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Ouro lidera ETFs internacionais enquanto juros longos pressionam bolsas globais

Os ETFs internacionais negociados na B3 encerraram a semana majoritariamente em queda. O principal foco dos investidores esteve no mercado de títulos dos Estados Unidos, onde preocupações com a dívida pública, a inflação e os custos de financiamento elevaram os rendimentos de longo prazo.

O rendimento dos Treasuries de 30 anos atingiu o maior patamar desde 2007. A tentativa do Tesouro americano de estabilizar o mercado por meio da ampliação das recompras de títulos trouxe alívio temporário, mas não evitou a pressão sobre as bolsas. O S&P 500 caiu 1,4% na semana, enquanto o Nasdaq recuou cerca de 2%.

Os movimentos também alcançaram outros mercados. O MSCI All Country World Index perdeu quase 1% no período, refletindo a cautela dos investidores com os juros americanos e as tensões no Oriente Médio.

No câmbio, o dólar comercial caiu 1,53% frente ao real e terminou a sexta-feira em R$ 5,1417. Como diversos ETFs internacionais mantêm exposição cambial, o fortalecimento do real reduziu o retorno convertido das posições no exterior.

O ouro destoou dos ativos de risco. O metal avançou 5,5% na semana, sustentado pelas preocupações com a dívida americana, pela desvalorização global do dólar e pela procura por ativos reais.

GOLD11: +4,09%

GOLD11 liderou o grupo ao acompanhar a forte valorização do ouro. O fundo possui exposição ao preço do metal por meio do ETF americano IAU e tem como referência o LBMA Gold Price.

Os contratos futuros do ouro avançaram 5,5% na semana e encerraram a sexta-feira acima de US$ 4,6 mil por onça-troy. O movimento ganhou força depois que o Tesouro dos Estados Unidos ampliou inesperadamente as recompras de títulos de longo prazo, inicialmente reduzindo os rendimentos dos Treasuries e enfraquecendo o dólar.

As preocupações com o crescimento da dívida pública americana e com os custos de financiamento aumentaram a procura por ativos reais. O retorno do GOLD11 ficou abaixo da valorização internacional do metal porque a queda do dólar frente ao real reduziu parte do ganho convertido para a moeda brasileira.

IVWO11: -0,92%

IVWO11 oferece exposição a aproximadamente 6 mil empresas de mercados emergentes. No fim de julho, Taiwan representava 30,80% da carteira, seguido por China, com 27,60%, e Índia, com 17%. Taiwan Semiconductor era a maior posição individual, acompanhada por Tencent, Alibaba e empresas financeiras asiáticas.

O ETF apresentou a menor queda entre os fundos de ações da relação. A diversificação entre diferentes economias emergentes reduziu a dependência de um único mercado, enquanto o desempenho positivo das ações brasileiras na semana ajudou a parcela local da carteira.

A exposição relevante a tecnologia asiática, entretanto, manteve o fundo sensível ao movimento global de venda das ações de crescimento. A valorização do real também pressionou o retorno das posições internacionais convertido para reais.

SPXR11: -1,12%

SPXR11 acompanha contratos futuros do S&P 500 com proteção contra a variação cambial. A estrutura busca oferecer acesso ao mercado americano sem exposição direta às oscilações do dólar, além de incorporar o diferencial entre os juros brasileiros e americanos.

O S&P 500 caiu 1,4% na semana, pressionado pela elevação dos rendimentos dos Treasuries e pelos receios relacionados à inflação e ao custo de capital. O índice recuperou 0,43% na sexta-feira, mas não conseguiu reverter as perdas acumuladas anteriormente.

Por possuir proteção cambial, o SPXR11 não sofreu integralmente o efeito da queda do dólar frente ao real. Isso permitiu que o fundo registrasse desempenho superior ao SPXI11, que acompanha o mesmo mercado acionário, mas mantém exposição à moeda americana.

DOLB11: -1,36%

DOLB11 acompanhou a queda do dólar frente ao real. A moeda americana recuou 1,53% na semana e encerrou a sexta-feira cotada a R$ 5,1417.

O movimento ganhou força com a desvalorização do dólar no exterior. O índice DXY caiu aproximadamente 0,80% no período, enquanto a ampliação das recompras de títulos pelo Tesouro americano aumentou a expectativa de liquidez e reduziu a procura pela moeda dos Estados Unidos.

PKIN11: -2,34%

PKIN11 acompanha o CSI 300, índice formado pelas 300 maiores e mais líquidas ações negociadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen. A carteira possui presença relevante de empresas dos setores financeiro, tecnológico, de consumo, saúde e materiais.

O ETF terminou a semana em queda apesar da reação das bolsas chinesas na sexta-feira. O índice de Xangai encerrou o último pregão praticamente estável, com alta de 0,04%, enquanto o índice de Shenzhen avançou 0,87%.

O desempenho acumulado indica que a melhora da última sessão não foi suficiente para recuperar as perdas anteriores. O efeito cambial também pressionou o resultado em reais, diante da valorização da moeda brasileira no período.

WRLD11: -2,56%

WRLD11 replica o Vanguard Total World Stock ETF e oferece exposição a cerca de 10 mil empresas. Os Estados Unidos representavam 62,04% da carteira no fim de julho, seguidos por Japão, Reino Unido, Taiwan, Canadá e China. Nvidia, Apple, Microsoft e Amazon apareciam entre as maiores posições.

A elevada participação das ações americanas fez o ETF acompanhar a semana negativa de Wall Street. O S&P 500 caiu 1,4%, o Nasdaq perdeu cerca de 2% e o índice global MSCI All Country World recuou quase 1%.

A queda do dólar frente ao real adicionou pressão ao retorno. Embora a carteira tenha exposição a diferentes moedas e regiões, a predominância dos Estados Unidos e das grandes empresas de tecnologia ampliou o impacto da correção americana.

SPXI11: -2,80%

SPXI11 acompanha o S&P 500 e mantém exposição à variação do dólar. O ETF combina, portanto, o desempenho das grandes empresas americanas com a conversão cambial para reais.

O S&P 500 caiu 1,4% na semana, interrompendo uma sequência de três períodos consecutivos de alta. Os juros longos elevados reduziram o apetite por ações, enquanto a alta do petróleo reforçou as preocupações com a inflação.

A queda de 1,53% do dólar frente ao real intensificou a perda do SPXI11. A diferença em relação ao SPXR11, que recuou menos, refletiu principalmente a proteção cambial presente no segundo fundo.

NASD11: -3,53%

NASD11 apresentou a maior queda da relação. O fundo acompanha o Nasdaq-100 e mantém quase todo o patrimônio no Invesco QQQ. Nvidia, Apple, Microsoft, Broadcom, Amazon e Alphabet estavam entre as maiores posições indiretas.

O Nasdaq caiu cerca de 2% na semana, pressionado pela alta dos rendimentos dos Treasuries. As empresas de tecnologia e crescimento foram particularmente afetadas porque os juros mais elevados reduzem o valor presente atribuído aos lucros esperados para períodos futuros.

Além da queda do índice americano, o NASD11 foi pressionado pela desvalorização do dólar frente ao real. A combinação entre fraqueza das ações de tecnologia e efeito cambial levou o ETF a registrar o pior desempenho do grupo.

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