Os ETFs brasileiros tiveram um pregão predominantemente negativo ontem, 18 de agosto, em um dia marcado por aversão a risco no exterior e cautela no mercado local. O Ibovespa fechou em queda de 0,27%, aos 166.334,86 pontos, na 11ª baixa consecutiva, enquanto o dólar à vista avançou 0,40%, para R$ 5,2216.
A pressão veio principalmente da disparada dos juros longos dos Treasuries, que reduziu o apetite por ativos de risco em mercados emergentes. Ao mesmo tempo, o petróleo acima de US$ 90 por barril sustentou parte das ações ligadas a commodities, mas também reforçou preocupações com inflação e juros mais altos por mais tempo.
No Brasil, a cautela também passou pela discussão sobre crédito, inadimplência e saída de investidores estrangeiros da B3, fatores que pesaram especialmente sobre bancos e empresas mais dependentes da economia doméstica. Esse cenário ajuda a explicar a queda mais forte dos ETFs financeiros e de setores sensíveis ao ciclo econômico.
As projeções de mercado para 2026 seguiram estáveis no Boletim Focus divulgado na véspera, com IPCA estimado em 5,02%, PIB em 1,98%, dólar a R$ 5,20 e Selic em 13,75% ao ano. Mesmo sem mudança nas estimativas, o nível ainda elevado de juros manteve a seletividade dos investidores na renda variável.
Análise dos ETFs
MATB11 (Materiais Básicos – Itaú Asset): -0.51%
O MATB11, ETF ligado ao índice de materiais, recuou 0,51% no dia. O movimento ocorreu em um pregão em que o mercado brasileiro ficou pressionado pela alta dos juros globais e pela redução do apetite por risco, apesar de commodities terem ajudado a limitar a queda do Ibovespa. O desempenho negativo mostra que o suporte vindo de Vale e do minério de ferro não foi suficiente para impedir a baixa do fundo no dia.
BCIC11 (Setores cíclicos – Bradesco Asset): -0.72%
O BCIC11 caiu 0,72%, refletindo a pressão sobre ativos locais mais expostos ao ciclo econômico. O ambiente de juros longos em alta nos Estados Unidos, dólar acima de R$ 5,20 e cautela com o mercado doméstico reduziu o espaço para recuperação de setores cíclicos. A discussão sobre crédito e inadimplência no Brasil reforçou a postura defensiva dos investidores ao longo do pregão.
BDEF11 (Setores defensivos – Bradesco Asset) : -0.66%
O BDEF11 teve queda de 0,66%, mesmo sendo um ETF associado a setores defensivos. A baixa ocorreu em um dia em que a aversão a risco foi ampla, com o Ibovespa registrando a 11ª queda consecutiva e o dólar avançando frente ao real. A pressão dos juros globais e o aumento da cautela com inflação limitaram o desempenho até dos segmentos tradicionalmente mais resilientes.
BOVA11 (Ibovespa – BlackRock): -0.15%
O BOVA11 recuou 0,15%, acompanhando a queda do Ibovespa, mas com perda menor do que a do índice de referência da Bolsa. O ETF foi influenciado pelo cenário externo negativo, com alta dos rendimentos dos Treasuries e queda das bolsas em Nova York e na Europa, mas encontrou algum amortecimento na alta de Petrobras e Vale, que acompanharam o avanço do petróleo e do minério de ferro.
BXPO11 (Empresas exportadoras – Investo): -0.05%
O BXPO11 registrou leve queda de 0,05%, ficando praticamente estável em relação aos demais ETFs de ações. O fundo, com exposição global a empresas brasileiras, foi afetado pelo mesmo pano de fundo de aversão a risco, mas a alta das commodities ajudou a suavizar a pressão sobre ativos ligados ao Brasil no exterior. O dólar mais forte também marcou o dia, com a moeda americana encerrando acima de R$ 5,22.
CMDB11 (Commodities – BTG Asset): -0.06%
O CMDB11 caiu 0,06%, em queda limitada diante de um pregão favorável para parte das commodities. O petróleo Brent acima de US$ 91 e a valorização de Petrobras e Vale ajudaram a conter perdas nos ativos ligados a recursos naturais, mas o ambiente de juros globais em alta impediu um desempenho mais forte do ETF.
FIND11 (Financeiro – Itaú Asset): -0.72%
O FIND11 recuou 0,72%, pressionado pelo desempenho negativo do setor financeiro. Bancos foram afetados por preocupações com crédito, inadimplência e capacidade de pagamento das famílias, em meio ao debate sobre a recuperação judicial da Casas Bahia e seus impactos sobre a percepção de risco no varejo e nas carteiras de crédito.
UTLL11 (Utilidade pública – Investo): -0.33%
O UTLL11 caiu 0,33%, refletindo a pressão sobre a renda variável em um dia de juros globais mais altos e maior cautela com inflação. Embora utilities costumem ser vistas como segmentos mais defensivos, o avanço dos rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos elevou o custo de oportunidade para ativos de Bolsa, o que pesou sobre o ETF.
BNKS11 (Bancos – Investo): -0.58%
O BNKS11 teve queda de 0,58%, acompanhando a fraqueza dos ETFs financeiros no pregão. O setor bancário ficou no centro das preocupações domésticas com crédito, inadimplência e exposição à economia local. A saída de investidores estrangeiros da B3 e o dólar em alta reforçaram o ambiente de cautela, limitando o apetite por bancos.
DOLB11 (Dólar): +0.39%
O DOLB11 avançou 0,39%, em linha com a valorização do dólar frente ao real. A moeda americana fechou o dia em alta de 0,40%, a R$ 5,2216, refletindo a busca por proteção em meio ao avanço dos juros dos Treasuries e à piora do humor global. Em um pregão negativo para a maioria dos ETFs de ações, o ETF cambial se beneficiou diretamente da pressão sobre o real.
Fechamento
O pregão de 18 de agosto reforçou a diferença entre os ETFs de ações brasileiras e o ETF cambial. Enquanto os fundos ligados à Bolsa sentiram a combinação de juros globais mais altos, cautela com crédito e saída de capital estrangeiro, o DOLB11 avançou com a alta do dólar. A dinâmica do dia também mostrou que commodities ajudaram a conter perdas em alguns segmentos, mas não o suficiente para reverter o tom negativo predominante nos ETFs de renda variável.
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