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ETFs de renda fixa captam quase R$ 6 bilhões no acumulado de 2026

Fonte: MarketBeat

A renda fixa atravessa o ano com procura relevante por estratégias de diferentes durações. De um lado, a Selic ainda elevada favorece produtos pós-fixados e de baixa volatilidade. De outro, o avanço gradual do ciclo de cortes estimula posições em títulos indexados à inflação, que podem responder à movimentação das taxas de juros reais.

A taxa básica começou o ano em 15% e foi reduzida progressivamente até 14%. Mesmo com os cortes, o patamar continuou restritivo e manteve atrativa a remuneração dos investimentos vinculados à Selic e ao CDI. Ao mesmo tempo, as projeções de inflação permaneceram acima do centro da meta, preservando a atenção sobre os títulos públicos indexados ao IPCA.

Os fluxos mostram que os investidores distribuíram os recursos entre três grupos. O CDIB11 concentra a maior captação com uma carteira predominantemente pós-fixada. TD3511, PACB11 e IMAB11 oferecem diferentes formas de exposição à curva de juros reais. O DEBB11 completa a relação com uma carteira de debêntures indexadas ao CDI.

Juntos, os cinco produtos somam R$ 5,942 bilhões em entradas líquidas.

 

Fonte: DEX PRO. Dados do dia 25 de agosto de 2026

CDIB11: R$ 2,166 bilhões

O CDIB11 apresenta a maior captação líquida da relação, com R$ 2,166 bilhões no acumulado do ano. Gerido pela Itaú Asset, o ETF mantém alocação majoritária em Tesouro Selic e uma parcela menor em Tesouro IPCA+ de longo prazo.

O índice de referência busca refletir uma carteira composta por LFTs e NTN-Bs. A alocação em Tesouro Selic normalmente supera 90% da carteira, enquanto a posição em títulos indexados à inflação complementa a estratégia.

A elevada captação ocorreu em um ambiente favorável aos produtos pós-fixados. Embora o Banco Central tenha iniciado a redução dos juros, a Selic continuou em patamar elevado. Isso preservou a remuneração dos títulos públicos vinculados à taxa básica e favoreceu estratégias voltadas à liquidez e à baixa oscilação de preços.

O produto também oferece exposição por meio da bolsa, reinvestimento dos rendimentos dentro da carteira e tributação de 15% sobre o ganho de capital, sem come-cotas e sem IOF. Essas características ajudam a contextualizar a entrada de recursos, sobretudo em um ano no qual a procura por instrumentos eficientes de gestão de caixa permaneceu relevante.

TD3511: R$ 1,515 bilhão

O TD3511 ocupa a segunda posição, com entrada líquida de R$ 1,515 bilhão. Gerido pela Itaú Asset, o ETF acompanha o Índice ANBIMA NTN-B 2035 e mantém exposição concentrada ao título público indexado ao IPCA com vencimento em 2035.

O produto permite acessar um ponto específico da curva de juros reais. Seu resultado combina a inflação medida pelo IPCA, a taxa contratada pelo título e a marcação a mercado. Quando a taxa real exigida pelos investidores cai, o preço da NTN-B tende a subir. Quando a taxa aumenta, o movimento ocorre na direção contrária.

A captação mostra uma procura relevante por exposição intermediária à inflação. Diferentemente de um ETF que distribui a carteira por vários vencimentos, o TD3511 concentra o risco no vértice de 2035. Essa característica permite uma leitura mais direta sobre a movimentação daquela parte da curva.

A entrada de recursos também ocorreu durante um período de inflação projetada acima do centro da meta e de expectativa por novos cortes da Selic. Essa combinação manteve os títulos IPCA+ no radar, tanto pela proteção contra a inflação quanto pela possibilidade de valorização associada a uma eventual redução dos juros reais.


ETFs Fatoriais na B3. Veja as teses vencedoras no acumulado do ano.

ETFs de Ibovespa concentram as maiores captações na semana (17 a 21 de agosto)


PACB11: R$ 1,044 bilhão

O PACB11 registra captação líquida de R$ 1,044 bilhão. Gerido pelo BTG Pactual, o ETF acompanha o índice ITBR IPCA Ultra Longo CE e investe nas NTN-Bs de prazo mais longo disponíveis no mercado brasileiro.

O índice seleciona três títulos com elevada duração e liquidez mínima. A metodologia atribui pesos diferentes às NTN-Bs para aumentar a convexidade da carteira e mantém uma duration mínima de 14 anos.

A duração elevada torna o PACB11 mais sensível às mudanças na curva de juros reais. Uma queda das taxas pode produzir valorizações mais intensas, enquanto uma abertura da curva pode gerar perdas maiores. O produto, portanto, apresenta comportamento diferente de um ETF pós-fixado, mesmo pertencendo à mesma classe ampla de renda fixa.

A captação indica interesse por uma posição mais longa em inflação e juros reais. Ao longo do ano, o mercado alternou expectativas sobre a velocidade dos cortes da Selic, a persistência da inflação e a situação fiscal. Esses movimentos aumentaram a importância da escolha de duração dentro das carteiras de renda fixa.

O fundo apresenta retorno de 0,46% no período. No acumulado do ano, a valorização chega a 4,88%.

DEBB11: R$ 846 milhões

O DEBB11 aparece na quarta posição, com captação líquida de R$ 846 milhões. Gerido pelo BTG Pactual, o fundo replica o Índice Teva Debêntures DI e oferece exposição ao mercado brasileiro de crédito privado por meio de debêntures indexadas ao CDI.

O índice seleciona emissões com critérios mínimos de tamanho, liquidez e qualidade de crédito. A carteira é ponderada pelo valor de mercado das debêntures, com limite de 4,5% por emissor, e passa por rebalanceamentos mensais.

A presença entre as maiores captações mostra que os recursos não ficaram restritos aos títulos públicos. A Selic elevada também favoreceu as debêntures indexadas ao CDI, que combinam a taxa pós-fixada com o prêmio de crédito definido nas emissões.

O ETF acumula retorno de 9,32% no ano e de 14,24% em 12 meses na base analisada. O comportamento mais estável também aparece na sequência de resultados mensais positivos observada durante o período.

IMAB11: R$ 371 milhões

O IMAB11 completa a relação com captação líquida de R$ 371 milhões. Gerido pela Itaú Asset, o ETF replica o IMA-B, índice da Anbima formado por títulos públicos indexados ao IPCA com diferentes vencimentos.

Ao contrário do TD3511, concentrado na NTN-B 2035, e do PACB11, voltado aos vencimentos mais longos, o IMAB11 distribui a exposição por diferentes pontos da curva de juros reais. Essa composição reduz a dependência de um único vencimento, embora o fundo continue sujeito à marcação a mercado das NTN-Bs.

A captação ocorreu em um cenário no qual a proteção contra a inflação permaneceu relevante. O mercado continuou acompanhando a persistência das projeções inflacionárias, os cortes graduais da Selic e o comportamento da curva de juros reais. Por reunir diferentes prazos, o ETF oferece uma exposição mais ampla a esses movimentos.

O IMAB11 acumula retorno de 6,67% no ano e de 11,09% em 12 meses.

 


Dados exclusivos do DEX PRO. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos.

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