
Créditos: Pexels
A semana de 13 a 19 de setembro terminou com desempenhos bastante diferentes entre as classes de ativos. Os ETFs de Bitcoin, Ethereum e múltiplos criptoativos avançaram mais de 5%, enquanto o Ibovespa encerrou sua primeira semana negativa depois de quatro altas consecutivas.
A política monetária esteve no centro das decisões. O Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano, mas não antecipou os próximos passos. Nos Estados Unidos, a combinação entre inflação persistente, petróleo elevado e juros mais altos pressionou os ativos de risco. O rendimento do título do Tesouro americano de dez anos voltou à região de 5% durante o período.
No mercado brasileiro, o Ibovespa caiu 1,06% entre os fechamentos de 11 e 18 de setembro. Mineração e siderurgia estiveram entre os principais focos de pressão, depois que a associação chinesa do setor siderúrgico pediu às usinas a redução da produção e dos estoques. CSN Mineração e CSN registraram algumas das maiores perdas da semana.
No exterior, o S&P 500 terminou praticamente estável em dólares, depois de cair nos três primeiros pregões e se recuperar na quinta e na sexta-feira. O índice saiu de 7.656,98 pontos em 11 de setembro para 7.650,50 pontos em 18 de setembro. A valorização do dólar frente ao real compensou parte desse movimento nos produtos negociados na B3.

BITH11 (Hashdex): +6,32%
O BITH11 liderou a base com alta de 6,32%, acompanhando a recuperação do Bitcoin. O ativo digital ganhou força no encerramento da semana, depois de atravessar uma sequência de sessões marcada por volatilidade regulatória, fluxos instáveis e liquidações de posições alavancadas.
Os ETFs spot americanos de Bitcoin tiveram saídas líquidas de US$ 450,3 milhões em 15 de setembro e de US$ 296 milhões no dia seguinte. O movimento se inverteu nos dias 17 e 18 de setembro, quando os produtos registraram entradas de US$ 159,5 milhões e US$ 433 milhões, respectivamente.
A entrada de sexta-feira foi liderada pelo FBTC, da Fidelity, com US$ 311 milhões, e pelo IBIT, da BlackRock, com US$ 108 milhões. A recuperação dos fluxos institucionais acompanhou a valorização do Bitcoin no fim da semana e sustentou o desempenho do BITH11 em reais.
ETHE11 (Hashdex): +5,71%
O ETHE11 avançou 5,71%, refletindo a recuperação do Ethereum. O criptoativo teve comportamento mais volátil que o Bitcoin ao longo do período, mas participou da retomada dos ativos digitais no fim da semana.
Os ETFs americanos de Ethereum receberam cerca de US$ 121 milhões em 14 de setembro. Assim como ocorreu nos produtos de Bitcoin, os fluxos oscilaram durante a semana antes de apresentarem recuperação na sexta-feira.
No dia 18, os ETFs spot de Ethereum captaram aproximadamente US$ 144 milhões. O ETHA, da BlackRock, respondeu por US$ 114 milhões, enquanto o FETH, da Fidelity, recebeu cerca de US$ 26 milhões. A retomada da demanda institucional contribuiu para a recuperação do ativo subjacente e do ETHE11.
HASH11 (Hashdex): +5,33%
O HASH11 ganhou 5,33%. O ETF acompanha uma cesta de criptoativos, combinando exposição ao Bitcoin, Ethereum e outros ativos digitais elegíveis pela metodologia do índice.
A diversificação permitiu que o produto participasse da recuperação mais ampla do mercado, mas reduziu sua alta em relação ao BITH11. O Bitcoin apresentou o maior retorno entre os três ETFs brasileiros de criptoativos analisados, enquanto a cesta multicripto ficou 0,99 ponto percentual abaixo.
Os fluxos dos produtos americanos mostraram demanda distribuída entre diferentes criptoativos. Em 14 de setembro, ETFs de Bitcoin receberam US$ 160 milhões, produtos de Ethereum captaram US$ 121 milhões e fundos ligados a Solana e XRP registraram entradas próximas de US$ 11 milhões cada.

GOLD11 (XP Asset): +0,99%
O GOLD11 subiu 0,99%, combinando a oscilação do ouro em dólares com a valorização da moeda americana frente ao real. O metal começou a semana sob pressão, mas recuperou as perdas nos pregões seguintes.
Na segunda-feira, o ouro spot chegou a cair aproximadamente 1,8%, para perto de US$ 4.270 por onça, pressionado pelo aumento dos rendimentos dos títulos americanos e pelas expectativas de alta dos juros pelo Federal Reserve. O movimento elevou o custo de oportunidade de manter um ativo que não oferece rendimento periódico.
