A sessão de 12 de agosto de 2026 foi caracterizada por um descolamento entre o otimismo externo e a cautela no mercado doméstico.
Nos Estados Unidos, o principal evento foi a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de julho, que avançou 0,1% na leitura mensal, consolidando o núcleo (Core CPI) em 2,5% no acumulado anual. O resultado em linha com as expectativas arrefeceu os temores de uma postura mais restritiva pelo Federal Reserve (Fed), o que impulsionou os índices acionários: o S&P 500 encerrou em alta de 0,26% e o Nasdaq subiu 0,54%.
No Brasil, o cenário foi marcado por aversão ao risco. O Ibovespa recuou 0,23% (aos 167.491 pontos), pressionado por relatórios de bancos estrangeiros (como o downgrade do JPMorgan para ações brasileiras) e pela saída de fluxo estrangeiro em meio a incertezas fiscais e sinalizações restritivas do Copom. Como reflexo da fuga de capitais, o dólar comercial fechou em alta de 0,36%, cotado a R$ 5,18.
Essa conjunção de alta nas bolsas americanas e depreciação do real definiu o retorno dos ETFs internacionais negociados na B3 neste pregão.
Desempenho dos ETFs e Análise de Retorno
Abaixo, detalhamos a performance de Retorno Total Diário de ontem, 12/08, dos fundos de índice com base nos fundamentos macroeconômicos da sessão.
IVVB11 (iShares S&P 500 FIC FI Inv Ext): +0,46% | SPXI11 (It Now S&P500 TRN Fundo de Indice): +0,42%
O retorno positivo do IVVB11 e do SPXI11 (que buscam replicar o S&P 500 em reais) reflete a combinação de dois fatores de alta ocorridos na sessão. Primeiramente, o fundo capturou a alta de 0,26% do próprio S&P 500, impulsionada pelo CPI americano comportado, que favoreceu as large caps nos EUA. O retorno do ETF acima do seu índice subjacente (0,46% contra 0,26%) é explicado pelo componente cambial: a desvalorização do real, com o dólar encerrando o dia em alta aos R$ 5,18. Como a carteira do fundo é dolarizada, essa variação cambial potencializou o ganho na conversão para a moeda local.
SPXR11 (It Now S&P 500 Futures Quanto BRL): +0,34%
O SPXR11 também é exposto às empresas do S&P 500, entregando resultado positivo no esteio do arrefecimento inflacionário nos EUA. Contudo, seu avanço de 0,34% apresentou uma leve diferença em relação ao IVVB11 devido à sua estruturação. Por ser um fundo da classe “Quanto” que utiliza contratos futuros para a replicação do índice, ele possui uma política de proteção (hedge) estrutural que atenua ou elimina os efeitos imediatos da variação cambial à vista (Spot). Assim, seu desempenho ficou muito mais aderente à alta real do mercado americano (+0,26%) e da movimentação das curvas de juros futuros do que ao salto direto provocado pelo fechamento do dólar a R$ 5,18 no Brasil.
DOLX11 (Trend ETF S&P/B3 Dollar Classe De Indice): +0,25%
O fundo registrou avanço de +0,25%, refletindo diretamente a busca por proteção e a pressão de alta na moeda americana no mercado local, motivada por preocupações fiscais brasileiras na data.
WRLD11 (Investo FTSE Global Equities ETF): +0,89%
O Investo FTSE Global Equities ETF obteve alta de 0,89% na sessão. Por rastrear o índice FTSE Global Equities e oferecer exposição diversificada a companhias abertas globais sem proteção cambial, o ativo se beneficiou do avanço generalizado nos mercados internacionais após o dado de inflação mais brando nos EUA, associado ao ganho do dólar em relação à moeda brasileira.
NASD11 (Trend ETF Nasdaq 100 Fundo de Indice): +1,18%
O setor de tecnologia é altamente sensível às expectativas de taxas de juros nos EUA. O CPI abaixo do esperado beneficiou diretamente as ações de crescimento em Nova York, resultando no maior retorno do dia entre os ETFs analisados (+1,18%), impulsionado conjuntamente pela valorização do Dólar.
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Dados extraídos do DEX PRO e não configura recomendação de compra ou venda do ativos. Conteúdo com intuito informativo