Os ETFs negociados no Brasil encerraram o dia de ontem com desempenho misto, em uma sessão marcada por cautela nos mercados globais e equilíbrio de forças na bolsa brasileira. O Ibovespa fechou praticamente estável, aos 166.784 pontos, em um pregão no qual a alta do petróleo impulsionou Petrobras, enquanto os bancos pressionaram o índice para baixo. O dólar recuou 0,4% frente ao real, a R$ 5,20, e o Brent avançou mais de 2%, superando US$ 90 por barril, refletindo a tensão geopolítica ligada ao fim do período de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos.
A agenda doméstica também teve peso relevante. O IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, caiu 0,6% em junho ante maio, em resultado próximo ao esperado pelo mercado. Ao mesmo tempo, o Boletim Focus manteve a projeção para o IPCA de 2026 em 5,02%, a Selic em 13,75% ao fim do ano, o PIB em 1,98% e o câmbio em R$ 5,20, reforçando um cenário de juros ainda elevados no Brasil.
Nos Estados Unidos, o S&P 500 caiu 0,50%, o Nasdaq recuou 0,31% e o Dow Jones perdeu 0,51%, em uma sessão de espera por resultados de grandes varejistas. Os juros dos Treasuries subiram, com o rendimento de 10 anos em 4,68%, e o ouro avançou 0,80%, a US$ 4.472,90, no fechamento americano. Esse pano de fundo pressionou ETFs expostos à bolsa americana e favoreceu produtos ligados a ouro e renda fixa.
Análise dos ETFs
BOVA11 (Ibovespa): -0,06%
O BOVA11 recuou 0,06%, acompanhando a leve fraqueza do Ibovespa em um dia de estabilidade negativa para a bolsa brasileira. O principal índice da B3 ficou dividido entre a alta de Petrobras, favorecida pelo avanço do petróleo, e a pressão negativa dos bancos, especialmente após preocupações com crédito e inadimplência no setor financeiro. Esse equilíbrio entre forças opostas ajuda a explicar a variação moderada do ETF, que replica a bolsa brasileira ampla.
IVVB11 (S&P 500): -0,92%
O IVVB11 caiu 0,92%, refletindo a combinação de queda do S&P 500 nos Estados Unidos e valorização do real frente ao dólar. O índice americano recuou 0,50% em uma sessão marcada por alta dos rendimentos dos Treasuries e postura mais cautelosa dos investidores antes da divulgação de resultados de grandes varejistas. Como o ETF acompanha o S&P 500 em reais, a queda da bolsa americana e o recuo do dólar no mercado local pressionaram o retorno diário.
B5P211 (Inflação curta): +0,12%
O B5P211 avançou 0,12% em um dia de suporte para ativos de renda fixa local. O Boletim Focus manteve a projeção da Selic em 13,75% ao fim de 2026 e a expectativa para o IPCA em 5,02%, reforçando um ambiente de juros nominais elevados e inflação ainda relevante. Esse cenário favoreceu ETFs ligados a títulos públicos indexados à inflação de vencimentos mais curtos, como o B5P211.
DIVO11 (Índice de Dividendos): -0,39%
O DIVO11 caiu 0,39%, em linha com a pressão observada em parte das ações brasileiras, especialmente no setor financeiro. Embora o Ibovespa tenha sido sustentado pela alta de Petrobras, os bancos puxaram o índice para baixo, com quedas em nomes relevantes como Itaú, Bradesco e Banco do Brasil durante a sessão. Como o ETF tem exposição a empresas pagadoras de dividendos, a fraqueza de setores tradicionais da bolsa brasileira pesou sobre o retorno diário.
HASH11 (Criptoativos): +1,44%
O HASH11 subiu 1,44%, acompanhando a recuperação dos criptoativos no dia. O bitcoin voltou a operar acima de US$ 63 mil, com alta de 0,9% em 24 horas, depois da queda registrada na semana anterior. A leitura de mercado foi de retomada da demanda pela criptomoeda, embora a recuperação ainda dependa de melhora no ambiente macroeconômico. Esse movimento ajudou ETFs de criptoativos diversificados, como o HASH11, a ficarem entre os principais destaques positivos.
LFTS11 (Taxa de Juros Brasil): +0,06%
O LFTS11 avançou 0,06%, refletindo a atratividade dos produtos de renda fixa pós-fixada em um ambiente de Selic ainda elevada. As projeções do Focus indicaram manutenção da taxa básica em 13,75% ao fim de 2026, o que sustenta o retorno esperado de ativos atrelados ao CDI ou a títulos públicos de curtíssimo prazo. O desempenho mais discreto do ETF também é compatível com a natureza defensiva e de baixa volatilidade desse tipo de produto.
