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“Renda variável Brasil: como diversificar sua alocação?”, por Bruno Tariki

A bolsa brasileira vive um momento de valorização relevante. O Ibovespa acumula alta de 28,42% em 2026 e, na última segunda-feira (5), superou pela primeira vez os 200 mil pontos, com alta de 7,70% em um único pregão.

 

Fonte: DEX PRO

Para o investidor, há diversas formas de participar desse mercado, mas os ETFs se destacam pela sua eficiência em combinar diversificação, transparência e baixo custo. Mas como escolher os veículos mais apropriados? Como combinar estes ETFs para ter uma carteira balanceada para diversos comportamentos do mercado?

A Itaú Asset tem uma grade completa de ETFs de renda variável Brasil, cada um com características distintas e entendê-las ajuda os investidores na seleção, em entender os fatores que influenciam seu desempenho, assim como se comportam entre si.

Isso permite ao investidor não apenas ter exposição à bolsa, mas também diversificar essa exposição de acordo com seus objetivos.

Cinco ETFs, cinco formas de investir na bolsa

BOVV11 – a bolsa brasileira como um todo

Acompanha o Ibovespa, que reúne as maiores empresas do país. Bancos, petróleo e mineração têm os maiores pesos, mas há empresas de quase todos os setores. É a porta de entrada mais simples e de menor custo.

DIVO11 – seleção de empresas que distribuem dividendos acima da média

Reúne companhias com histórico consistente de pagamento de dividendos, em geral empresas maduras e geradoras de caixa. A carteira tem diversos setores, como bancos, energia elétrica, petróleo, seguros, mineração e saneamento, e nenhuma empresa tem peso acima de cerca de 6%. Costuma oscilar menos que a bolsa e proteger em momentos de queda.

FIND11 – setor financeiro

Reúne bancos, seguradoras e bolsa de valores, a B3. É o mais concentrado dos cinco: os cinco maiores nomes somam cerca de 80% da carteira. Tende a se beneficiar de juros em queda e economia aquecida, sensível a momentos de desaquecimento.

MATB11 – foco em commodities e empresas exportadoras

Reúne empresas de mineração e siderurgia (cerca de 60% da carteira) e de papel e celulose (cerca de 30%). Como vendem boa parte da produção em dólar, tendem a ir bem quando o real se desvaloriza, justamente quando o restante da bolsa costuma sofrer.

UTLI11 – investir em serviços essenciais

Reúne empresas de energia elétrica (cerca de 70% da carteira) e de saneamento e gás. São negócios com receitas reguladas e previsíveis, que oferecem um perfil mais defensivo e costumam se beneficiar da queda dos juros.

Correlação: por que esses ETFs não se movem da mesma forma

A correlação mede o quanto dois ativos se movem juntos. Vai de −1 a 1: quanto mais próxima de 1, mais parecido o comportamento; quanto mais baixa, mais independentes são os movimentos. A tabela abaixo mostra a correlação entre os ETFs da Itaú Asset.

  BOVV11 DIVO11 FIND11 MATB11 BZUTIL
BOVV11 1        
DIVO11 0,941 1      
FIND11 0,905 0,874 1    
MATB11 0,620 0,602 0,463 1  
BZUTIL 0,883 0,846 0,828 0,431 1

Fonte: Itaú Asset

 

Três leituras se destacam:

  1. MATB11 tem a menor correlação com todos os demais: 0,62 com o BOVV11, 0,46 com o FIND11 e 0,43 com o BZUTIL, o par menos correlacionado da tabela. Seus motores (dólar e commodities globais) são diferentes dos que movem bancos e empresas reguladas.
  2. FIND11 e MATB11 se complementam. Com correlação de 0,46, costumam reagir de forma oposta ao mesmo evento.
  3. BOVV11 e DIVO11 andam juntos, mas com intensidades diferentes. A correlação de 0,94 mostra direção parecida; a diferença está na amplitude, já que o DIVO11 tende a performar melhor nas quedas de mercado (cair menos, no caso).

Entender a correlação é o que torna a diversificação eficiente. Não basta ter muitos ativos: é preciso ter ativos que se comportem de maneira diferente. Assim, quando um segmento sofre, outro pode compensar, protegendo o retorno do portfólio em diferentes movimentos de mercado e reduzindo a volatilidade total, mesmo dentro de uma única classe de ativos.

Conclusão

Existem diversas formas de investir e de diversificar os investimentos, e os ETFs estão entre as mais eficientes para isso. Cada cota replica um índice público da B3, com carteira transparente, liquidez diária em bolsa e baixo custo, sem taxa de performance.

O mais importante é começar a investir, e fazer isso de forma eficiente e diversificada. Mesmo dentro de uma única classe de ativos, a renda variável Brasil, é possível combinar exposições que se comportam de maneira diferente e construir um portfólio mais equilibrado para o longo prazo.

Bruno Tariki é formado em Administração de Empresas pelo Insper e atua no mercado financeiro desde 2002. Atuou por 13 anos na gestão de fundos de ações na Bradesco Asset Management, onde passou a gerir fundos indexados e participou do lançamento do primeiro ETF da instituição. Integrou a equipe de gestão dedicada a mandatos indexados e ETFs da XP Asset Management entre 2021 e 2025. Bruno se junto à equipe de gestão Indexados e ETFs da Itaú Asset em 2025.

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