade na XRP Ledger. A movimentação também foi sustentada pela atuação de grandes investidores depois que o Bitcoin alcançou a região de US$ 72 mil.

O XRP ainda se beneficiou de acontecimentos específicos de seu ecossistema, como operações envolvendo a stablecoin RLUSD e o aumento do limite de depósitos de XRP tokenizado em uma estrutura de finanças descentralizadas na rede Flare. A combinação entre o rali amplo das criptomoedas e o aumento da atenção sobre a utilidade do ativo ajudou o XRPH11 a superar os demais ETFs.

QDFI11: +18,42%

O QDFI11, voltado ao segmento de finanças descentralizadas, ocupou a segunda posição. O resultado ocorreu em uma sessão na qual o Ethereum avançou cerca de 18% e rompeu a região de US$ 2 mil, enquanto a valorização se espalhava por diferentes projetos de blockchain.

A queda dos rendimentos dos Treasuries, o dólar mais fraco e a liquidação de posições vendidas criaram um ambiente favorável aos ativos digitais de maior risco. Como o universo de finanças descentralizadas está diretamente ligado a redes e protocolos baseados em contratos inteligentes, o desempenho desse segmento favoreceu o ETF.

GBIT11: +18,33%

O GBIT11 avançou 18,33% com a disparada do Bitcoin. A criptomoeda superou US$ 71 mil e acumulava valorização próxima de 11% em 24 horas, depois de romper uma faixa de negociação mantida durante várias semanas.

O rompimento surpreendeu investidores posicionados para uma queda e provocou uma sequência de liquidações. O Bitcoin respondeu por cerca de US$ 1,67 bilhão em posições encerradas, gerando recompras forçadas e acelerando a valorização. A reação do GBIT11 também incorporou a oscilação cambial e as características de negociação do ETF no mercado brasileiro.

META11: +13,29%

O META11 registrou alta de 13,29% em uma sessão de valorização disseminada entre os criptoativos. O ETF oferece exposição a uma cesta ligada ao segmento de metaverso, que acompanhou a melhora do apetite por risco e a recuperação das plataformas de blockchain.

O avanço do Ethereum acima de US$ 2.250 e a expansão da alta para diferentes tokens deram suporte ao desempenho dos produtos com exposição diversificada. O valor total do mercado de criptomoedas aumentou em aproximadamente US$ 190 bilhões durante o movimento, mostrando que a pressão compradora não ficou restrita ao Bitcoin.

WEB311: +11,09%

O WEB311 fechou o grupo das cinco maiores altas, com retorno de 11,09%. O produto acompanha plataformas de contratos inteligentes, segmento beneficiado diretamente pela valorização do Ethereum, da Solana e de outros ativos ligados à infraestrutura de aplicações descentralizadas.

O Ethereum avançou cerca de 18%, enquanto a Solana também apresentou ganhos de dois dígitos. A combinação entre melhores condições de liquidez, enfraquecimento do dólar e liquidação das apostas contra o mercado impulsionou as principais redes de blockchain e favoreceu o desempenho do ETF.

As cinco maiores quedas

REVE11: -4,84%

O REVE11 liderou as perdas em uma sessão desfavorável para algumas de suas principais posições nos Estados Unidos. A Tesla, uma das maiores empresas da carteira do ETF, caiu 1,71% em ontem, enquanto a Hewlett Packard Enterprise recuou 0,45%.

O ambiente externo também trouxe pressão. Os rendimentos dos Treasuries voltaram a subir, apagando grande parte do recuo registrado no dia anterior, enquanto o petróleo mais caro e o resultado abaixo do esperado do Walmart afetaram o mercado acionário americano. Esse cenário pesou sobre ações sensíveis aos juros e ajudou a pressionar a cesta de empresas ligadas à economia verde acompanhada pelo REVE11.

HTEK11: -3,84%

O HTEK11 foi diretamente afetado pela forte correção das ações da Moderna, sua maior posição na carteira divulgada para julho, com participação de 6,23%. A empresa caiu 23,5% ontem, depois de avançar aproximadamente 177% no pregão anterior com resultados positivos de um estudo de fase 3 para uma vacina personalizada contra o câncer.

A queda refletiu a realização de lucros após a valorização recorde e dúvidas sobre quanto do potencial comercial do tratamento já estava incorporado ao preço. O movimento atingiu outras empresas presentes no HTEK11. Bristol-Myers Squibb caiu 3,2%, Gilead recuou 2,8%, Eli Lilly perdeu 2,8%, Johnson & Johnson caiu 2,2%, Merck cedeu 2,1% e Amgen baixou 2%. A pressão disseminada sobre a cesta de biotecnologia e saúde explica o desempenho negativo do ETF.

NUCL11: -2,38%

O NUCL11 acompanhou a queda das empresas globais de urânio e energia nuclear que integram seu índice de referência. A Cameco, uma de suas principais posições, encerrou ontem com baixa de 2,44%.

A correção ocorreu em meio à cautela com a avaliação da companhia e com o desempenho da Westinghouse, negócio no qual a Cameco possui participação de 49%. Os resultados do segundo trimestre haviam mostrado lucro por ação e receita inferiores às estimativas, além de menores resultados provenientes da Westinghouse e volumes planejados de venda mais baixos. Embora a perspectiva estrutural para o urânio permanecesse favorável, essas questões continuaram pesando sobre a ação e, consequentemente, sobre o ETF.

PEVC11: -1,92%

O PEVC11 caiu com a desvalorização generalizada das grandes gestoras de ativos alternativos que compõem sua carteira. Em ontem, KKR recuou 3,11%, Apollo Global Management caiu 2,73%, Blackstone perdeu 2,58%, Brookfield Asset Management cedeu 2,15% e Brookfield Corporation baixou 1,85%.

O setor ainda enfrentava uma reavaliação dos riscos associados ao crédito privado, aos pedidos de resgate em produtos semilíquidos e à desaceleração das captações. Como Blackstone, Apollo, KKR, Brookfield e Ares representam conjuntamente a maior parcela da carteira do PEVC11, a queda simultânea dessas ações foi transmitida diretamente ao ETF negociado na B3.

HIGH11: -1,51%

O HIGH11 foi pressionado por quedas expressivas de ações presentes em sua carteira. A Vamos, uma das principais posições do ETF, caiu 8,49%, enquanto a Hapvida, também entre os maiores componentes, recuou 7,16% em ontem.

As ações da Vamos continuaram reagindo ao balanço do segundo trimestre, que apresentou receita e lucro abaixo das expectativas. Apesar dos avanços operacionais, incluindo EBITDA recorde e maior utilização da frota, o mercado concentrou a atenção no desempenho financeiro inferior ao consenso.

Na Hapvida, a Agência Nacional de Saúde Suplementar suspendeu preventivamente reajustes de dois dígitos e o cancelamento unilateral de aproximadamente 947 mil contratos, além de solicitar esclarecimentos à operadora. A notícia adicionou pressão regulatória a uma ação que já vinha sendo afetada por resultados trimestrais abaixo do esperado, aumento da sinistralidade e maiores despesas com depósitos judiciais.

Como o HIGH11 seleciona empresas de maior beta do Ibovespa, movimentos negativos nas ações de sua carteira tendem a aparecer de forma mais intensa no desempenho do fundo.

 


Dados exclusivos do DEX PRO. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos.

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