O cenário mudou no fim da semana. Na sexta-feira, o ouro superou US$ 4.400 e atingiu a máxima semanal com a redução das preocupações inflacionárias associadas ao petróleo. Como o GOLD11 não neutraliza a exposição cambial, a valorização do dólar em reais acrescentou retorno ao produto.
PKIN11 (Bradesco Asset): +0,83%
O PKIN11 avançou 0,83%, acompanhando o mercado de ações chinesas e a valorização cambial. O ETF oferece exposição ao CSI 300, índice composto por grandes companhias negociadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen.
O CSI 300 oscilou ao longo da semana. Depois de cair na segunda, terça e quinta-feira, o índice avançou 0,68% na quarta e 1,06% na sexta, encerrando 18 de setembro em 4.507,39 pontos. O fechamento ficou próximo do nível de 4.510,16 pontos registrado na sexta-feira anterior.
A recuperação no último pregão e a valorização do dólar frente ao real ajudaram o produto negociado na B3. O resultado do PKIN11 também refletiu a diferença de horários entre os mercados, a conversão cambial e o mecanismo local de formação de preço.
B5P211 (Itaú Asset): +0,49%
O B5P211 ganhou 0,49%. O ETF acompanha uma carteira de títulos públicos indexados ao IPCA com vencimentos mais curtos, apresentando menor sensibilidade às oscilações das taxas reais de longo prazo.
A decisão do Copom de reduzir a Selic para 13,75% ajudou os títulos públicos, mas o comunicado manteve incerteza sobre os próximos passos. O mercado também precisou incorporar a elevação dos juros americanos e a redução do diferencial de taxas entre Brasil e Estados Unidos.
O IMA-B 5 é formado por NTN-Bs com prazo inferior a cinco anos. Essa estrutura menos longa reduziu o efeito da volatilidade nas taxas reais e permitiu que o B5P211 superasse o IB5M11.
DOLX11 (XP Asset): +0,42%
O DOLX11 avançou 0,42%, refletindo a valorização do dólar frente ao real. O produto acompanha a variação da moeda americana por meio de uma estrutura negociada na B3.
O dólar encerrou 18 de setembro em R$ 5,144, com alta semanal de 0,37%. O movimento ocorreu em uma semana marcada pelo cenário eleitoral brasileiro, pelas decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos e pela alta da taxa do Banco do Japão.
O aumento dos juros americanos e a redução da Selic diminuíram o diferencial de taxas entre os dois países. Esse ambiente, somado à incerteza doméstica, sustentou a moeda americana e levou o DOLX11 a terminar no campo positivo.
LFTS11 (Investo): +0,27%
O LFTS11 avançou 0,27%, apoiado principalmente pelo carregamento dos títulos públicos pós-fixados. O ETF acompanha uma carteira ligada à Selic e tem baixa sensibilidade às oscilações da curva de juros.
Mesmo depois do corte do Copom, a Selic permaneceu em 13,75% ao ano. O patamar continuou oferecendo rendimento acumulado aos títulos pós-fixados durante a semana, sem a mesma volatilidade observada nos ativos prefixados e indexados à inflação de prazo mais longo.
Por isso, o LFTS11 apresentou retorno positivo, mas inferior ao B5P211. O produto cumpriu uma função de carregamento de curto prazo, enquanto o ETF de títulos indexados ao IPCA capturou também a valorização dos papéis de menor duration.
IVVB11 (BlackRock): +0,08%
O IVVB11 terminou praticamente estável, com alta de 0,08%. O ETF combina o desempenho do S&P 500 em dólares com a variação da moeda americana frente ao real.
O índice americano caiu nos três primeiros pregões da semana. Na segunda-feira, perdeu 0,48%, pressionado pela alta dos rendimentos dos Treasuries, pelo avanço do petróleo e pela queda das empresas ligadas à inteligência artificial. Nvidia caiu 3%, enquanto Broadcom e AMD recuaram mais de 4%.
O S&P 500 recuperou parte das perdas com alta de 1,14% na quinta-feira e de 0,17% na sexta. No fechamento semanal, o índice ficou praticamente estável em dólares. A valorização do dólar frente ao real compensou parte da fraqueza externa e permitiu que o IVVB11 encerrasse com retorno ligeiramente positivo.
IB5M11 (Itaú Asset): -0,02%
O IB5M11 caiu 0,02%, ficando praticamente estável. O fundo acompanha títulos públicos indexados ao IPCA com vencimentos superiores a cinco anos, apresentando maior sensibilidade às oscilações das taxas reais.