SMAL11 (Small-caps Brasil): -0,12%
O SMAL11 recuou 0,12%, acompanhando a cautela com a renda variável doméstica. O IBC-Br caiu 0,6% em junho ante maio, indicando desaceleração da atividade econômica, enquanto o mercado seguiu atento ao cenário de juros elevados e incertezas locais. Como empresas de menor capitalização tendem a ser mais sensíveis ao ciclo econômico e às condições financeiras, o ETF teve desempenho negativo, ainda que sem queda acentuada.
WRLD11 (Ações globais): -0,65%
O WRLD11 caiu 0,65%, pressionado pelo desempenho negativo dos principais índices americanos e pelo tom cauteloso nos mercados globais. Nos Estados Unidos, o S&P 500, o Nasdaq e o Dow Jones encerraram o dia em queda, enquanto os juros dos Treasuries subiram. Como o ETF oferece exposição a ações globais, o ambiente externo de aversão moderada a risco pesou sobre o resultado diário.
BITH11 (Bitcoin): +0,62%
O BITH11 avançou 0,62%, acompanhando o movimento positivo do bitcoin no dia. A criptomoeda recuperou o patamar de US$ 63 mil, com alta de 0,9% em 24 horas, em uma sessão na qual o mercado cripto mostrou desempenho positivo mesmo diante das incertezas geopolíticas. Como o ETF é concentrado em bitcoin, seu retorno refletiu diretamente essa recuperação do ativo digital.
IB5M11 (Inflação longa): +0,37%
O IB5M11 subiu 0,37%, em um movimento ligado à marcação a mercado dos títulos públicos indexados ao IPCA de vencimentos mais longos. No dia, a curva de DI futuro teve comportamento misto, mas vários vértices intermediários fecharam, incluindo janeiro de 2028, janeiro de 2029 e janeiro de 2030. Esse recuo em parte da curva ajudou a valorizar títulos IPCA+.
ETHE11 (Ethereum): +1,66%
O ETHE11 teve alta de 1,66%, o melhor desempenho entre os ETFs listados. O movimento ocorreu em um dia positivo para criptoativos, com o bitcoin recuperando os US$ 63 mil e o mercado de criptomoedas operando em alta. Embora o noticiário do dia tenha destacado principalmente o bitcoin, o ambiente favorável para ativos digitais também deu suporte a produtos ligados ao Ethereum, como o ETHE11.
IVWO11 (Países Emergentes): +0,23%
O IVWO11 avançou 0,23%, em linha com o desempenho positivo das bolsas asiáticas, lideradas por ações chinesas. O Hang Seng subiu 1,34%, o Xangai Composto avançou 1,41% e os setores de tecnologia na China tiveram ganhos expressivos, com destaque para semicondutores e inteligência artificial. Esse pano de fundo favoreceu ETFs com exposição a mercados emergentes e ações asiáticas.
GOLD11 (Ouro): +0,76%
O GOLD11 subiu 0,76%, acompanhando a valorização internacional do ouro. O metal avançou em um dia de maior cautela nos mercados globais, com queda das bolsas americanas e alta dos rendimentos dos Treasuries. Segundo dados do mercado americano, o ouro subiu 0,80%, a US$ 4.472,90, no fechamento dos Estados Unidos, reforçando seu papel como ativo de proteção em sessões de aversão a risco.
PKIN11 (Ações Chinesas): +0,59%
O PKIN11 avançou 0,59%, favorecido pelo desempenho positivo das ações chinesas. As bolsas da Ásia fecharam em alta, lideradas pela China, com ganhos relevantes em tecnologia, semicondutores e inteligência artificial. O ETF acompanhou esse movimento, refletindo a melhora do apetite por ativos chineses na sessão.
DOLB11 (Dólar): -0,36%
O DOLB11 caiu 0,36%, pressionado pela queda do dólar frente ao real. A moeda americana recuou 0,4% no mercado local, a R$ 5,20, em um dia no qual os investidores também acompanharam o IBC-Br, o Boletim Focus e a atuação do Banco Central no câmbio. Como o ETF tem exposição cambial, a valorização do real pesou diretamente sobre seu retorno diário.
O saldo do dia mostrou uma rotação clara entre classes de ativos. A renda variável brasileira ficou limitada por bancos e incerteza doméstica, enquanto a alta do petróleo ajudou a evitar uma queda mais forte do Ibovespa. No exterior, juros mais altos nos Treasuries e queda dos índices americanos pressionaram ETFs globais e de S&P 500. Ao mesmo tempo, criptoativos, ouro e parte da renda fixa encontraram suporte em fatores próprios: recuperação do bitcoin, busca por proteção em metais preciosos e movimentos específicos da curva de juros brasileira.
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