A diferença em relação ao B5P211 esteve no prazo da carteira. Títulos mais longos respondem com maior intensidade às mudanças nas expectativas de juros, inflação e risco fiscal. O aumento dos rendimentos dos Treasuries americanos e a postura cautelosa do Copom limitaram a valorização das NTN-Bs longas.
Enquanto o B5P211 avançou 0,49%, o IB5M11 terminou ligeiramente negativo. A distância de 0,51 ponto percentual entre os dois produtos mostrou a vantagem da menor duration em uma semana de volatilidade nas curvas de juros.
IVWO11 (Investo): -0,09%
O IVWO11 recuou 0,09%. O ETF oferece exposição a ações de mercados emergentes, combinando diferentes países, setores e moedas.
O índice FTSE Emerging reúne ações líquidas de grande e média capitalização de economias classificadas como emergentes avançadas ou secundárias. O universo inclui mercados com desempenhos distintos, reduzindo a dependência do produto em relação a um único país.
A recuperação das ações chinesas no fim da semana ofereceu suporte, mas não foi suficiente para produzir retorno positivo. O aumento dos juros nos Estados Unidos e o fortalecimento do dólar elevaram a cautela com ativos emergentes, deixando o IVWO11 próximo da estabilidade.
WRLD11 (Investo): -0,53%
O WRLD11 caiu 0,53%. O fundo oferece exposição ampla ao mercado acionário global por meio do ETF VT, da Vanguard, que investe em aproximadamente 10 mil empresas de países desenvolvidos e emergentes.
Os Estados Unidos representavam cerca de 62% da exposição geográfica do produto, enquanto tecnologia respondia por pouco mais de 32% da carteira. Entre as maiores posições estavam Nvidia, Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet, TSMC e Broadcom.
A fraqueza inicial das empresas de tecnologia e o desempenho misto das bolsas globais pressionaram o ETF. A valorização do dólar frente ao real reduziu parte da perda, mas não foi suficiente para levar o produto ao campo positivo.
BOVA11 (BlackRock): -0,75%
O BOVA11 recuou 0,75%, acompanhando a queda do Ibovespa. O índice brasileiro perdeu 1,06% na semana e interrompeu uma sequência de quatro altas consecutivas.
Mineração e siderurgia estiveram entre os principais vetores negativos. A perspectiva de menor produção de aço na China pressionou o minério de ferro e as ações de empresas brasileiras relacionadas à commodity. Na sexta-feira, Vale caiu 1,53%, CSN recuou 6,40% e CSN Mineração perdeu 4,88%.
O petróleo e parte dos bancos também terminaram o último pregão em queda. Petrobras ON recuou 1,09%, enquanto as units do Santander Brasil caíram 3,47%. Como essas companhias têm peso relevante no índice, o movimento pressionou o BOVA11.
SMAL11 (BlackRock): -1,03%
O SMAL11 caiu 1,03%, registrando desempenho inferior ao BOVA11. O ETF acompanha o índice de small caps da B3, formado por empresas de menor valor de mercado e maior dependência das condições domésticas de crédito e atividade.
O corte da Selic ofereceu algum suporte, mas o Copom não indicou se continuaria reduzindo os juros. Ao mesmo tempo, a elevação dos juros americanos diminuiu o diferencial de taxas e aumentou a cautela com ativos de maior risco.
O movimento também apareceu no mercado americano. O Russell 2000, referência de small caps nos Estados Unidos, recuou aproximadamente 1,5% entre os fechamentos de 11 e 18 de setembro. A sensibilidade das empresas menores aos custos financeiros deixou essa classe sob pressão em diferentes mercados.
DIVO11 (Itaú Asset): -1,34%
O DIVO11 apresentou a maior queda da relação, com recuo de 1,34%. O ETF acompanha o Índice Dividendos da B3 e reúne posições relevantes em bancos, petróleo, mineração, utilities, seguros e empresas de infraestrutura.
Entre suas maiores posições estavam Itaúsa, Petrobras PN e ON, BB Seguridade, Copel, Bradesco, Itaú, Vibra, Banco do Brasil, Vale, Cemig e Copasa. O portfólio também mantinha exposição a CSN Mineração e Bradespar.
As quedas de mineração, petróleo e parte do setor financeiro superaram o suporte oferecido por Banco do Brasil, Copasa e algumas utilities. A concentração em empresas associadas a dividendos não eliminou a exposição aos setores que mais perderam força durante a semana.
Dados exclusivos do DEX PRO. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento, compra ou venda de ativos.